PERSPECTIVA DO LUCIAN
Na manhã seguinte, eu já estava de volta na SDS antes mesmo do sol despontar no horizonte. O complexo ainda vibrava com o espetáculo da noite anterior: os ecos das vozes, os murmúrios de descrença sobre o Néctar do Orvalho da Lua, o ar carregado com uma promessa grande demais para ser ignorada. Mesmo nas horas tranquilas, a SDS tinha vida e pulsava como um coração que batia no mesmo ritmo da minha própria ambição.
Não me permiti muito tempo para desfrutar desse clima. Tinha muito a ser feito. Com as rodadas preliminares se aproximando, minha mesa estava cheia de relatórios, agendas e revisões de última hora. Eu lidava com tudo com precisão e rapidez e assinava páginas e mais páginas enquanto ditava respostas firmes e autoritárias para a minha equipe. Cada detalhe importava. Cada peça tinha que se encaixar perfeitamente.
Mas, mesmo enquanto eu me debruçava sobre os monitores reluzentes, observando a Arena, o meu foco vacilou e o controle rígido sobre os meus pensamentos afrouxou em um breve alívio.
E, então, era só ela que eu conseguia ver.
Zara.
Uma vez que um pensamento ultrapassou a barreira da minha mente, mais vieram. Pela primeira vez, não resisti. Fechei os olhos e deixei a onda me levar. A música cintilante da sua risada, o brilho dos seus olhos, a dor intensa do seu toque. Parecia tão errado estar aqui, cuidando de todos esses preparativos, sem ela.
Afinal, a SDS tinha sido o sonho dela tanto quanto era o meu.
Eu me lembrava dela sentada na beira da mesa em uma dessas salas de conferência, gesticulando intensamente com as mãos enquanto descrevia como queria que a Arena fosse: grandiosa, sim, mas não sufocante; perigosa, mas sem imprudência; um lugar onde guerreiros seriam testados até o âmago dos seus ossos, mas onde também teriam o palco para provar o seu valor diante do mundo.
A paixão dela era uma tempestade na qual eu entrei por vontade própria; seu brilho havia me inflamado de uma maneira que nada antes ou depois dela conseguiu.
Meus olhos acompanharam a última projeção do layout da Arena, com seus pilares erguidos como monumentos antigos, suas sombras cortando nitidamente a areia e o leve cintilar das proteções destinadas a intensificar as provas. Eu quase podia ouvir a voz dela novamente, provocante, insistente, desafiadora. Eu conseguia imaginá-la ao meu lado, espiando sobre o meu ombro.
"Perfeito, Luc", ela sussurraria, pressionando os lábios na minha têmpora. "Tá perfeito."
Mas então, tão de repente quanto o fantasma apareceu, a Zara se desfez, deixando para trás um doloroso vazio familiar.
Na sua ausência, o rosto da Seraphina surgiu, vívido e inescapável.
Aconteceu sem o meu consentimento, um truque cruel da minha mente. E claro, como eu vinha fazendo desde que conheci a Sera, comecei a compará-las.
A Sera não me queimava com a mesma febre que a Zara, não. Mas a sua força silenciosa e a sua recusa a se curvar mesmo quando o mundo quase a quebrou acendeu em mim algo feroz, determinado, obstinado. Desta vez, pensar na Zara e na forma como eu comparava a Sera com ela não me feriu como antes. Foi algo como... aceitação murmurando sob a antiga dor.
Eu ainda carregava o peso, mas a aguda picada de luto havia se transformado em algo mais suave, quase reverente. Eu sempre a carregaria nos tijolos deste lugar, no próprio tecido da minha alma. Mas o brilho que estava prestes a ser testemunhado pela SDS não pertenceria a Zara.
Pertenceria a Sera.
E, em breve, eu também pertenceria.
Ainda assim, a menos que o momento oportuno surgisse, eu manteria o verdadeiro propósito dela (seu verdadeiro poder) oculto.
O papel da Sera nesse legado não poderia ser objeto de especulações descuidadas ou cochichos gananciosos dos rivais.
A verdade sobre ela seria revelada quando eu decidisse que o mundo estava pronto... e quando ela estivesse pronta.
Endireitei-me, aliviando a tensão dos meus ombros. Eu tinha me perdido em pensamentos por tempo demais, agora precisava controlar as minhas ideias e me concentrar novamente no que realmente importava.
Exalei lentamente e voltei a minha atenção para o presente, deixando o ritmo da ordem me estabilizar.
Meus dedos roçaram a superfície da mesa e pegaram o próximo conjunto de relatórios, fazendo a minha mente entrar no conhecido ritmo de logística e comando. O zumbido das telas, o burburinho da equipe, o som baixo dos intercomunicadores... estas eram as minhas âncoras e eu me deixei ser estabilizado por elas.
O trabalho, apesar do seu peso, era estranhamente gratificante.
Quanto mais nos aproximávamos da abertura do Torneio, mais eu sentia a SDS se alinhando, não apenas com a visão da Zara, mas com a minha própria.
Os detalhes haviam sido afiados e as fundações aprofundadas. A SDS estava se tornando algo digno do legado que estava destinada a carregar.
Quando dispensei o último assistente, pelo menos por ora, minhas têmporas latejavam de cansaço. Afrouxei os punhos das minhas mangas e me inclinei para trás, finalmente deixando o cansaço se instalar...
A porta se abriu de repente e um jovem da equipe quase tropeçou para dentro, com o peito arfando e os olhos arregalados de pânico. "Alfa Reed! Tem... tem uma crise!"
E, embora sua presença certamente gerasse tensão, talvez fosse exatamente isso que o TFL precisava.
Formidável. Imparcial. Intocável.
Exceto para mim.
E para ela.
Meus lábios se curvaram levemente, embora eu não estivesse achando graça de nada. O destino era cruel e nos tecia em nós complicados.
Colocar o Kieran naquela Arena era colocá-lo a um passo da Seraphina... Mais perto do que eu permitiria em circunstâncias normais.
Mas isso não era sobre a minha guerra pessoal, era sobre a SDS, sobre o legado com que a Zara sonhou e sobre o futuro brilhante que a Sera merecia.
A voz do assistente invadiu novamente os meus pensamentos, hesitante. "Alfa Reed... quais são as suas ordens?"
Levantei-me da cadeira lentamente, com a decisão se solidificando no meu peito como aço temperado.
"Tenho alguém em mente," eu disse. "Vou falar com ele pessoalmente."
O assistente abriu a boca, talvez para me questionar, mas o meu olhar silenciou as palavras na sua língua.
Ele se curvou rigidamente e saiu apressado do meu escritório.
Sozinho novamente, fiquei diante da janela larga que dava vista para o campo de treinamento. Lobos estavam se reunindo lá embaixo para treinar seus movimentos ágeis e poderosos. A vibração da energia deles atravessava o vidro e reverberava nos meus ossos.
Sim, tinha que ser o Kieran. Não porque eu confiava nele e definitivamente não porque eu o queria por perto. Mas porque, com tão pouco aviso, ele era o único que poderia servir como uma barreira que nenhum concorrente conseguiria simplesmente atravessar. E, se eu detestava a ideia dele se aproximar até mesmo cem metros da Sera, eu contive esses sentimentos. Decisões como essas não poderiam ser tomadas com base em emoções.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...