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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 133

PERSPECTIVA DO KIERAN

Assim que pus os pés na sede da SDS, percebi o erro absurdo que tinha cometido. Mas, então, será que não andei cometendo muitos erros absurdos ultimamente?

Quando o Gavin me entregou o telefone e me disse quem estava na linha, meu primeiro impulso foi rir ou talvez até jogar aquela coisa maldita na lareira do meu escritório.

Eu tinha dificuldade em entender que tipo de homem o Reed era, mas, pela minha experiência, ele não era do tipo que procurava outras pessoas, ou pelo menos, a mim, a menos que houvesse um cálculo por trás disso.

E eu tinha certeza de que o pedido dele de uma reunião comigo não era por cortesia... Era estratégia. E, claro, havia a chance de ser pura e simples provocação.

O TFL já estava causando alvoroço em todo o mundo lobisomem... e a minha ex-esposa estava no centro de tudo.

A Seraphina, antes ignorada e oculta, agora brilhava sob os holofotes como a principal aprendiz do Lucian Reed.

A imagem dela no baile ainda me assombrava nos momentos mais inoportunos. O jeito dela ao lado dele, radiante com o seu vestido, e o queixo erguido o suficiente para mostrar ao mundo que ela não tinha mais medo.

Mais do que a sua beleza e a confiança destemida, o que realmente me devastava era a maneira como parecia que ela pertencia ali, ao lado dele.

Parecia que ela tinha feito a sua escolha e estava se mantendo firme nela. E ela escolheu ele.

Eu devia ter desligado o celular. Quase fiz isso, na verdade. Meu dedo pairou sobre o botão de desligar, o coração disparado.

Mas então... Eu não desliguei.

Por que isso não seria como declarar que o Lucian tinha algum tipo de controle sobre mim?

Talvez por curiosidade, talvez por orgulho, muito provavelmente por ambos, eu me senti forçado a aceitar.

O local que ele propôs para o encontro foi a própria Arena da SDS.

Nas horas que antecederam o nosso encontro, eu me esforcei para entender a estratégia dele e fracassei.

Assim que percebi que ele estava se tornando uma presença constante na vida da Sera, pedi ao Gavin que investigasse o seu passado... mais de uma vez.

Mas todos os relatórios eram impecáveis. Nada de negócios ilícitos, nenhum erro político, nenhuma fraqueza explorável. Era quase perfeito demais para ser verdade, como se ele cuidadosamente controlasse o que as pessoas podiam ver.

E isso já era motivo suficiente para me deixar desconfiado.

Como ele construiu o seu império de forma tão silenciosa e constante? Quais eram os seus planos agora que estava literalmente saindo das sombras?

Eu não tinha respostas para as minhas inúmeras perguntas inquietantes. Então, tudo o que eu podia fazer era observar pacientemente, esperando que as inevitáveis rachaduras naquela fachada perfeita aparecessem.

E há maneira melhor de monitorá-lo do que no seu próprio território?

***

A Arena da SDS se erguia diante de mim como um antigo coliseu renascido e o sol da manhã fazia a estrutura brilhar, apesar das sombras cortantes.

Quanto mais me aproximava, mais era obrigado a admitir (relutantemente) que nenhuma descrição de segunda mão fazia justiça a esse lugar.

A Arena não foi apenas construída, foi forjada. Cada pedra gritava permanência, cada curva das arquibancadas chamava pelo espetáculo e cada brilho das proteções ao longo do perímetro prometia algo tanto brutal quanto glorioso.

O Lucian já estava lá, é claro, esperando por mim como se não fosse dono apenas da Arena, mas do próprio ar.

Sua postura era simples e controlada, com as mãos entrelaçadas nas costas. A maneira como o seu olhar penetrante me avaliava fez eu me arrepiar.

"Alfa Blackthorne," cumprimentou ele, com uma voz baixa e calma a ponto de ser inquietante.

"Corta a formalidade, Reed," eu disse, pisando na areia do chão da Arena. Os grãos se mexeram sob as minhas botas, e eu não pude deixar de imaginar como seria encharcado de sangue. "Por que você me chamou aqui?"

A boca dele curvou-se ligeiramente em um quase sorriso enquanto ele fazia um gesto ao nosso redor. "Você não acha impressionante?"

Olhei com atenção para a vastidão do local. As arquibancadas em camadas pareciam engolir o horizonte e as barreiras cintilavam levemente como miragens de calor. Era impressionante. Mas eu não ia admitir isso em voz alta.

"Você não me chamou aqui só para me dar um tour pelo seu playground," eu murmurei com raiva. "O que. Você. Quer?"

Ele virou a cabeça, estudando a luz que caía sobre as colunas que emergiam do chão. Seu silêncio se prolongou o suficiente para me irritar, até que finalmente ele perguntou, quase distraidamente: "Você espera presenciar a transformação dela aqui?"

Meu peito apertou. Eu não precisava que ele dissesse o nome dela, eu sabia exatamente de quem ele estava falando.

Raiva e arrependimento lutavam dentro de mim enquanto a memória da festa retornava em detalhes vívidos. A risada da Seraphina, brilhante e agridoce, sua mão repousando no braço dele como se pertencesse ali e o orgulho queimando nos olhos dela... por ele. Nunca por mim.

O entendimento me atingiu como um soco traiçoeiro. Lucian Reed não me chamou aqui para tratar de negócios. O desgraçado me chamou aqui para se vangloriar.

"Seu desgraçado," sibilei, girando nos calcanhares. "Você me arrastou até aqui pra quê? Jogar na minha cara?"

Eu estava quase saindo quando a voz dele me alcançou, cortante como um chicote: "Você não tá nem um pouco curioso?"

Parei. Contra o meu próprio juízo, parei.

Porque era exatamente isso que eu estava: curioso.

O tom do Lucian se aprofundou propositalmente: "Você não se pergunta o que a fez sair das sombras?" Ele sorriu, obviamente orgulhoso do seu jogo de palavras. "Para se erguer como uma mulher altiva, confiante, inquebrável? Para se tornar tão... cativante?"

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