PERSPECTIVA DA SERAPHINA
A sede da SDS estava em plena atividade antes mesmo do primeiro raio de sol romper o céu.
O zumbido das vozes, o som das botas arrastando nas pedras polidas e ásperas, o cheiro da tensão no ar, tudo se misturava em uma corrente que me arrastava para frente.
Hoje era o primeiro dia do TFL, o início de uma série de desafios que nos levariam ao limite, revelando o quanto cada um de nós evoluiu desde que chegou à SDS e determinando o destino das alianças e rachas entre as Alcateias que observavam das arquibancadas.
Eu tinha decorado a estrutura, repetindo-a para mim mesma como um mantra.
Doze equipes. Cinco lobos em cada uma. Nove Alcateias espalhadas pelo continente: Frostbane, Cypress Vale, Seabreeze, Granite Fang, Shadow Claw, Ashveil, Duskbane, Moonfang, Bloodspire. E, então, três equipes da própria SDS.
Uma delas era a minha.
Ajustei a barra da minha jaqueta e senti o peso do presente do Lucian ao meu redor como uma armadura. Coloquei a mão no bolso e os meus dedos se fecharam ao redor da Pedra da Lua da Maya.
Senti conforto nos meus presentes, sabendo que, mesmo que eu não visse a Maya e o Lucian durante os desafios, eu carregaria um pedaço de dois dos meus maiores incentivadores naquela que parecia ser a minha jornada mais intensa até agora.
O salão de assembleia era imenso e tinha o teto alto emoldurado por bandeiras de cada Alcateia participante, incluindo logos personalizados para as três equipes da SDS.
Lobos se agrupavam nos cantos, falando com vozes baixas e carregadas, avaliando uns aos outros antes que as sirenes soassem. Quando encontrei a placa com a designação da minha equipe, a tensão no meu peito aliviou.
"Seraphina!"
Judy veio saltitante na minha direção, com o seu rabo de cavalo balançando alegremente. Ela estava sorrindo tanto que as suas bochechas pareciam prestes a se rasgar.
"Você tá na minha equipe?" perguntei, surpresa com o calor que subia dentro de mim.
"Claro!" Ela deu uma risadinha e cutucou o meu braço.
Não pude conter o sorriso. Nesta selva cheia de tensão e agitação, o rosto familiar da Judy era uma âncora que eu não sabia que precisava.
"Vamos," ela disse, me puxando em direção a duas outras pessoas que estavam um pouco afastadas da multidão. "Conheça o resto do nosso alegre grupo."
A mulher era rechonchuda e tinha os olhos baixos sob uma cortina de cabelos castanhos. Ela mexia na barra da manga, mudando o peso de perna como se o chão estivesse quente demais para os seus pés.
"Essa é a Talia," anunciou Judy.
"Oi," a Talia murmurou, tão baixinho que tive que me inclinar para ouvir.
"E esse é o Finn."
O homem ao lado dela fez um pequeno aceno com a cabeça. Ele era alto e magro e a sua postura era fechada como um livro relutante em ser lido. O que era irônico, porque eu me lembrava de tê-lo visto uma ou duas vezes na biblioteca da SDS, escondido nos cantos entre as prateleiras.
"É um prazer conhecer vocês," eu disse, animada, sorrindo calorosamente.
Talia ficou vermelha e os seus olhos esquivos que evitavam os meus. O Finn apenas deu outro curto aceno com a cabeça.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, uma voz cortou o ar como uma faca.
"Ah, você só pode estar brincando."
Nos viramos.
Roxy, a última integrante do nosso grupo, estava ali, de braços cruzados e com uma carranca profunda o suficiente para enterrar todos nós.
A última vez que a vi, ela estava grudada ao lado da Jessica no vestiário, mais como uma sombra do que como uma pessoa.
Seus olhos passaram pelo nosso grupo com um desprezo tão feroz que a Talia se encolheu atrás da Judy.
"Que má sorte a minha", Roxy resmungou. "Presa com um bando de fracos."
Senti o meu estômago se apertar, mas não falei nada.
"Como é?" Judy retrucou, fechando a cara imediatamente.
Os lábios da Roxy se curvaram. "Não se faça de boba. Isso não é uma equipe, é uma sentença de morte. Um aglomerado de Ômegas com uma rejeitada nascida Alfa e jogada na tentativa patética de dar emoção ao grupo." Ela balançou a cabeça. "Isso só pode ser algum tipo de armadilha."
Levantei uma sobrancelha. "Como assim?"
Ela cruzou os braços e seus olhos afiados pareciam nos desafiar. "Todo mundo sabe que a Jessica e eu somos uma equipe e trabalhamos perfeitamente bem juntas. Me jogar com essa... " seu nariz se enrugou, "mistura patética é uma tentativa de enfraquecer o time da Jessica."
Ela me lançou um olhar fulminante. "Me pergunto para o benefício de quem..."

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei