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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 135

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Todas as Arenas seriam simulações e ilusões engenhosas, mas era difícil lembrar disso quando adentrávamos na Floresta Nebulosa.

Ela respirava como se fosse algo vivo e cada passo que dávamos nos puxava mais fundo nos seus pulmões. A névoa se tornava cada vez mais densa, até que o mundo ao nosso redor mergulhava em tons apagados de cinza e verde.

O ar grudava na minha pele com uma umidade que penetrava a sob minha jaqueta e o aroma amargo de ervas ardia no fundo da minha garganta.

Em algum lugar acima de nós, eu sentia o contorno do sol tentando sem sucesso atravessar a névoa. Sua luz se espalhava como cacos de vidro.

Cuidadosamente, recebemos as regras no portão e as simplifiquei na minha mente, recitando-as como se fossem um encantamento: três fragmentos de Pedra da Lua, doze horas, linha de chegada.

Os primeiros nove times se classificariam. O restante estaria fora da competição.

A névoa era crucial para o teste: uma mistura feita a partir de ervas moídas que mexia com a mente e os sentidos. Ela borrava a visão, abafava rastros de cheiro e distorcia o equilíbrio.

Para a maioria dos lobos, isso era debilitante.

Mas não para mim. Não realmente.

A dor da perda apertava no meu peito quando eu pensava nisso... nela. A minha loba.

Ela provavelmente odiaria essa névoa e rosnaria contra a confusão que ela criava.

Mas, sem ela, os meus sentidos estavam reduzidos à fragilidade humana. A névoa vinha, mas encontrava pouco o que perturbar. Eu era poupada dos piores efeitos que ela tinha.

O mesmo acontecia com os Ômegas, cujos lobos não eram fortes o suficiente para perceber a interferência desde o início.

Talia, embora ainda estivesse inquieta, não tropeçava como os outros ao longe. O Finn se movia com uma estranha firmeza e a sua mão roçava os troncos das árvores como se ele estivesse registrando-os na sua mente. Até mesmo a Judy, com o seu lobo inquieto à espreita, parecia despreocupada.

Eu não deixei de notar a ironia disso tudo. O Lucian havia planejado a prova, no fundo eu sabia disso. Ele tinha escolhido essa névoa, esse desafio.

Mas por quê? Para equilibrar o jogo? Para nos mostrar que a nossa desvantagem poderia se tornar uma alavanca? Ou apenas para testar a profundidade das nossas fraquezas?

A floresta não me dava respostas, apenas o sussurro das folhas e o estalo ocasional de um galho quebrando sob o peso de outra equipe à distância.

Encontramos o primeiro fragmento da Pedra da Lua ainda na primeira hora. Estava encravado no tronco de uma árvore morta, emitindo um brilho pálido através da névoa, como o luar filtrando pela água.

Judy o arrancou com um grito triunfante, erguendo-o alto. O fragmento pulsava suavemente na sua mão e as runas gravadas ao longo da sua borda vibravam com poder.

"Um já era!" Ela sorriu, com os dentes brilhando e os olhos radiantes apesar da neblina.

"Faltam dois," eu lembrei, embora uma emoção se espalhasse em mim com a alegria dela.

Seguimos em frente, nos embrenhando mais fundo na floresta através de trechos lamacentos que sugavam as nossas botas e por entre cristas onde pedras pontiagudas surgiam como dentes.

Meus pulmões ardiam com o esforço e os meus dedos flexionavam inconscientemente ao redor do passe de entrada guardado no bolso do meu casaco, ao lado da Pedra da Lua da Maya.

Foi durante a nossa busca pelo segundo fragmento que os problemas começaram.

A Roxy vinha atrás, com movimentos agitados e inquietos, como um lobo rondando as grades de uma jaula. Senti o seu olhar perfurando minhas costas.

Quando finalmente falou, sua voz estava carregada de veneno: "É fofo o quanto você tá se esforçando," ela disse, a voz baixa, mas cortando a névoa, "mas você sempre será só uma substituta."

Me virei levemente, mas o suficiente para ver ela de relance. Ela tinha parado e se encostando em uma pedra coberta de musgo, estava com os braços cruzados e um sorriso de desdém nos lábios.

"O que você quer dizer com isso?" Judy retrucou, irritada.

"Ela sabe exatamente o que eu quero dizer," Roxy respondeu, com os olhos fixos em mim. "A Jessica me contou tudo sobre como o Lucian já teve uma companheira que ele realmente amou. Você nunca será ela, sabe. Você é apenas... a substituta."

Suas palavras entraram em mim como fumaça, infiltrando-se nas rachaduras do meu coração que ainda estavam cicatrizando.

Meu peito se apertou e flashes de memórias passaram pela minha mente.

A convicção com que o Lucian explicou o laço de companheiros. As sombras breves e escuras que cruzavam o seu rosto. A saudade no seu tom quando ele falou sobre a sua... amiga.

Cruzei os braços. "Conte-me mais sobre essa suposta companheira."

Roxy hesitou. "E-eu não a conheci, mas a Jessica..."

Claro. A Jessica. Eu não era ingênua o suficiente para acreditar em qualquer coisa que saísse da boca da Celeste 2.0.

Mantive a respiração controlada e o olhar firme. "Se você acha que repetir as palavras da Jessica vai me desestabilizar, vai ter que se esforçar mais."

Mantive o tom frio e neutro. Por dentro, o meu coração batia mais forte do que eu gostaria.

Os olhos da Roxy se estreitaram diante da minha calma e a frustração agudou as suas feições.

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