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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 75

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Após uma noite de sono agitada, mas felizmente sem sonhos, acordei antes do amanhecer com uma mensagem de texto do Lucian.

Lucian: 'Tire o dia de folga do treinamento da SDS. Ordens médicas.'

Fiquei olhando para a mensagem por um bom tempo antes de responder.

Sera: 'Você não é o meu médico.'

Ele respondeu na hora.

Lucian: 'Talvez não. Mas sou alguém que prefere se encontrar com pessoas vivas, sem machucados e sem estresse. Me dá esse gostinho.'

Revirei os olhos, mas a verdade era que eu não estava com pressa de voltar à rotina intensa dos treinamentos e simulados.

Meu corpo estava curado, graças à estranha magia do Ashar. Mas eu não queria pensar sobre isso agora, porque pensar no Ashar me fazia lembrar do Kieran e as feridas emocionais ainda estavam sensíveis.

Então, cedi ao pedido dele.

E fui além. Marquei uma ida ao spa com a Maya.

Já que o meu dia de folga coincidia com o dela, ela ficou mais do que feliz em me acompanhar ao spa.

A recepcionista do Crystal Petals Spa nos cumprimentou com aquela reverência reservada para pessoas que parecem precisar de uma atenção cara.

Em questão de minutos, estávamos ambas enroladas em macios roupões, com os cabelos presos e uma água com pepinos na mão.

O ar tinha um leve perfume de sândalo e cítricos e a música tranquila criava um ambiente relaxante que acalmava até os ossos.

"Então," Maya disse, enquanto nos acomodávamos nas cadeiras macias para a nossa pedicure. "Primeiro encontro com o Lucian. Conta tudo."

Eu bebi minha água devagar, ganhando tempo. "Foi... tranquilo."

Os olhos dela se estreitaram por cima da borda do copo. "Tranquilo? Você tá me dizendo que o Alfa, que praticamente exala charme aristocrático e que poderia comprar toda a Hollywood e ainda ficar com um troco, só te proporcionou um encontro tranquilo?"

"Bom, antes de mais nada..." Eu lancei um olhar fulminante para ela. "Até o Último Suspiro, Maya. Sério?"

Ela deu um sorriso maroto, sem demonstrar um pingo de vergonha ou arrependimento ao ouvir o nome o filme picante que ela me induziu a escolher. "Ditou o clima?"

"Se o clima que você queria era de 'constrangimento total', então sim, ditou perfeitamente."

"Aff," ela jogou a cabeça para trás. "Se você não tivesse um filho, eu juraria que é virgem."

De alguma forma, a menção ao meu filho imediatamente levou os meus pensamentos aos obstáculos mentais proibidos que eu construí em torno do que aconteceu entre mim e o pai do meu filho ontem.

"Enfim..." Balancei a cabeça em uma tentativa de controlar os meus pensamentos traiçoeiros. "O encontro estava indo muito bem... até os renegados aparecerem."

Maya se endireitou, fazendo os pés escorregarem das mãos da pedicure e transbordarem a água da bacia.

Eu dei um sorriso de desculpas enquanto os olhos da Maya se arregalavam. "Renegados?"

Assenti. "Sim, os mesmos que atacaram no enterro do meu pai e me balearam no parque."

"Caramba, Sera," Maya engasgou. "No dia seguinte a um ataque dos renegados, você não me liga dizendo 'ei, quer ir ao spa?' Você me liga e me conta o que diabos aconteceu."

Eu fiz uma careta. "Desculpa. Mas não foi um grande problema, eu juro. O Lucian deu conta dos que atacaram o restaurante."

Eu me poupei de acrescentar que o Kieran fingiu o asfalto com o sangue dos demais.

Ela colocou o copo em um banquinho próximo e se aproximou, segurando meu rosto. "E você?" ela perguntou, seus olhos castanhos e penetrantes me avaliando. "Se machucou?"

Pensei no corte na minha testa, nos hematomas nos meus pulsos, na dor nas minhas costelas.... e, então, no calor reconfortante da língua do Ashar e no beijo do Kieran que pareceu apagar tudo.

Minhas bochechas esquentaram sob o toque da Maya. "Tô bem," disse eu, afastando meu rosto. "Não foi grande coisa, juro."

Só que foi sim, mas eu não sabia como contar para a Maya o que aconteceu entre mim e o Kieran, principalmente quando eu estava tão desesperada para esquecer.

A última coisa que eu precisava era a Maya percebendo a minha confusão ainda latejante sobre o beijo e me fazendo cavar mais fundo em sentimentos que eu não queria desenterrar.

"De qualquer forma, o Lucian já tá planejando o nosso segundo encontro e não tem como ser tão ruim quanto o primeiro."

"Hmm." Ela não parecia convencida, mas deixou passar. Por enquanto.

"Por causa da realidade," eu disse amargamente. "Se algum dia o Kieran fosse sentir esse vínculo por mim, já teria sentido. Ele passou todo o nosso casamento suspirando pela Celeste. Ela é a companheira dele, o destino dele."

"Não temos certeza disso," a Maya disse suavemente.

Balancei a cabeça. "Por que outro motivo ele seria tão indulgente com ela?"

Embora tivéssemos vivido como estranhos por uma década, eu conhecia o Kieran bem o suficiente para saber que havia muitas coisas que ele não suportava e ele tolerou várias delas pela Celeste, defendendo até mesmo seus piores defeitos.

Eu precisava de mais provas?

A verdade me deixava com um gosto amargo na boca. Eu odiava ainda sentir o eco daquele beijo, odiava que uma parte secreta de mim ainda desejava que ele me olhasse do jeito que eu o vi olhar para ela, quando eu sabia que isso nunca ia acontecer.

Maya estendeu a mão entre as nossas cadeiras e apertou a minha com força. "Quando você finalmente tiver a sua loba, você encontrará o seu companheiro. Eu sei disso."

Ela arqueou as sobrancelhas. "Quem sabe talvez seja até o Lucian. Isso explicaria por que ele é tão encantado por você e te trata de uma maneira tão especial."

Sorri levemente, tocada pela certeza dela, mas aquelas palavras despertaram um tipo diferente de dúvida em mim. O toque do Lucian era… constante, seguro, como um porto calmo após uma tempestade. Eu gostava disso. Confiava nisso.

Mas faltava… alguma coisa, algo que eu senti em cada nervo do meu corpo quando o Kieran me beijou. Calor. Paixão. Eletricidade. Desejo profundo. Não que qualquer uma dessas coisas fossem necessariamente boa para mim, especialmente se eu as sentisse pelo meu ex-marido, que estava apaixonado pela minha irmã.

Caramba, minha vida estava uma bagunça.

Eu estava prestes a mudar de assunto quando a porta do spa se abriu e uma risada aguda e cantante cortou a música tranquila.

Um frio percorreu a minha espinha ao ouvir o som. Não tinha como eu me enganar sobre quem era.

O trio de mulheres entrou como se viesse de um comercial de perfume, com seus cabelos brilhantes, óculos de sol de grife e um leve aroma de fragrância floral enjoativa que de repente deixou o ar doce demais.

Elas falavam tão alto que chamaram a atenção de todos no local.

A mão da Maya apertou a minha novamente, desta vez como um aviso silencioso.

Minha casa, o shopping, o cinema e agora o spa. Eu não conseguia ir a lugar nenhum nesta cidade sem dar de cara com o Kieran ou com a Celeste.

E, desta vez, tive o 'prazer' de encontrar não apenas a Celeste, mas também as suas seguidoras.

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