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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 76

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

No momento em que vi o reflexo da Celeste no espelho com moldura dourada do spa, soube que a paz tinha acabado.

Os cabelos dourados dela balançavam como se ela tivesse um ventilador pessoal a seguindo e a risada que escapava dos seus lábios não era apenas alta, era teatral.

Ao lado dela estavam a Abby e a Emma, as três exibindo a confiança de quem está acostumada a ter o mundo aos seus pés.

A mão da Maya estava sobre a minha desde que elas entraram e o aperto que ela me deu foi sutil, mas a mensagem estava clara: 'Prepare-se'.

Estávamos invisíveis nos primeiros e gloriosos dez segundos, até que o olhar da Abby pousou em mim. Os passos dela desaceleraram e sua boca se curvou. Então, a atuação começou.

"Minha nossa," ela ofegou, o som carregado de descrença. "Seraphina Lockwood. Você tá viva?"

Emma falou em seguida, com a mão dramaticamente pousada no peito. "Ah, que sorte! Ouvi dizer que ela foi atacada por renegados... de novo." Ela demorou para dizer a última palavra como se tivesse um gosto amargo.

Mantive os olhos na água morna, que girava em torno dos meus tornozelos, desejando que o aroma de cítricos e sândalo me acalmasse.

Meu primeiro instinto foi fingir que não ouvi nada. Eu não tinha a intenção de jogar lenha na fogueira, não hoje.

Só queria ter um dia relaxante no spa, pelo amor dos Deuses!

Mas a Abby e a Emma nunca foram do tipo que deixam o silêncio parar as suas provocações.

"Eu acho que...," Abby continuou, inclinando a cabeça na direção da Emma como se estivessem se apresentando para diretores de elenco, "é só muita má sorte. Ou talvez…"

Ela abaixou a voz apenas o suficiente para fazer com que todas as outras pessoas no spa, que tinham voltado a atenção para elas quando entraram, inclinarem-se inconscientemente. "Talvez ela esteja inventando tudo pra chamar atenção."

Emma fingiu um arrepio tão exagerado que poderia ganhar prêmios. "Você acha?"

"Eu não sei," disse Abby, com um tom de falsa inocência. "Mas, sabe, duas vezes em tão pouco tempo? E ainda teve o tiro? Quais são as chances? A menos que ela só esteja tentando chamar a atenção das pessoas, especialmente de um certo Alfa."

Elas não precisavam dizer o nome do Kieran para a provocação fazer efeito.

Tomei um gole lento de água com pepino, segurando o copo com um pouco de força demais.

'Ignore elas, Sera,' eu me dizia firmemente. 'Não dê a elas a satisfação.'

A voz da Emma ficou mais aguda. "Você tá certa! Tipo, 'ops, quase morri, por favor venha me salvar de novo'!"

"Caramba, é como se ela estivesse fazendo teste pra um drama novo a cada semana."

"E o pior? Ela nem tá sendo criativa. Tipo, sério mesmo, sempre os renegados? Seja um pouco mais original, sabe?"

As duas explodiram em risadas, como hienas de sandálias de grife.

A água do escalda-pés da Maya espirrou quando ela se levantou bruscamente.

"Ok, já chega," ela disse, com uma calma mortal que era infinitamente mais perigosa do que qualquer grito.

Abby e Emma se viraram para ela, fingindo confusão. "Como é?"

"Vocês ouviram." Maya se endireitou, mas permitiu que o roupão se abrisse o suficiente para revelar as linhas definidas dos músculos das suas pernas. "Querem alfinetar alguém, façam isso em vocês mesmas."

As narinas da Abby se dilataram. "Só estamos conversando."

"Não," disse Maya, dando um passo premeditado mais para perto. "Vocês estão fazendo um showzinho patético que, sinceramente, fica devendo em qualidade. E pra quê? Pra agradar a rainha de vocês, que precisa das suas duas marionetes dançando ao redor dela pra se sentir importante."

Entre as amigas, a Celeste franziu os lábios em uma expressão fácil de entender. Era estranho que ela não tivesse participado do showzinho antes e que não estivesse respondendo agora.

A boca da Emma se abriu e os olhos da Abby se estreitaram. "Só estamos apontando o óbvio. Ela continua convenientemente se colocando em apuros, só pro Kieran precisar salvá-la. Ele se divorciou dela por um motivo e..."

"É," Maya retrucou, "e, mesmo com o divórcio, ele ainda rastreia o paradeiro dela, aparece quando ela tá em perigo e pinta as ruas de sangue para mantê-la segura. Isso não parece exatamente a atitude de um ex que não te suporta, né?"

Isso as paralisou por um segundo.

Maya continuou. "Pra mim, parece mais que ele se arrepende de ter deixado ela escapar."

Meu coração bateu dolorosamente no peito com essa insinuação absurda.

Eu queria puxar a Maya de volta e dizer pra ela não dar mais armas à aquelas três, mas uma parte pequena e obscura de mim estava feliz em vez aquela compostura perfeita se dissipar.

Os lábios da Abby se abriram em indignação e a Emma murmurou alguma coisa para a amiga, mas foi muito baixo para eu ouvir.

"Acho," Abby disse devagar, "que você deveria ponderar as suas palavras."

O rosto da Maya escureceu e ela deu um passo à frente, parecendo tão ameaçadora descalça e de roupão quanto pareceria com a sua roupa de combate. "Isso é uma ameaça, princesa?"

Foi possível ouvir a Abby engolir em seco enquanto a Maya se inclinava, reduzindo a voz a um tom grave. "Porque eu te garanto que você não quer me testar."

Ok, esse era o meu sinal para intervir.

Eu já estava quase saindo da cadeira, pronta para puxar a Maya de volta para o meu lado antes que a situação explodisse, quando o lábio da Emma se contorceu. "Talvez devêssemos só..." O olhar dela passou para mim e, depois, se tornou mais malicioso, "ensinar uma liçãozinha a ela por desperdiçar o tempo de todo mundo com esses dramas."

Parei. Lentamente, encarei-a novamente.

"Queria me desculpar," ela disse.

Meus olhos se arregalaram enquanto um som de incredulidade escapava da Maya. Abby e Emma olhavam para a sua 'abelha-rainha' como se ela tivesse criado chifres.

Mas a Celeste ignorou todo mundo e focou o olhar em mim enquanto continuava: "Pelo que aconteceu na festa. As coisas... saíram do controle." Ela respirou fundo, como se estivesse se preparando. "Eu fui longe demais."

Meu queixo caiu. Acho que, nos seus vinte e oito anos, a Celeste jamais admitiu um erro, muito menos pediu desculpas por ele.

Quem diabos era essa e o que ela tinha feito com a fria da minha irmã?

"E espero... Espero que você vá visitar a mamãe um dia desses. Ela deseja de verdade unir a nossa família. Significaria muito pra ela."

Por um momento, tudo que consegui fazer foi encará-la.

Porque eu não conhecia essa Celeste.

Eu já estava acostumada com a Celeste rancorosa e amarga, mas essa Celeste era diferente: polida, diplomática e cujas palavras se encaixavam como se ela as tivesse ensaiado na frente do espelho. E, mesmo assim... não havia calor nos seus olhos, nem mesmo um vislumbre de sinceridade que tornaria a sua atuação convincente. De alguma forma, essa falta de genuinidade tornava a situação mais suportável. Ela estava jogando, com certeza. Eu não sabia qual era a intenção, mas sabia que não queria me envolver.

"Celeste," falei finalmente, "eu acho que seria melhor e, pra ser honesta, mais seguro pra nós duas se nos tratássemos como estranhas daqui em diante."

Uma sombra passou pelo rosto dela, rápida mas perceptível. "Mas você não é uma estranha. Você é minha irmã."

Eu teria rido se ela não soasse tão séria. Mais uma vez, suas palavras careciam de calor ou sinceridade.

"É melhor sermos estranhas do que irmãs."

Virei-me antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa. A Maya já estava juntando as suas coisas, mas ainda lançava olhares furiosos para a Abby e a Emma.

Não concluímos a nossa sessão de pedicure nem mesmo vestimos as nossas roupas, simplesmente saímos. O ar do spa deu lugar à brisa mais fresca do shopping e senti os meus ombros relaxarem um pouco, a tensão se dissipando agora que estávamos fora do alcance delas.

Mal havíamos chegado ao estacionamento quando o meu celular vibrou no bolso do roupão. Peguei-o, esperando talvez uma mensagem do Lucian para perguntar se estava tudo bem. Mas não era ele.

A tela acendeu com um nome que nunca tinha visto no meu telefone antes. Leona Blackthorne.

Hesitei por um instante antes de atender.

"Sera." A voz dela estava carregada de urgência, sem tempo para cumprimentos. "Precisamos conversar."

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