PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Os portões da Casa da Alcateia NightFang surgiram à minha frente no dia seguinte, com as suas curvas de ferro forjado brilhando sob a luz clara da manhã.
Minhas mãos se apertaram tanto no volante que os nós dos dedos ficaram pálidos. Eu não ia até lá desde antes do meu divórcio com o Kieran e, mesmo quando ocasionalmente precisava visitar a Casa, os integrantes da Alcateia me tratavam com desdém e me lançavam olhares frios e comentários mordazes. Afinal, eu não era a Luna deles, era apenas a mulher que prendeu o Alfa dele em um casamento com a minha gravidez.
Mas, agora, eu estava de volta.
Pelo Daniel e nada mais. Eu me forçava a lembrar disso.
Os guardas do posto de controle ficaram tensos quando meu carro se aproximou. Eles me reconheceram instantaneamente e um deles deu um passo à frente, levantando a mão para sinalizar que eu parasse.
Baixei a janela e usei a minha voz firme antes que ele pudesse falar. "Vim ver o Alfa Kieran. É urgente."
Eles trocaram olhares e eu percebi um leve tremor no canto da boca de um dos guardas, um traço de inquietação.
"O Alfa está no escritório dele," disse finalmente o mais velho. "Mas ele está... ocupado."
"Então desocupa ele," eu disse.
"Senhora, nós não podemos simplesmente..."
"É sobre o meu filho," eu interrompi, com firmeza. "Sabe, o futuro Alfa de vocês?"
Isso calou ele na hora.
Após uma pausa, o guarda mais velho murmurou no comunicador dele e então acenou para eu seguir em frente.
Uma longa estrada se estendia à frente, com a Casa Principal da Alcateia erguendo-se no final dela como uma fortaleza de pedra e vidro. 'Vim aqui por causa do Daniel', repeti para mim mesma ao sair do carro, com a determinação se sobrepondo à hesitação. "Nada mais importa."
Havia um burburinho suave na Casa, vindo das vozes nas salas e dos passos ao longe, mas o corredor que levava ao escritório do Kieran estava quieto. Os corredores do prédio principal da Alcateia NightFang pareciam mais frios do que eu me lembrava, como se as próprias paredes tivessem sido construídas para afastar o calor, não apenas manter o clima fresco.
Tudo neste lugar exalava ordem e vigilância. Eu quase podia sentir o peso de olhos invisíveis seguindo cada movimento meu, com guardas postados em lugares que eu não podia ver.
Meus saltos batiam no chão de pedra polida, gerando um som agudo na pesada quietude que me acompanhava. Ignorei os olhares e sussurros escondidos atrás de expressões cautelosas dos lobos que cruzavam o meu caminho.
Mas, depois de dez anos, essas coisas passavam por mim como água em poliéster. No meio do corredor até o escritório do Kieran, meus passos vacilaram e meu peito se apertou.
Celeste saiu de um corredor adjacente como se estivesse me esperando, seus saltos ecoando em um ritmo provocante e zombeteiro. Ela estava impecavelmente elegante em um vestido safira que destacava seus olhos como joias envenenadas e seus lábios se curvaram em um sorriso que era pura zombaria. "Ora, ora. Não combinamos que seríamos estranhas, irmã querida? No entanto, aqui está você, assombrando esses corredores como um fantasma não convidado."
Ah, lá estava. Eu não sabia o porquê da falsa penitência que ela encenou ontem, mas pelo menos entre nós ela estava sendo ela mesma. Infelizmente para ela, eu não estava com paciência para discutir.
Não diminui o passo. "Sai da frente, Celeste. Não tenho tempo pra você hoje."
Ela se afastou da parede, acompanhando o meu passo. "Sem tempo ou sem coragem pra admitir que você tá aqui porque não consegue ficar longe dele?"
Sua voz transbordava uma doçura falsa. "Você faz questão de cortar laços, mas cá está, correndo de volta quando precisa de algo. O que é desta vez, Sera? Outra crise que só acontece com você?"
Continuei andando. Minha paciência já tinha se esgotado muito antes dessa conversa. "Acredite no que quiser. Vim aqui pelo Daniel."
"Ah, claro," ela falou com desdém. "Sempre a mãe dedicada. Que conveniente. Mas o Kieran não te deve nada..." Ela se virou para os guardas postados na porta do escritório do Kieran.
"Tirem ela daqui. É uma invasora."
Os guardas hesitaram. Eu não era a Luna, mas já tinha sido casada com o Alfa deles. A Celeste era praticamente uma estranha glorificada e, se o que aconteceu na festa dela servisse de referência, duvidava que muitos integrantes da Alcateia realmente gostassem dela.
A voz da Celeste ficou mais aguda. "Agora."
Um deles deu um passo na minha direção, mas parou quando a porta do escritório se abriu.
Kieran surgiu alto e elegante, com uma camisa escura e a expressão fria até que o seu olhar pousou em mim.
Então... mudou para surpresa, misturada com algo indescritível. "Sera?"
Era completamente enlouquecedor como apenas o som do meu nome vindo daqueles lábios sensuais trazia de volta uma enxurrada de memórias que eu me esforçava imensamente para reprimir.
Cruzei os braços sobre o peito como se isso pudesse impedir o meu coração de querer saltar. "Precisamos conversar."
Ele me estudou por um segundo longo demais, como se ponderasse sobre o risco do que eu estava prestes a dizer. "Sobre o quê?"
"O Daniel."
Toda a postura dele mudou: os ombros se endireitaram, a mandíbula se tensionou e os olhos afiaram-se como lâminas sendo amoladas. "Entre," ele disse.
Celeste fez um som de protesto, mas o Kieran nem olhou para ela. "Agora não, Celeste."
Entrei no escritório dele sentindo o olhar furioso da Celeste nas minhas costas como uma marca quente.
O escritório tinha um leve cheiro de couro e papel e era organizado, controlado, sem nada fora do lugar. Era bem a cara do Kieran. Ele fechou a porta atrás de nós, bloqueando o eco da irritação da Celeste.
A última vez que estive nesta sala...
Será que já estive ali? Havia tantas partes da vida do Kieran que eu não conhecia.
"Não pensei que você me procuraria," disse Kieran, encostando-se na beirada da sua mesa. "Especialmente depois..." Ele tensionou a mandíbula, recordando. "... da última vez."
Por um momento, pensei ter ouvido errado.
"Você... o quê?"
"Eu vou com você," Kieran repetiu, sua voz soando irredutível e decidida.
Minha primeira reação foi querer resistir, dizer a ele que a visita era minha, que era o meu momento com o Daniel e que eu não precisava da presença invasiva e controladora dele se intrometendo em cada interação.
A última coisa que eu precisava era de outra discussão com ele na frente do Daniel.
"Eu não preciso..."
"Não se trata de precisar," ele disse, fixando os seus olhos nos meus sem hesitar. "É sobre garantir que nada aconteça com você. Ou com o Daniel. Não confio isso a mais ninguém."
Senti um calor subir pelo meu pescoço. Não era vergonha, mas sim devido à audácia dele de pensar que eu não conseguiria me virar sozinha.
Entretanto, eu sabia que ele não estava totalmente errado. Afinal, se não fosse por ele, só os Deuses sabiam o que teria acontecido comigo.
Ainda assim, não consegui me conter. "Você acha que eu não consigo fazer uma viagem sem você?" perguntei, levantando uma sobrancelha.
Um leve sorriso sem humor apareceu nos lábios dele. "Acho que é melhor não arriscarmos a segurança do Daniel. E você se esquece que ele é meu filho também e que eu sinto falta dele. Não tô te impedindo de ver o nosso filho. Por que você deveria me impedir?"
Droga. Como poderia argumentar contra essa lógica?
Recostei-me na cadeira e cruzei uma perna sobre a outra, tentando parecer muito mais relaxada do que realmente estava. "Tudo bem," eu disse, embora as palavras fossem mais suspiros relutantes do que um consentimento.
Os olhos do Kieran piscaram quase imperceptivelmente em um flash que eu não consegui decifrar. Satisfação? Alívio? Triunfo?
Ele assentiu uma vez. "Vou finalizar os preparativos até hoje à noite. Partimos em dois dias."
Dois dias.
Dois dias para me preparar. Não para a Ilha, não para o Daniel, mas para a realidade de estar próxima ao Kieran sem ter como fugir a não ser pelo vasto oceano azul.
Eu já estava imaginando o ar com cheiro de sal, o baixo zumbido das ondas contra o cais e a tranquilidade de um lugar distante do continente...
E, agora, eu teria que imaginar tudo isso com ele lá. A presença dele seria impossível de ignorar, sua voz sobressairia ao som do oceano e os seus olhos encontrariam com os meus quando eu menos esperasse.
Uma ilha particular. Eu, o meu filho... e o meu ex-marido. Uma bela viagem em família.
O que poderia dar errado?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...