Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 82

PERSPECTIVA DO KIERAN

As palavras da Celeste ficaram grudadas em mim muito depois de eu desligar, como uma mancha que eu não conseguia lavar.

'Finalmente ficaremos noivos oficialmente.'; 'Quero filhos, vários.'

Ela tinha falado com uma certeza tão contundente que era como se a decisão tivesse sido registrada em cartório.

E eu disse o que a Celeste queria ouvir só pra encerrar a ligação.

Mas, no momento em que desliguei, me peguei andando de um lado para o outro no estreito deck do lado fora das cabines, inquieto, o vento salgado fazendo pouco para esfriar o calor desconfortável que pesava sobre mim.

Eu não entendia por que estava me sentindo assim.

Casamento, filhos... eram coisas que eu queria com a Celeste, então por que a ideia gerava em mim a necessidade de tomar um remédio para enjoo?

Não que eu não quisesse mais filhos. Muito pelo contrário, eu queria uma família maior, uma casa cheia de risos. Mas...

Eu não conseguia entender por que a imagem da Celeste grávida de um filho meu parecia... errada. Estranha. Vazia.

Passei a mão pelo cabelo e soltei um palavrão frustrado.

Como algo que eu queria há tanto tempo de repente deixava um gosto tão amargo na minha boca?

Balancei a cabeça. Não precisava pensar nisso até voltar para LA. Até lá, eu tinha outras questões urgentes a tratar, como garantir que a Sera sobrevivesse a esta viagem.

Quando finalmente acalmei os meus pensamentos o suficiente para voltar para o quarto, caminhei em direção à cabine da Sera, ensaiando o que eu poderia dizer e qual desculpa daria pela demora.

Mas as palavras me escaparam quando a vi. Ela estava enrolada na cama, o remédio que a forcei a tomar a levando para o que parecia um sono inquieto.

A pele dela estava pálida e o cabelo úmido nas têmporas, mas seu peito subia e descia tranquilamente. Eu deveria ter saído imediatamente, afinal, finalmente ela estava dormindo e não precisava de mim por perto. Ainda assim, fiquei parado na porta, observando-a. Dez anos de casamento e eu nunca a tinha olhado assim de verdade. Antes, eu até cheguei a dar umas espiadas nela, mas estava cego na época, demasiadamente preso ao dever e extremamente consumido pela sensação de ter sido enganado.

A Celeste parecia ser o meu futuro e, quando fui obrigado a tomar a difícil decisão de me casar com a Sera, senti-me encurralado, castigado. Então, empurrei a Sera para as sombras da minha vida.

Voltando os meus pensamentos para o presente, sentei na beira da cama dela, tomando cuidado para não acordá-la, e comecei a pensar no que poderia ter sido.

'O Daniel vai adorar ser irmão mais velho, não acha?' E se o Daniel não fosse nosso único filho? E se eu tivesse dado a ela a família que merecia em vez de soterrá-la sob o silêncio e as paredes frias? O Daniel era minha cópia fiel. Se tivéssemos filhas, teriam os belos olhos da Sera? Seu queixo teimoso?

A dor no meu peito me surpreendeu e era tão aguda que precisei me levantar e recuar antes que me consumisse por completo.

Reflexões assim eram perigosas. Perigosas e inúteis, porque não tinha a menor chance de elas se tornarem reais, como eu garanti na noite em que olhei nos olhos da Sera e pedi o divórcio.

Agora, ela tinha a Lucian. Ele daria à ela a felicidade que eu nunca pude dar.

Ela não precisava de mim. Tudo que eu podia fazer era voltar para o meu próprio quarto.

Lá dentro, tirei a camisa e caí de costas sobre o colchão, olhando para o teto de mogno polido, cujos detalhes dourados refletiam a luz como constelações espalhadas pelo ambiente.

Embora fosse duas vezes maior, o quarto era quase igual ao da Sera, exceto por uma diferença: ela não estava ali comigo.

Soltei um gemido e fechei os olhos na esperança de conseguir dormir e empurrar todos esses pensamentos perigosos para os recantos mais escuros da minha mente.

Mas, então, o meu celular vibrou na mesa de cabeceira. Quando o peguei e vi de quem era a mensagem, foi preciso toda a minha força de vontade para não jogar o aparelho pelo quarto ou pela janela aberta, no fundo do mar.

Deslizei o dedo para abrir a mensagem e congelei.

A Celeste me enviou uma foto antiga, cuja legenda dizia: 'Estamos tão fofos nessa! Devíamos colocar na seção de família do nosso álbum de noivado, não acha?!"

Eu estava tão ocupado analisando a foto que nem pensei que estava concordando com um álbum de noivado. Era uma daquelas reuniões de anos atrás, antes da confusão na Caçada da Lua de Sangue, quando nossas famílias ainda eram muito próximas e eu acreditava que a Celeste pendurava as estrelas no céu.

Ela estava radiante no centro da imagem, claro. Desde que conheci a Celeste, ela sempre foi o centro das atenções, como o sol em torno do qual tudo orbitava.

Mas o meu olhar não ficou preso a ela.

No canto da imagem, quase fora de vista, estava a Sera. Meio virada, no meio de uma risada, capturada em movimento.

Apesar da leve semelhança, a Sera sempre foi o oposto da irmã, quieta e discreta. Era como se vivesse em seu próprio universo particular.

Ela sempre... me intrigou.

O Ethan era o meu melhor amigo e as nossas famílias constantemente tentavam me juntar com a Celeste. De fala mansa, a Sera sempre foi um enigma, ridicularizada ou ignorada.

E ainda assim…

Balancei a cabeça, focando na foto.

Sempre ali, sempre despercebida, exceto por mim.

E então...

Aquela noite.

O sonho a pintou vívida, mais vívida do que a própria memória.

Eu tinha vinte e um anos e estavam um pouco fora de controle por causa do vinho de moonberry. Estava procurando um quarto para descansar quando a vi no corredor.

Ela tinha sido encurralada por um idiota bêbado, um lobo Beta que reconheci vagamente e que estava participando da Caçada da Lua Sangrenta. Imagino que ele tenha pensando que a timidez dela significava que ela seria uma presa fácil.

"Ah, vamos lá," ele murmurava. "Pelo menos a sua irmã tem motivos pra se fazer de difícil. Você deveria agradecer por eu estar te dando atenção."

A raiva incendiou as minhas entranhas mesmo agora, no sonho.

Não hesitei. Minha bota conectou-se com as costelas dele, fazendo-o cair, choramingando, enquanto se afastava.

Quando me virei para ela, a Sera estava pressionada contra a parede com olhos arregalados e parecendo tanto surpresa quanto aliviada.

E, quando nossos olhares se encontraram, esqueci todos os motivos pelos quais ela não era a pessoa certa para mim. Dei um passo à frente. Perto demais. Minha mão tocou suavemente no rosto dela, testando, perguntando. Ela não se afastou.

Ela estava tão linda naquela noite, com o cabelo caindo sobre os ombros como seda dourada. O brilho da lua cheia projetava sombras etéreas no seu rosto, fazendo os seus olhos brilharem como vidro marítimo.

E, então, eu a beijei.

O sonho não se limitou, mas sim preencheu tudo o que eu tinha me forçado a enterrar.

O calor da boca dela, o tremor nos seus dedos enquanto segurava a minha camisa, a forma como a respiração dela falhou quando a pressionei contra a porta do quarto onde ela estava.

Entramos e as roupas foram abandonadas na velocidade da luz. O mundo se reduziu ao calor da pele dela contra a minha, aos sons suaves que ela fazia e à maneira como ela se curvava na minha direção como se esperasse por isso há muito tempo.

Fiquei com ela sob mim a noite toda. Não conseguia parar, ou não queria. Não fui cuidadoso, não fui contido. Fui cru, desesperado, faminto.

Cada barreira entre nós foi despedaçada com um beijo, um suspiro, um movimento ou uma vez que ela sussurrava o meu nome como um segredo sagrado demais para ser compartilhado.

Mesmo no sonho, eu sabia que ninguém jamais sentiu isso e ninguém nunca sentiria.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei