Mal terminou de falar, Jonas reparou que a expressão das três pessoas da família não estava nada boa.
— O que aconteceu? — perguntou ele.
— O que acha que aconteceu? Aquela mulher aprontou de novo — Yara não hesitou em falar, sem esconder nada de Jonas.
— Alice? — Na mente do recém-chegado, surgiu imediatamente a cena da mulher caminhando solitária e na escuridão. — Aconteceu alguma coisa entre vocês? Porque agorinha mesmo, eu a vi caminhando sozinha pela rua.
— O quê?! Ela foi embora?! — O rosto de Yara ficou ainda mais distorcido. — Que tipo de mãe ela é, abandonando o próprio filho doente e todos nós desta família? Como assim saiu de casa sem se despedir de ninguém?
Jorge também fechou a cara. Concordava que Alice fora longe demais dessa vez.
Porém, uma leve sensação incômoda de estar perdendo o controle apoderou-se da sua cabeça.
Aquela apreensão vinha crescido dentro dele desde o momento no carro, em que ouvira Alice atender ao telefonema de "alguém sem importância".
E agora, o ato de a mulher desaparecer sem prestar contas fez a ideia germinar ainda mais.
A antiga Alice não era assim; perante ele e a sua família, ela sempre foi cautelosa, ao ponto de se dizer que sua postura beirava o bajulador.
Mas o que estava acontecendo com ela nos últimos dias?
Será que estava jogando com ele para se fazer de difícil, como Jonas disse, ou o que seria?
Pela primeira vez, o marido começou a questionar se aquilo não passava mesmo de apenas "uma tática".
— Jonas! Que bom que você veio! — Camila, à semelhança de uma bela borboleta colorida, desceu correndo pelas escadas da mansão. Sem dúvida, se ela soubesse voar, teria se jogado diretamente nos braços de Jonas.
Ao ver toda a empolgação da garota, ele recuou uns dois passos por instinto, escondendo-se atrás de Henrique.
Jonas suava frio desde o fundo do coração diante do comportamento exagerado da irmã de Jorge.
Secretamente, seu pensamento fez uma crítica ao constatar que Alice e Camila eram da mesma idade. Como podiam ter a maturidade tão distinta? Alice era corajosa, resoluta e sabia até mesmo arrumar carro, enquanto a herdeira rica não passava de um bebê mimado!
Tão logo a ideia apareceu em sua cabeça, sentiu um susto. Subconscientemente, correu o olhar na direção de Jorge para sondá-lo, sentindo-se estranhamente culpado por pensar aquilo.
Teve que bloquear depressa suas opiniões indesejadas.
Yara era a única, em toda a família, ciente dos desejos da sua filha pelo homem. Assim que percebeu a face aborrecida no rapaz constrangido, agarrou sua filha com a expressão fechada: — Modere o tom! Acalme-se na frente do convidado!
Diante do olhar reprovador de ambos os pais sobre ela, Camila recolheu as intenções espalhafatosas, agachando a cabeça e se pondo obediente atrás da mãe, muito embora seu olhar em momento nenhum abandonasse a figura de Jonas.
— Fiquei sabendo que o Júlio adoeceu, portanto vim realizar uma breve visita à criança. — Jonas imediatamente apontou a verdadeira razão pela qual estaria visitando, temendo mais conjecturas a esse respeito pela parte da família.
Precisamente nesse momento, surgiu vindo das escadas Sabrina Saraiva, segurando uma bandeja com as tigelas e pratos vazios. Júlio havia comido toda a refeição.

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