POV/ ADRIAN
Cheguei em casa exausto. O cheiro de hospital parecia impregnado na minha pele. Assim que entrei, as gêmeas correram ao meu encontro, já de pijama.
— Papai! A Clara ligou? Onde ela está? — Ângela perguntou, com aquele biquinho de saudade.
Senti um aperto no peito. Peguei o celular e mostrei as fotos que a Isadora tinha mandado mais cedo. Elas riram vendo-a.
— Ela está viajando, pequenas. Precisava de um descanso das travessuras de vocês.
Depois que elas dormiram, eu me afundei na poltrona do escritório com um uísque. O celular vibrou. Isadora tinha enviado um vídeo. Era noite de quarta. O som de Jorge & Mateus ao fundo, "Nocaute".
A câmera estava focada no rosto da Clara. Ela cantava com a alma, e eu vi o exato momento em que uma lágrima escapou do olho dela e brilhou sob a luz das tochas. Ela estava sofrendo. E a culpa era toda minha.
Apertei o copo de uísque até meus dedos ficarem brancos. Eu queria atravessar aquela tela, secar aquela lágrima e dizer que eu daria o mundo para estar ali com ela, e não aqui, sustentando o teatro de uma mulher que eu desprezo.
A quarta-feira terminou assim: com o Imperador cercado de poder, mas morrendo de inveja de um vídeo de celular.
*************
Quinta e sexta passou em um borrão de jatinhos, reuniões regadas a café frio e o peso constante da Sarah ao meu lado. Para conseguir a vaga dela no protocolo experimental em Buenos Aires, tive que jogar o jogo mais sujo de todos: o do prestígio.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido