POV/ ADRIAN
Chegamos à cafeteria reservada, com ar-condicionado e cheiro de grãos torrados. Nos sentamos em um canto discreto. Clara pediu um croissant e um café, mas mal tocou na comida. Eu? Eu não conseguia sequer pensar em fome. Meus olhos estavam ávidos, devorando cada detalhe da mudança dela.
A Bahia tinha feito bem a ela. A pele estava levemente queimada do sol, um tom dourado que a deixava ainda mais radiante. O cabelo parecia mais longo, as mechas vermelhas desbotadas por causa do sol, mas os fios estavam emoldurando um rosto que parecia mais... livre. Ela não tinha olheiras. O semblante era suave, leve. Ver Clara assim, me dava uma pontada de felicidade misturada com uma agonia profunda por ser eu o motivo daquela leveza ter começado a sumir nos últimos minutos.
Eu soltei uma risada curta, sem perceber.
— Por que você está rindo? — ela perguntou, cruzando os braços, os olhos fixos em mim.
— Nada... é que você parece tão bem. Tão... bonita... só tão bem.... — confessei, a voz saindo mais suave do que eu pretendia.
Clara bateu com a mão de leve na mesa o som me trouxe de volta à realidade.
— Você está de sacanagem com a minha cara, Adrian? — O tom dela subiu, carregado de uma mágoa que me fez encolher por dentro. — Como eu posso estar bem? Você me beija daquele jeito, sua ex-mulher volta do mundo dos desaparecidos, você some, aparece em capas de revista em jantares de luxo com ela e com outras mulheres... e agora, quando eu tento respirar, você brota em Goiânia na minha frente?
Eu abri a boca para responder, mas as palavras se atropelaram na minha garganta. Eu, o homem que fecha contratos de bilhões, o cara bom de lábia, que conseguia sair de qualquer roubada, eu o Imperador que nunca gagueja diante de um inimigo, estava ali, mudo.
— Clara, eu... as fotos... não é o que parece. É complicado. Você não entenderia — eu disse, mas no instante em que as palavras saíram, o arrependimento me atingiu como um soco. Eu sabia que tinha dito a coisa errada.
Minha mão subiu ao rosto, esfregando o queixo com força, uma tentativa falha de conter o nervosismo que fazia meus dedos formigarem.
— "Eu não entenderia"? — ela repetiu, e o sorriso amargo que surgiu em seus lábios cortou o que restava do meu orgulho. — Então por que você não me explica? Por que não fala? Nós não somos adultos? Você não é o grande homem de negócios? Olha, Adrian, eu não entendo você. Você me deixa confusa, me deixa perdida! Uma hora eu sou a mulher que você beija, na outra eu sou a babá que você descarta por meio de uma mensagem da governanta!
Não pensei. Apenas avancei, segurando-a pelo braço com firmeza. Não para machucar, mas para garantir que ela não fugisse de mim novamente. Eu a arrastei sentindo meu corpo tenso como uma mola prestes a quebrar. Ainda bem que o restaurante estava quase vazio, se não, certamente chamariam a segurança para me conter.
— Onde você pensa que está me levando? Me solta, Adrian! — ela protestava, tropeçando enquanto eu a guiava com passos largos e decididos.
— Você quer a verdade, Clara? Você não disse que somos adultos e que eu deveria falar? Pois eu vou te contar a porra da verdade toda! Agora! — Minha voz saiu como um trovão que vibrava no meu peito.
— Tá! Então me solta! — ela gritou de volta.
Soltei o braço dela, mas não dei liberdade a ela. Segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos com uma força possessiva. Dirigi-me até a recepção do hotel do anexo, pedi a chave de uma suíte com um olhar que não aceitava negativas, e ela me seguiu, o silêncio entre nós agora carregado de uma eletricidade estática que fazia os pelos do meu braço se arrepiarem.
Entramos no elevador e eu apertei o botão do andar com uma força que quase esmagou o painel. No cubículo de metal, o ar era denso. Eu a mantinha prensada contra o espelho, respirando o cheiro de baunilha que emanava dela e que sempre agia como uma droga no meu sistema.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido