POV/ ADRIAN
Assim que chegamos e abri a porta da suíte, eu a empurrei para dentro e chutei a porta, fechando-a com um estrondo que ecoou pelo quarto luxuoso.
— Fala! O que você quer? — ela gritou novamente, os olhos dela faiscavam de raiva e mágoa. — Fala logo e me deixa ir embora!
Eu hesitei por um segundo, o meu peito subia e descia. Mas a coragem não vinha.
— Está vendo? Você é um covarde! — ela sentenciou, girando em direção à porta para sair.
Eu nem vi quando me movi. A puxei pela mão e a prensei contra o meu peito, envolvendo-a em um abraço esmagador.
— Não vai... Por favor, não vai — sussurrei contra o pescoço dela, sentindo meu controle esvair-se completamente. A empurrei e a prensei contra a parede, segurando seu rosto para obrigá-la a encontrar o meu olhar desesperado. — Não me abandona.
— Por quê? — ela balbuciou com a voz falhando.
— Porque eu preciso de você.
— Precisa? — ela soltou uma risada sem humor. — Você pode contratar outra babá, Adrian. O mercado está cheio delas.
— Não é isso, é que... — Tentei falar, mas as palavras pareciam presas. Se declarar para alguém não é fácil. Ainda mais para um homem que tentou nunca sentir nada. — Eu... eu gosto de você.
Ela riu.
Não, na verdade, ela gargalhou, um som cheio de descrença que me feriu mais do que qualquer insulto. Ela me empurrou com força, afastando-se para o lado.
— Do que você está rindo? Você acha que eu não gosto de você, Clara? — perguntei, deixando escapar uma risada amarga, sentindo o suor frio escorrer pelas minhas costas.
— Gosta? Adrian, por favor... Você só está acostumado a ter o controle de tudo. E agora que eu estou saindo da sua vida, seu ego não aguenta. Isso não é gostar!
Minha paciência, meu juízo e minha máscara evaporaram. A fúria e o medo de perdê-la explodiram em um movimento cego. Eu soquei a parede uma, duas, três vezes bem ao lado da cabeça dela. O baque surdo fez os quadros tremerem e alguns caírem no chão, estraçalhando o vidro. Clara se encolheu com o corpo tremendo violentamente contra a madeira, os olhos arregalados pelo susto.
Aproximei-me novamente, desta vez com movimentos lentos, e segurei o rosto dela com as duas mãos. Minha pele estava quente contra a dela, que estava fria. Obriguei-a a ver o desespero e a verdade nua nos meus olhos.
— Ela está com câncer, estágio quatro. Ela está morrendo, Clara. Eu não posso simplesmente dar um pé na bunda de uma mulher que vai virar cinzas em seis meses e deixar minhas filhas traumatizadas. Eu não sou esse tipo de monstro. Mas se você me perguntar o que eu quero... Eu quero você. Eu quero ficar com você. Só você. Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida quanto eu tenho disso agora.
Soltei o rosto dela e dei um passo atrás, sentindo o peso da minha confissão me deixar subitamente exausto. Clara continuava imóvel, me olhando como se eu fosse um estranho que acabou de desabar e se desintegrar na frente dela. O peito dela subia e descia rápido, as mãos agora caídas ao lado do corpo, ainda em choque.
— Agora, se você ainda quiser voltar para o Victor... — minha voz falhou, perdendo toda a autoridade do Imperador. Caminhei até a porta e a abri totalmente, entregando o destino nas mãos dela — ... a porta está aberta. Mas você vai levar a minha alma, o meu ar, junto com você.
Abri a porta e me virei de costas, apertando os olhos com força, sentindo o ar fugir dos meus pulmões como se eu estivesse sendo esmagado por uma prensa. O silêncio que se seguiu foi a tortura mais lenta da minha vida. Eu ouvi o barulho da porta encostando e soquei a palma da mão na parede, rugindo para o vazio:
Eu estava destruído. O peso de ser o Adrian, o Imperador, o pai, o amante... tudo desabou. Eu tinha medo de olhar para trás e confirmar o que meu coração já gritava: que eu estava sozinho naquele quarto de hotel.
— Eu sou um idiota! Um completo idiota! — gritei, a voz falhando, as mãos fechadas em punho. — Como eu pude achar que ela ficaria? Como eu pude ser tão imbecil?

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