POV/ CLARA
Quando ele parou na minha frente, com aquele olhar de predador, juro que senti a tensão que emanava daquele homem. Que músculos, que gostoso... se tivesse perdido a virgindade com ele, não teria sido, de fato, tão ruim.
— Levanta-se daí. Agora — ele rosnou baixo, interrompendo meus desvaneios.
— Não — eu disse, deitando-me na cama com um desdém calculado. — Eu vou ficar com ele. Ele me quer. Você já tem a sua loira lá fora, não tem?
O Imperador avançou com a aura de perigo emanando dele como uma fumaça tão densa que o gringo apenas afastou-se e saiu do quarto.
Covarde.
— Não me faça perder a paciência, Mel.
— Perder a paciência? — Gritei, ficando de pé em um salto. — Agora você tem paciência para falar comigo? Eu sumi por semanas, eu quase morri, e você não me mandou uma maldita mensagem! Você só quer me usar? Ótimo! Eu não me importo de ser usada por você, por ele ou por qualquer um!
O Imperador deu a volta na cama e parou ao meu lado, olhando-me de cima para baixo. Eu me sentei na beirada da cama e sorri provocante, cruzando os braços presunçosamente.
— Está me achando bonita? Agora vai se ferrar. — tentei me levantar, mas ele me empurrou novamente na cama. Se abaixo ficando quase na minha altura e colocou as mãos ao me redor, mas sem me tocar.
— Não me provoca! — disse e agarrou meu braço com uma força que quase me ergueu do chão e me arrastou para fora, passando pelo quarto e pela sala, levando-me para o corredor em direção ao andar de baixo.
— Me solta! — eu lutava, batendo no ombro e nos braços dele. — Eu sou uma pessoa, ouviu? Tenho meus direitos. Eu faço o que eu quiser e com quem eu quiser!
— Estou apenas te impedindo de fazer uma besteira! — ele rugiu.
— Besteira? Não seja hipócrita! Todo mundo faz o que quer comigo porque eu não sou ninguém!
— CALA A BOCA! — ele rugiu de volta, parou e me prensou contra a parede do corredor deserto com tanta força que o ar fugiu dos meus pulmões.
— O que vai fazer? Vai me carregar nas costas igual daquela vez? Vai me beijar e fingir que se importa? Vai me pedir para gozar na sua boca e depois sumir como um covarde? — Lágrimas quentes e amargas saltaram dos meus olhos. — Eu odeio você. Pensei que se importasse, mas tudo é mentira. Você, o Adrian... todos os homens são iguais!
— Você precisa se acalmar!
— Não me diga o que fazer. Você não manda em mim! — O empurrei com força, com as duas mãos em seu peito.
— QUE INFERNO, CLARA MENEZES! VOCÊ NÃO TEM NOÇÃO DO QUE ESTÁ FAZENDO! — Ele levou as duas mãos à cabeça, passando-as pelos cabelos em um gesto de desespero.
— Como... como você sabe meu nome? — Minha voz tremeu, tornando-se um sussurro de horror. — Eu nunca te disse meu nome completo.
Claro, ele poderia saber, afinal ele era o Imperador. Mas meu sobrenome? Quem contou para ele? Eleonora? Ou algum amigo em comum?
— Você conhece o Adrian? Adrian Cavallieri?
— Clara, por favor, não é nada disso que você está pensando.
— Você não faz ideia do que eu estou pensando! Você o conhece?
— Sim — ele se aproximou de mim alguns passos. — Eu vou te explicar tudo. — Ele pousou as mãos nos meus ombros.
— Que grande merda — solucei, as lágrimas borrando minha visão. — Eu sou uma idiota mesmo. Todo mundo me conhece, mas eu não conheço ninguém.— Mordi os lábios em desprezo e raiva visceral.
Até aquele momento, eu me recusava a dar nome ao que sentia. Eu chamava de desejo, de curiosidade, de carência. Lembrei-me de Bella Swan, em Crepúsculo, dividida entre o calor e o frio, entre dois mundos. Eu costumava julgá-la, achava impossível, uma invenção barata de ficção. Mas agora a verdade me atingia e não era como um soco no estômago; era como se estivessem serrados meu peito ao meio.
Adrian era o carinho, a proteção. O Imperador era a urgência, a impulsividade e o desejo; como meu corpo o desejava! A verdade ácida queimava minha garganta: o mundo dos bilionários é um aquário pequeno e luxuoso. Como eu fui tão cega?
Eu não era a "escolhida" de nenhum deles. Eu era o brinquedo compartilhado. Encontrei Eleonora perto da porta.
— ME DEMITO! — gritei, minha voz quebrando. — EU NUNCA MAIS VOLTO PARA ESSE INFERNO!
Encontrei Eleonora perto da saída, meu rosto uma ruína de maquiagem e dor.
— ME DEMITO! — gritei entre soluços, sem parar de correr. — EU NUNCA MAIS VOLTO AQUI!
Isadora veio atrás de mim quando me viu passar gritou meu nome, mas eu só queria fugir. Corri até a rua, o ar gelado de Porto Alegre cortando meu rosto, mas não tanto quanto a decepção no meu peito. Isadora me alcançou e entramos em um táxi. Afundei meu rosto no pescoço dela, buscando um abrigo que não existia mais. Paramos perto da Orla do Guaíba e nos sentamos ali, no chão, com as luzes da ponte refletindo na água escura e profunda.
— Ele machucou você, não foi? — Isadora perguntou, me abraçando enquanto eu desabava.
— Os homens que pensei que poderia amar... é tudo mentira, Isa. Tudo mentira. — Minhas lágrimas se misturavam ao vento. — Eu quero ir embora. Vamos embora, recomeçar em outro lugar. Por favor.
Isadora mordeu os lábios, preocupada, e limpou meu rosto com os dedos trêmulos.
— Vamos fazer o que você quiser, está bem? Eu estou com você.
Os dias que se seguiram foram cinzentos e frios, apesar do sol que insistia em brilhar lá fora. Eu já tinha tomado minha decisão: ia embora com Isadora. Não dava mais para ficar ali; eu precisava de um solo onde não houvesse sombras de "Imperadores" ou "Adrians.
FIM/ POV CLARA

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