Entrar Via

O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 126

POV/ CLARA

— Tem certeza disso, Clara? — Isadora perguntou enquanto fechava a última mala no nosso apartamento. — A gente pode só sumir daqui agora.

— Eu preciso me despedir delas, Isa. Elas são a única parte real e pura disso tudo.

Fomos até a escola de elite por volta das 12h. O ar estava saturado com o cheiro de giz, asfalto quente e o perfume doce das lancheiras. O primeiro dia de aula era um caos vibrante de mochilas coloridas e risadas agudas que cortavam o céu azul de Porto Alegre. Avistei as duas de longe, com os uniformes impecáveis, e meu coração deu um solavanco tão forte que minhas costelas protestaram. Elas vieram correndo, dois pequenos furacões.

— Clara! Você voltou! — Geovana gritou, enterrando o rosto na minha cintura. O nó na minha garganta era uma corda apertada, me impedindo de respirar.

— Eu estava com tanta saudade! — Ângela exclamou, apertando meu braço como se testasse se eu era real.

Abracei as duas com uma força desesperada, fechando os olhos e sugando o cheirinho de shampoo de maçã e inocência.

Caminhamos devagar até uma árvore próxima, enquanto a porta da escola ainda despejava aquele burburinho típico de saída. Sentamo-nos ali e conversamos um pouco. Elas falavam ao mesmo tempo, uma confusão adorável sobre a professora nova, o lanche e um trabalho de artes que teriam que entregar. Também me contaram sobre o pai e sobre a mãe, que quase morreu.

Disseram que estava com saudades, disseram que a mãe da Adelaide estava melhor, disseram que sentiram minha falta na hora de comprar os materiais escolares. E que o Pai mais a mãe delas compraram da Cinderela para Ângela e da Branca de Neve para Geovana. E estava errado porque Angela queria da Bela e a fera e a Angela queria da pequena sereia.

Eu ri dos problemas delas. Irônico. Mas tão fofas. Q fiquei de joelhos e as beijei e as abracei num gesto impossível.

Eu que nem gostava de crianças agora estava ali achando que não sobreviveria a distância e morreria de saudades.

Eu ouvia tudo e sorria, fazia perguntas como eu estava com saudades dos meus amorezinhos.

O motorista esperava um pouco afastado, observando o movimento da calçada onde pais esperavam e o vendedor de picolé gritava seus preços no trânsito lento de Porto Alegre.

Eu estava prestes a me levantar quando o ar pareceu congelar. Sabe aquele instinto animal? Aquele arrepio gélido que sobe pela espinha antes do desastre, como se o corpo soubesse que a morte está por perto?

Chegou a hora. Eu precisava ir antes que as lágrimas me traíssem de vez. Caminhamos até o carro e eu me abaixei para ficar da altura delas, segurando suas mãozinhas.

— A gente vai se ver de novo! Eu prometo — sussurrei, dando um beijo na testa de cada uma.

O barulho das crianças ao redor sumiu, engolido pelo som lúgubre de pneus fritando no asfalto.

— Agora entrem no carro, meninas! Agora! — minha voz saiu bastante aflita.

Ângela revirou os olhos com aquele jeito de pré-adolescente, e Geovana riu. Eu me virei para abrir a porta do carro.

Um ronco agressivo de motor. Uma freada violenta que fez o asfalto chiar.

Meus olhos se estreitaram por reflexo. Um carro preto atravessou a via, fechando o trânsito como uma barreira de aço. Outro veio logo atrás.

As portas se abriram antes mesmo dos pneus pararem de girar. Homens armados e encapuzados saltaram.

— NO CHÃO! TODO MUNDO NO CHÃO! — o grito rasgou o ar.

Outro homem atirou para cima uma, duas, três, e tudo virou uma euforia.

Gritos. Correria desenfreada. Mochilas sendo abandonadas no chão. Vi um homem tropeçar e cair, uma mulher gritando o nome da filha com um desespero que me atravessou. O portão da escola virou um funil de terror. “Parecia aquelas cenas de filmes de invasão zumbi. Todo mundo correndo para sobreviver.

Cap. 127-

Meu coração estava disparado, batendo contra as costelas como um animal encurralado. Eu não pensei. Empurrei Ângela para dentro do carro e quando ouvi um tiro me ajoelhei no mesmo segundo, puxando Geovana para baixo e cobrindo a cabeça dela com o meu próprio corpo.

— Fica abaixada! Não olha! — sussurrei, sentindo minha voz falhar.

Outro tiro. Depois outro. O barulho vibrava dentro do meu peito, fazendo meus dentes baterem. Geovana tremia inteira sob mim.

CAP. 126, 127 -  A garota que só atrai sequestros 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido