POV/ CLARA
Meus pés rasparam no chão áspero do corredor, e a última coisa que ouvi antes da porta bater foi o grito desesperado das gêmeas chamando pelo meu nome. Fui arrastada para uma sala que cheirava a água sujo, algo podre e morte iminente.
No centro, um tanque de vidro, como um grande aquário sinistro, brilhava sob luzes cruas e insuportavelmente fortes.
— Vamos ver se você aguenta — Azazel rosnou, fazendo um sinal para um dos homens que segurava um celular, posicionando a câmera. — Sorria. O Cavallieri precisa ver como você está se refrescando.
Eles me jogaram lá dentro e o tamparam. O som do vidro batendo contra minhas costas ecoou como um veredito. O nível da água subiu rápido, gelada, subindo pelas minhas canelas, coxas, cintura... até que o mundo se tornou apenas o azul turvo e o silêncio sufocante. Bati inutilmente contra o vidro. Como psicóloga, minha mente tentava analisar o que ocorria: o córtex pré-frontal gritando para eu manter a calma, enquanto o sistema límbico assumia o controle em um pânico primitivo. O reflexo de mergulho dos mamíferos estava falhando.
Prendi o fôlego até meus pulmões arderem, as veias do meu pescoço latejando como se fossem estourar. O pânico da asfixia é como se um animal que te devorasse por dentro. Quando eu estava prestes a apagar, no limite onde o mundo começa a ficar cinza, eles abaixaram o nível da água.
Eu caí no fundo do tanque, expelindo água pelo nariz e pela boca, lutando por um ar que parecia insuficiente.
— Um minuto de intervalo — Azazel dizia, rindo. — Não queremos que ela morra antes do show principal.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido