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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 134

Pov/ Clara

Acordei com uma pressão enorme no peito, como se o ar tivesse sido substituído por chumbo. Tentei inspirar, mas o oxigênio vinha em goles curtos, arranhando minha garganta seca. O gosto metálico de sangue se misturava ao resíduo amargo do clorofórmio, provocando uma náusea tão violenta que precisei virar o rosto depressa, sentindo o suor frio escorrer pelas têmporas.

Abri os olhos devagar. Minha visão estava embaçada e um zumbido insuportável martelava meu cérebro. Levei a mão à cabeça e senti algo morno e pegajoso. Sangue.

Olhei ao redor. O teto de concreto rachado parecia descer sobre mim como uma prensa implacável. Manchas escuras de umidade escorriam pelas paredes como veias podres, formando sombras tortas sob o piscar histérico de uma lâmpada fraca. O cheiro era insuportável: mofo, água parada e ferrugem.

As lembranças do cativeiro da infância — o pavor, o cheiro de porão, a solidão que eu tentei enterrar por anos — voltaram de uma vez, me soterrando. Era a mesma sensação de ser um animal enjaulado aguardando o abate.

Que merda. Uma lágrima escapou, traçando um caminho quente pelo meu rosto sujo. Foi então que vi dois rostinhos manchados de fuligem pairando sobre mim.

— Clara! — Elas me sacudiam, as vozes distantes por causa do zunido nos meus ouvidos.

Eu continuava atônita. Eu as via, mas meu corpo parecia não me pertencer; estava dormente, desconectado.

— Clara, acorda! Por favor, acorda! — As lágrimas delas pingaram na minha pele e, como um estalo, minha consciência voltou por inteiro.

Me sentei assustada e as puxei para um abraço desesperado.

— Como vocês estão? — Perguntei, as mãos tateando os cabelos delas, procurando qualquer ferimento. Quanto mais eu as apertava, mais elas choravam. Ficamos ali, um emaranhado de soluços e medo.

— Clara! — Geovana cravou as unhas na minha camisa, escondendo o rosto na minha barriga. — Ele disse... ele disse que ia machucar a gente se você não acordasse!

— Eu estou aqui. Olhem para mim. — Forcei minha voz a sair firme, embora meu interior estivesse em frangalhos. — Eu prometo, por tudo que é mais sagrado, que nada vai acontecer com vocês. Nada.

Tentei acalmá-las, ensinando-as a respirar no meu ritmo. Inspirar e soltar. Aos poucos, o desespero deu lugar a soluços pequenos e frágeis.

Ele deu outro passo, e o cheiro de tabaco e maldade me atingiu.

— Exatamente... — ele sorriu, mas o brilho nos seus olhos era o de um predador avaliando o ponto de incisão. — E crianças são excelentes motivadoras. O som do pavor delas é o que vai fazer o seu Adrian assinar qualquer coisa.

— Elas são inocentes. Se quiser fazer algo, vai ter que passar por mim.

— Já temos meio caminho andado. Gosto de jogos e torturas, e crianças não são os meus alvos favoritos. Se você cooperar... eu não toco nelas.

Antes que eu pudesse processar a ameaça, ele avançou. Empurrei as meninas para trás e dei um passo à frente para encontrá-lo, tentando ganhar cada centímetro de distância entre ele e elas. A mão dele se fechou nos meus cabelos com uma força brutal. Senti o couro cabeludo parecer se descolar do crânio. Um grito escapou de mim enquanto ele me arrastava violentamente para fora do quarto.

— Está tudo bem, meninas! Está tudo bem! Eu já volto! — gritei tentando segurar as lágrimas que corriam livremente pelos meus olhos.

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