Pov/ Clara
Acordei com uma pressão enorme no peito, como se o ar tivesse sido substituído por chumbo. Tentei inspirar, mas o oxigênio vinha em goles curtos, arranhando minha garganta seca. O gosto metálico de sangue se misturava ao resíduo amargo do clorofórmio, provocando uma náusea tão violenta que precisei virar o rosto depressa, sentindo o suor frio escorrer pelas têmporas.
Abri os olhos devagar. Minha visão estava embaçada e um zumbido insuportável martelava meu cérebro. Levei a mão à cabeça e senti algo morno e pegajoso. Sangue.
Olhei ao redor. O teto de concreto rachado parecia descer sobre mim como uma prensa implacável. Manchas escuras de umidade escorriam pelas paredes como veias podres, formando sombras tortas sob o piscar histérico de uma lâmpada fraca. O cheiro era insuportável: mofo, água parada e ferrugem.
As lembranças do cativeiro da infância — o pavor, o cheiro de porão, a solidão que eu tentei enterrar por anos — voltaram de uma vez, me soterrando. Era a mesma sensação de ser um animal enjaulado aguardando o abate.
Que merda. Uma lágrima escapou, traçando um caminho quente pelo meu rosto sujo. Foi então que vi dois rostinhos manchados de fuligem pairando sobre mim.
— Clara! — Elas me sacudiam, as vozes distantes por causa do zunido nos meus ouvidos.
Eu continuava atônita. Eu as via, mas meu corpo parecia não me pertencer; estava dormente, desconectado.
— Clara, acorda! Por favor, acorda! — As lágrimas delas pingaram na minha pele e, como um estalo, minha consciência voltou por inteiro.
Me sentei assustada e as puxei para um abraço desesperado.
— Como vocês estão? — Perguntei, as mãos tateando os cabelos delas, procurando qualquer ferimento. Quanto mais eu as apertava, mais elas choravam. Ficamos ali, um emaranhado de soluços e medo.
— Clara! — Geovana cravou as unhas na minha camisa, escondendo o rosto na minha barriga. — Ele disse... ele disse que ia machucar a gente se você não acordasse!
— Eu estou aqui. Olhem para mim. — Forcei minha voz a sair firme, embora meu interior estivesse em frangalhos. — Eu prometo, por tudo que é mais sagrado, que nada vai acontecer com vocês. Nada.
Tentei acalmá-las, ensinando-as a respirar no meu ritmo. Inspirar e soltar. Aos poucos, o desespero deu lugar a soluços pequenos e frágeis.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
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