POV/ CLARA
Eles me jogaram de volta na cela como se eu fosse um fardo de carne inútil. O baque do meu corpo contra o chão frio de cimento ecoou no silêncio do galpão. As meninas se jogaram sobre mim em um segundo, gritando, apavoradas com o meu estado. Eu estava encharcada, tremendo violentamente por causa dos choques, e minha pele tinha aquele aspecto pálido e viscoso de quem quase se entregou à morte.
— Clara! O que ele fez? Por que você está assim? — Ângela soluçava, tentando secar meu rosto com a manga do vestidinho azul, que já estava sujo de graxa e lágrimas.
Engoli a bile e a dor lancinante que subia pela minha coluna. Forcei um sorriso que deve ter parecido uma careta de agonia pura.
— Ei... calma... — minha voz era um fio, arranhada pela água que ainda parecia queimar na minha garganta. — A gente... a gente estava brincando. Sabe aquela brincadeira de quem aguenta mais tempo embaixo d'água? Eu sou muito competitiva, pequenas. A brincadeira foi intensa, por isso eu tô assim... cansada. Mas eu ganhei deles. Eu sempre ganho.
Elas me olharam com os olhos redondos, mas não disseram nada e isso foi bom meus pulmões ainda ardiam eu não conseguia falar e respirar ao mesmo tempo. Logo depois, um dos homens entrou e jogou um pão seco e uma garrafa de água no chão. Para crianças que cresceram em uma mansão com banquetes, aquilo era lixo, mas para o desespero delas, era a única salvação.
Meus dedos, ainda dormentes pelos choques, empurraram o pão para elas.
— Comam tudo. Eu já comi lá fora — menti, sentindo o gosto de sangue na boca enquanto as observava devorar cada migalha.
— Pro patrão — ele respondeu seco. — O tal do Adrian. Eles vão negociar o resgate agora. Vou sair com o Azazel para o ponto de encontro e voltamos mais tarde para dar um fim nisso.
Ele se virou e saiu, batendo a porta de ferro atrás de si.
Eu sabia que eles iam negociar. O monstro tinha deixado claro que as meninas eram a primeira moeda de troca. Agora, provavelmente só tinham ficado os guardas de baixo escalão eu havia contado 8 homens, e comecei a torcer para ter ficado aqueles que bebem para esquecer o tédio de vigiar um porão caindo aos pedaços.
Enquanto me torturavam no tanque, meus olhos não pararam. Eu contei os passos do corredor, a textura das paredes de terra úmida, a direção de onde vinha a corrente de ar que cheirava a esgoto e diesel. Eu gravei cada detalhe como um mapa de sobrevivência. Eu precisava tirar a gente dali.

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