POV/ CLARA
Ajoelhei ao lado do colchão velho, meu corpo plus size protestando contra o esforço. Meus joelhos estalaram e a dor dos choques ainda reverberava nos meus músculos, tornando cada movimento pesado, lento, como se eu estivesse submersa em lama. Os choques faziam meus músculos darem pequenos pulos, sozinhos. Eu precisava de algo de metal.
Avancei no colchão com os dentes. Rasguei o tecido podre, sentindo o gosto de poeira e mofo na boca, até encontrar o que eu queria: uma mola de ferro. Meus dedos agarraram a mola. Enfiei a mão no buraco e puxei com toda a força que me restava. Minhas mãos, já estava quase em carne viva, latejavam. Eu puxava e a mola resistia, mas o desespero era maior. Quando finalmente a mola saltou, o metal cortou a palma da minha mão, mas eu nem liguei para o sangue.
— Fiquem quietinhas... — sussurrei para Ângela e Geovana. — Segurem na minha blusa e não soltem por nada, tá bom?
O suor escorria pelos meus olhos e ardia. Eu sou uma mulher desesperada. Fui até a porta. Não era uma fechadura normal; era uma tranca velha com uma tábua de madeira atravessada por fora, presa por um suporte frouxo. Enfiei a mola por baixo da fechadura, tentando alcançar a tábua. Minha mão raspou na madeira e entrou uma farpa gigante embaixo da minha unha. Soltei um ar pesado, sentindo a pontada de dor subir pelo braço, mas continuei.
Usei a mola como uma alavanca. Girei e forcei com o ombro, o mecanismo resistiu por um tempo, mas ouvi o barulho da madeira rangendo pareceu um grito no silêncio do porão. Click. A tábua cedeu e caiu do outro lado com um baque seco. A porta abriu.
O corredor era um túnel de pesadelo, iluminado por lâmpadas amareladas que zumbiam como insetos moribundos. O cheiro era insuportável: uma mistura de urina, terra mofada, óleo de máquina e aquele diesel que eu tinha sentido antes. Eu não sabia exatamente para que lado ir, mas lembrava da escada de ferro que vi no escuro.
— Agora. Quietinhas. Vou tirar vocês daqui. — murmurei, sentindo as mãozinhas delas apertarem o tecido da minha blusa enquanto dávamos o primeiro passo para fora da cela.
Segurei a mão de Geovana, que segurava a de Ângela. Começamos a andar. Meus pés descalços sentiam a umidade pegajosa do chão ; minha respiração estava curta, pesada, e eu tentava abafá-la para não alertar os guardas que riam em algum lugar. Andei pelo caminho que havia visto.
Encontramos uma entrada no túnel. Era baixo, estreito, uma garganta de concreto e tijolos aparentes que parecia querer nos engolir. Tive que me espremer, sentindo as paredes ásperas arranharem meus braços e ombros. O espaço era tão reduzido que o calor dos nossos corpos tornava o ar rarefeito, saturado com o cheiro de poeira antiga.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido