POV/ CLARA
O grito rasgou a noite como uma lâmina. Lanternas cortaram a escuridão, feixes de luz branca chicoteando o matagal e criando sombras monstruosas entre as árvores. O som de botas pesadas esmagando a vegetação seca vinha rápido, cada vez mais perto.
— Mais rápido, meninas! Não olhem para trás!
Ângela tropeçou em um vergalhão escondido no mato. O grito dela foi sufocado pelo meu próprio desespero. Eu a peguei no colo, sentindo o peso estourar minhas costas e o calor do corpo dela contra o meu peito suado. Corri alguns metros assim, até sentir que meu coração ia explodir, antes de colocá-la no chão de novo.
— Ali!! — Avistei as luzes de neon ao longe, um farol de esperança borrado contra o asfalto escuro da rodovia.
Eu estava no limite absoluto. Minha visão começou a ficar turva, as luzes do posto virando manchas coloridas enquanto o suor cegava meus olhos. Meus pés doíam e cada junta do meu corpo ardia.
Tentamos nos esconder atrás de um tronco caído, mas o destino foi mais rápido. Senti uma mão bruta, áspera e gélida se fechar em torno do meu cabelo. O puxão foi seco e violento, me erguendo do chão pelo couro cabeludo. Gritei de dor, retorcendo o corpo e cravando as unhas na pele dele até sentir o sangue escorrer entre meus dedos.
As meninas não hesitaram. Geovana começou a chutar as canelas dele com uma fúria selvagem, enquanto Ângela cravou os dentes no braço do homem. A dor o distraiu por um milésimo de segundo, o suficiente para ele me soltar. Caí de cara no barro. O impacto roubou o pouco oxigênio que restava nos meus pulmões; o gosto de terra e sangue invadiu minha boca, amargo e sufocante.
— Corram! — apontei para a escuridão enquanto tentava me levantar, as mãos escorregando na lama.
Mas ele não tinha terminado. Senti seus dedos se fecharem no meu calcanhar, me arrastando de volta. Ele se jogou por cima de mim, usando todo o seu peso para me prender contra o chão lodoso. Antes que eu pudesse gritar, suas mãos apertaram meu pescoço.
Por um segundo, o mundo ficou de cabeça para baixo. O silêncio da asfixia me dominou, as bordas da minha visão escurecendo enquanto eu lutava por um fio de ar. Ele tentou me arrastar para longe da estrada, mas o pânico virou uma força que eu não sabia que possuía. Me debati freneticamente, chutando com a força de quem prefere morrer a ser levada de volta para aquele buraco.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido