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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 141

POV/ ADRIAN

O relógio na parede marcava sessenta horas. Sessenta horas de um silêncio que pesava como uma lápide.

Eu estava sentado na minha cadeira, com a testa encostada no tampo da mesa de madeira. O cheiro de café frio e amargo que vinha da xícara esquecida ao meu lado me dava náuseas. Eu não sentia mais meu corpo; era apenas um vulto de dor, culpa e exaustão. Meus olhos ardiam tanto que eu não conseguia mais fechá-los, mas também não queria ver a luz.

De repente, a porta do escritório foi escancarada. O barulho fez meu coração dar um solavanco violento, batendo contra as costelas como se quisesse escapar.

— Adrian! — O grito de Mathew me fez congelar.

Eu não levantei a cabeça de imediato. O medo me paralisou. Pensei: É agora. Ele vai dizer que encontraram os corpos. Ele vai dizer que eu perdi tudo.

— Não... — sussurrei para o tampo da mesa, as lágrimas secas queimando meu rosto. — Não diz. Por favor, Mathew, não diz.

— Adrian, olha para mim! Elas apareceram! Estão vivas!

Eu levei alguns segundos para processar. Minha mente, quebrada pelo cansaço, não conseguia entender a palavra "vivas". Levantei-me devagar, cambaleando, com a visão turva.

— Uma família as encontrou na beira da estrada. Agora elas estão em uma farmácia. O dono reconheceu as meninas por causa das fotos de um jornal. Elas estão lá, Adrian. Elas estão bem!

Eu não respondi. Não havia palavras. Corri. Meus pés pareciam não tocar o chão enquanto eu atravessava o corredor e me jogava dentro do carro. Mathew acelerou como se estivéssemos fugindo da própria morte, mas para mim, cada segundo era uma eternidade de agonia.

Quando o carro freou bruscamente na frente de uma farmácia iluminada por luzes brancas e frias, eu saí antes mesmo dele parar totalmente.

Entrei derrubando o que estivesse na frente. E lá, sentadas em um banco de plástico, abraçadas uma à outra e envoltas em mantas térmicas, estavam elas.

— PAPAI!

O grito uníssono de Ângela e Geovana rasgou o resto de alma que eu ainda tinha. Eu caí de joelhos no chão de cerâmica da farmácia. Não consegui chegar até elas de pé; minhas pernas simplesmente desistiram. Elas correram e se jogaram contra o meu peito, um impacto que doeu e curou ao mesmo tempo.

— Cadê a Clara, pequenas? — perguntei, minha voz falhando enquanto eu limpava, com o polegar, as lágrimas do rosto de Ângela.

— Ela ficou, papai... — Geovana começou a chorar de novo, soluçando contra o meu peito. — Ela voltou para a floresta. Ela mandou a gente correr e não olhar para trás. Ela disse que a gente precisava de ajuda e que ela ia distrair os homens maus.

O ar sumiu dos meus pulmões. O alívio de ter minhas filhas nos braços foi instantaneamente sufocado por uma culpa esmagadora. Ela tinha se sacrificado para ajudar minhas filhas a fugir.

Olhei para a escuridão da noite a que margeava a rodovia. O Imperador dentro de mim, aquele que sempre tinha uma resposta e um plano, estava paralisado. Clara estava lá fora, sozinha, enfrentando o que eu deveria ter enfrentado. E eu jurarei por tudo o que é mais sagrado que, se eles tivessem a machucado eu ia fazer sopa de carnes e ossos.

Eu as abracei de novo, agora mais calmo, mas carregado de uma promessa silenciosa. Eu tinha minhas filhas de volta. Agora, eu moveria o céu e a terra para buscar a mulher que as salvou.

Olhei o mapa onde o dono farmácia disse que o casal tinha as encontrados e vi que havia um galpão abandonado.

Me espere Clara irei atrás de você.

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