POV/ ADRIAN
As horas seguintes foram o equilíbrio entre o céu e o inferno. Eu levei minhas filhas para casa, segurando-as como se o mundo fosse acabar se eu as soltasse. Adelaide já estava lá, com o rosto banhado em lágrimas, e me ajudou a cuidar delas.
Eu não deixei que ninguém mais as tocasse. Eu mesmo as levei para o banheiro. Preparei a banheira com água morna, o vapor subindo e embaçando os espelhos. Com as mãos ainda trêmulas, mas carregadas de uma paciência que eu não sabia que tinha, dei banho em cada uma. Lavei o barro de seus cabelos, limpei os arranhões com cuidado, sentindo cada soluçozinho que elas ainda soltavam. Depois, sentei-me com elas no tapete felpudo e desembaracei seus cabelos com o pente, mecha por mecha, como se estivesse manuseando a seda mais cara do mundo.
Nós jantamos ali mesmo, no chão do quarto, uma sopa quente que elas tomaram devagar. O silêncio da mansão agora era preenchido pelo som da mastigação delas, o que era música para os meus ouvidos.
Na hora de dormir, a cama king size parecia pequena para o tamanho do meu medo. Adelaide se deitou ao lado da Ângela, na ponta, e eu me enfiei no meio das duas. Geovana se aninhou no meu braço esquerdo, e Ângela agarrou meu braço direito.
Eu estava começando a cochilar, sentindo o peso do cansaço de mais de 60 horas. As 02h da manhã meu o celular vibrou no criado-mudo. O visor brilhava com um número desconhecido. Meu coração deu um solavanco, uma pontada aguda no peito que me fez perder o ar.
Saí da cama com uma lentidão cirúrgica, centímetro por centímetro, para não acordar as pequenas. Adelaide me olhou, os olhos alertas na penumbra. Fiz um sinal para ela ficar em silêncio e saí para a varanda, fechando a porta de vidro atrás de mim.
Atendi. Antes que eu pudesse dizer "alô", o som atravessou minha alma: um grito. O grito da Clara. Um som de dor pura, gutural, seguido pelo barulho de água borbulhando.
Minha mão apertou o celular com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. Uma dor lancinante apertou meu peito, um nó na garganta que me impedia de gritar de volta.
— Escutou bem, Adrian? — A voz de Azazel veio em seguida, cínica, acompanhada pelo som de um charuto sendo tragado. — O contrato está assinado. O império é meu. Mas eu decidi que o acordo precisa de um ajuste.
— O acordo está de pé, seu desgraçado! — rosnei, a voz saindo como um trovão baixo, contido para não acordar minhas filhas, mas carregado de morte. — As meninas estão em casa. Eu assinei tudo. O que você quer agora?
— Eu quero ver o Imperador de joelhos. Eu tenho o papel, mas agora eu quero o prazer. A babá é... interessante. Acho que vou ficar com ela um pouco mais. Ou talvez eu a devolva em pedaços.
— Se você tocar nela... — Minha visão ficou vermelha. O suor frio escorria pelo meu pescoço.
— Você quer essa vadia? Então vem buscar!
— Eu vou — mal esperei ele terminar de falar — Eu vou te entregar a chave de cada servidor, de cada cofre, mas eu a quero viva.
— Você está em posição de exigir nada, Adrian.
— Mathew, a partir de agora, você é o Diretor Geral de tudo. Se eu não voltar... cuide das minhas filhas. Garanta que elas nunca sintam falta de nada e que cresçam longe dessa sombra.
— Você não pode falar uma porra dessa e simplesmente virar as costas! — ele gritou, a voz falhando de raiva e preocupação. — Você é o Imperador! Porra!
— O Imperador está morto, Mathew. Sobrou apenas um homem desesperado. — Caminhei até a janela, olhando para o horizonte que começava a clarear — Você me pergunta como eu posso ir? Eu te pergunto: como eu poderia ficar? Como eu viveria em um mundo onde ela não existe?
Virei-me para ele, e a intensidade no meu olhar o fez recuar um passo.
— Depois das minhas filhas, a Clara é a minha única razão de respirar. Ela é o meu oxigênio. Eu não me importo com os metais caros do Congo, com as ações na bolsa ou com essa montanha de dinheiro. Eu trocaria cada um dos meus 500 bilhões agora mesmo pela segurança dela. Toda essa porra não vale um fio de cabelo daquela mulher.
Apertei o coldre no meu peito o ajustando por cima da camisa que estava usando para esconder o colete a prova de balas.
— Eu sangraria por ela, Mathew. Eu morreria por ela mil vezes se fosse necessário. Mas o que eu não consigo, de jeito nenhum, é continuar vivo sabendo que ela está sofrendo por minha causa. Se ela for tirada de mim, não sobrará nada para você salvar aqui.
Sem esperar resposta, passei por ele. Eu não precisava de lógica. Eu precisava dela

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