POV CLARA:
**** Momentos antes do Adrian ir Salva- lá __ E após ela ter ajudado as as meninas fugirem e ter sido pega e desmaiado* ****
A escuridão não era vazia; era pesada, pegajosa e tinha um gosto metálico de ferrugem.
Acordei com a sensação de que meu cérebro era um motor fundindo. Tentei levar a mão à cabeça, mas meus pulsos foram travados por algo frio e cortante. Cordas? Não, lacres de nylon. O movimento brusco fez minha cabeça latejar com uma violência que me deu náuseas. Senti algo quente escorrendo pela têmpora, empapando meu cabelo. Sangue.
— Olha só… a bela adormecida resolveu voltar para o inferno — a voz de Azazel cortou a penumbra.
Ele estava sentado à minha frente, a silhueta emoldurada por uma lâmpada fraca. O brilho nos olhos dele era de um fascínio doentio.
— Tenho que tirar o chapéu para você, babá. Eu mandei apenas dois homens porque, bem… você é uma mulher com duas crianças. Achei que se encolheria e choraria. Mas me disseram que você foi tenebrosa. Fugiu como um bicho acuado, com uma fúria que eu não esperava.
Minha visão oscilava. As paredes pareciam respirar. Eu não sabia se estava acordada ou em um pesadelo sonâmbulo. Tentei falar, mas minha garganta era um deserto de areia.
— Para você não me dar mais problemas — Azazel se aproximou com uma seringa — eu vou colocar você para dormir de novo.
Senti a picada no pescoço. O mundo derreteu instantaneamente.
As horas seguintes ou seriam dias? foram um borrão de flashes cruéis. Eu acordava e apagava. Acordava e via o teto mofado. Apagava e sentia o cheiro do meu próprio corpo. Eu estava fedendo. Minhas roupas estavam empapadas de suor e da humilhação de ter feito xixi em mim mesma.
Como era possível amar duas versões de um mesmo abismo? Eles eram tão parecidos... o mesmo olhar intenso, a mesma autoridade que dobrava o mundo. Talvez o choque estivesse fritando meus neurônios, ou talvez eu finalmente tivesse entendido que eu precisava daquela escuridão deles para sobreviver à minha. Eu estava morrendo, e meu último pensamento era o rosto de dois homens que, no fundo, pareciam ser apenas um.
Senti um puxão violento no meu cabelo, me trazendo de volta para o inferno. Azazel estava inclinado sobre mim, um sorriso doentio no rosto, segurando um celular como se fosse um troféu.
— Escutou bem, Adrian? — ele sibilou para o aparelho, e o som da voz dele enviou um calafrio de pavor pelo meu corpo.
Eu forcei meus olhos a focarem. Através do véu de sangue e lágrimas, vi o celular brilhando. Azazel não estava apenas me batendo; ele estava transmitindo a minha agonia. Ele estava torturando-o.
Eu tentei para de gritar. Mas Azazel apertou meu pescoço, e grasnei igual um pato. Eu só queria que ele parasse de ouvir. Eu não queria que o meu sofrimento fosse a corda que enforcaria o homem que eu amava. Se é que amava mesmo.

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