Pov Adrian
Quando cheguei em casa, por volta das 3h da manhã, Adelaide não estaria: era seu dia de folga, geralmente ela visitava a mãe em um hospital na cidade vizinha. Meu plano era simples: tomar um banho, fazer uma hidromassagem e dar uma olhadinha nas minhas filhas.
Sabia que a babá estaria lá, mas não imaginei que a veria na sala. Quando entrei, encontrei…
As três estavam no sofá-cama aberto.
Clara dormia de lado, o braço enfiado por baixo da cabeça de uma das meninas, os cabelos espalhados como uma nuvem escura sobre o travesseiro branco. A blusa de alcinha fina escorregava por um dos ombros, deixando à mostra uma faixa de pele iluminada pela penumbra. Meu corpo reagiu sozinho. Torci para que estivesse mais abaixada, mas o pensamento de que algum outro segurança poderia ver me fez engolir em seco e afastar o olhar daquele lugar proibido.
Geovana estava encolhida em cima do braço dela. Ângela, esmagada do outro lado, abraçada à barriga dela como um coala. As três respiravam no mesmo ritmo. Por um momento, fiquei parado na porta, apenas olhando.
E aquilo… irritou.
Não devia olhar assim.
Não devia sentir nada.
Não devia estar ali, parado, tentando entender por que diabos aquela garota mexia com partes do meu corpo e da minha mente que sempre mantive trancadas.
Suspirei fundo e me forcei a agir.
Abaixei-me e peguei Ângela no colo primeiro. Ela se ajeitou automaticamente contra meu peito — sempre fazia isso. Levei-a até o quarto e a deitei na cama.
Quando voltei, Clara se mexia. Aproximei-me, pronto para pegar Geovana, mas antes que encostasse, ela abriu os olhos devagar, levou a mão à testa e sussurrou:
— Aí… minha cabeça…
Depois, como se tivesse levado um choque, engoliu seco e se sentou num pulo.
— Meu Deus! — arfou ao me ver. — Senhor Cavallieri… eu… boa noite!
Fiz um gesto leve com a cabeça.
— Não quis te assustar.
— Ah… não… tudo bem… — olhou para o celular. — Passou das 3h da manhã? Nossa, dormimos há muito tempo. Desculpa ter deixado elas aqui.
— Não tem problema. Parece uma cama mesmo — sorri levemente.
Ela sorriu de volta. Mesmo na penumbra, o sorriso parecia clarear algo em mim. Meu coração bateu forte, me obrigando a engolir em seco quando olhei para baixo, percebendo a forma como o tecido moldava o corpo dela. A alça da blusa ainda estava caída, revelando uma vista excitante. Torci a cabeça, desviando o pensamento antes que fosse tarde demais.
Peguei Geovana no colo. O peso dela, relaxado contra mim, sempre trazia uma calma silenciosa.
— Vou levá-la para o quarto — murmurei.
Quando voltei, Clara estava de pé perto do sofá, meio sem saber o que fazer com as mãos. Já havia colocado sua jaqueta.
— Eu… eu preciso ir. Já tá tarde…
— Acabei de dispensar o motorista — minha voz saiu mais baixa do que pretendia.
— Não, eu chamo um Uber.
— Pode dormir no quarto lá em cima.
— Não quero atrapalhar, já está quase amanhecendo — insistiu.
Dei um passo à frente. Ela recuou. Repeti o gesto. Ela recuou mais, mexendo as mãos em gestos aleatórios. Ansiosa. Um jogo silencioso que deixou o ar pesado.
Toquei a mão dela. Num instinto. O choque foi imediato. Elétrico. Meu corpo reagiu antes que a cabeça pudesse protestar. Meu maxilar travou, doendo.
Vi no jeito como a respiração dela tropeçou. Tentou recuar, mas não consegui soltar.
— Fica — disse.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido