Pov Clara Menezes
Acordei devagar. O quarto estava escuro e silencioso, a cama era confortável, melhor do que qualquer sofá em que já tivesse dormido. Por um instante, desejei poder ficar ali para sempre.
Antes que eu pudesse recobrar completamente a consciência, vozes animadas invadiram o quarto:
— Clara! Clara, você dormiu aqui?
— Peixinho continua dormindo.
Abri os olhos, ainda com o sono atrapalhando meu raciocínio, e encontrei as meninas me olhando com aquele misto de curiosidade e alegria que só crianças têm. “não vai falar nada.”
— Nossa, vocês já acordaram? Tão cedo — murmurei, tentando parecer mais desperta do que estava.
— Sim, sim! Hoje é o dia com papai! — responderam em coro, animadas.
— Vamos ao shopping! — Geovana exclamou, puxando meu braço como se eu fosse um brinquedo.
Olhei para o relógio: oito horas da manhã.
— Vocês vão ao shopping então? — perguntei, ainda tentando encaixar minha mente na realidade.
— Sim, dois domingos por mês o papai passa o dia “inteiro” com a gente — respondeu Ângela. — Você vai também?
— Não posso, é aniversário da minha amiga — disse, lembrando da Isa.
— Ah, queríamos tanto ver Frozen no cinema! — Geovana sussurrou, fazendo biquinho. — Queria que você estivesse lá.
Dei um sorrisinho com compaixão. Tão fofas… Elas não pareciam tão terríveis; até acreditei que já haviam se apegado a mim. E ver Frozen numa televisão maior do que a de casa… Só coisas de gente rica.
Engoli em seco, contendo o riso. As crianças comiam animadas, falando ao mesmo tempo, sobre os planos do dia. Lancei um olhar rápido para Adrian e o vi observá-las como se fossem pequenas preciosidades de jardim, sorrindo com os olhos e os lábios de forma simples — e, aos meus olhos, naturalmente charmosa.
Adrian serviu café para mim com um gesto elegante. Conversamos sobre o dia das meninas: shopping, sorvete, brincadeiras com o pai. Expliquei que não iria e acrescentei que era importante que elas tivessem um tempo só com ele.
— Mas da próxima vez, prometo que vou — disse, sorrindo.
Rolei os olhos, sem conseguir conter a risada. As meninas riam também, e eu me sentia… confortável de um jeito raro.
Percebi como as meninas amavam o pai delas e entendi que provavelmente faziam birra com as outras funcionárias por medo de que alguém “roubasse” o pai delas. Eu não era tão magérrima, então não parecia uma ameaça. Ótimo para mim, teria meu salário por mais tempo.
Logo depois, Victor chegou para me buscar. Adrian deu instruções ao motorista/segurança Victor. Agradeci, e ele respondeu apenas com um simples:
— Por nada

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