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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 161

POV/ CLARA

Houve outro momento, no meio daquela confusão doméstica que parecia um universo paralelo, em que uma taça de cristal escorregou da minha mão. O som do vidro atingindo o mármore foi como um tiro no silêncio da cozinha. Mas, antes que o primeiro caco terminasse de vibrar no chão, senti mãos firmes e quentes me envolvendo. Adrian me segurou pela cintura e me tirou do chão em um movimento único e ágil, como se o piso tivesse se transformado em lava ou algo mortalmente perigoso.

— Não se mexa. Pelo amor de Deus, Clara, você pode se machucar — ele rosnou, a voz carregada daquela proteção possessiva que eu ainda não sabia se amava ou se temia.

Ele me sentou na bancada alta, deixando minhas pernas balançando, e começou a catar os cacos com uma delicadeza que simplesmente não condizia com o tamanho daquelas mãos. Mãos que eu sabia serem capazes de destruir, mas que agora recolhiam fragmentos de vidro como se fossem joias raras. Depois de recolher o maior, ele ainda passou o aspirador três vezes, garantindo que nem um grão de poeira restasse para ferir meus pés. Enquanto isso, eu ficava ali, sentada, observando-o trabalhar. Era impossível ignorar como os músculos das costas dele insistiam em se destacar sob a camisa social, agora levemente desalinhada.

— O café está pronto — ele anunciou minutos depois, tentando compensar o quase-incêndio que causara na torradeira mais cedo.

Tomei um gole sob o seu olhar vigilante. Tinha gosto de queimado, grãos moídos na pressa e um leve toque de desespero. Era, sem dúvida, o pior café da história da humanidade. Mas eu tomei cada gota. Tomei porque precisava de algo para ocupar minha boca e não gritar com ele, e tomei só para ver o jeito que ele me olhava: sério, atento, como se estivesse estudando cada microexpressão do meu rosto, esperando desesperadamente por um sinal, um sorriso ou qualquer indício de que o perdão era uma possibilidade.

O Adrian era um cavaleiro quando queria, uma babá dedicada, um faxineiro eficiente e um mestre em me confundir. Havia algo profundamente perturbador em ver o homem que quase morreu por mim agindo agora como se fosse meu servo mais devoto. Mas o que realmente me destruía não era a sua obediência servil; era o efeito devastador que a simples presença dele tinha sobre os meus sentidos.

Eu o observava às escondidas enquanto ele lavava as louças. As mangas da camisa social estavam dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes, marcados por veias saltadas que pulsavam sob a pele bronzeada. Cada movimento dele era calculado e potente. Quando ele se abaixava para guardar um prato no armário inferior, o tecido da calça de alfaiataria esticava impiedosamente nas coxas musculosas, e eu sentia um calor súbito e indesejado subir pelo meu pescoço, tingindo meu rosto de um vermelho confuso. Eu o odiava com todas as minhas forças pelas mentiras, mas meu corpo... Ah, meu corpo era um traidor desavergonhado, gritando por um toque que minha mente jurara nunca mais permitir.

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