POV/ ADRIAN
Meu telefone tocou. Era o segurança.
— Senhor... — a voz dele estava tensa.
— O que foi? Fala logo!
— Tem algo errado. Um grupo de homens está cercando a mesa e...
A ligação caiu. Tentei retornar, mas caía na caixa postal. O pânico e a fúria colidiram dentro de mim. Que se foda a pirraça dela. Que se foda o espaço que ela pediu. Se alguém tocasse em um fio de cabelo da minha mulher, Porto Alegre não seria grande o suficiente para o que eu faria.
Peguei as chaves do carro e saí da mansão como um animal saindo da jaula. O motor rugiu na noite, e o álcool no meu sangue era o combustível para o desastre que eu estava prestes a causar.
Estacionei o carro de qualquer jeito na calçada, sentindo o sangue pulsar nas minhas têmporas. Entrei naquela boate de quinta categoria com a fúria de um animal enjaulado. O lugar fedia a álcool barato e falta de segurança. Eu tentei dar a liberdade que ela pediu, mas o pensamento de que aquela imprudência quase me custou a vida dela fazia meu peito arder.
Abri caminho pela multidão como um trator. Quando cheguei à área VIP, a briga era generalizada. Vi Zeide, o líder da minha segurança, no chão trocando socos com um sujeito, enquanto Clara estava encostada no balcão, gritando em meio à confusão. Outro homem tentava afastá-la dali, segurando seu braço. Corri e o empurrei com violência. Ninguém toca nela. Ninguém.
— Adrian! — Clara gritou, a voz trêmula. — Vão matar ele! Ajuda ele, por favor!
— Você está bem? — perguntei, ignorando o caos ao redor e segurando o rosto dela com as duas mãos para procurar qualquer marca.
— Estou, eu estou bem.
Tentei tirar um dos homens de cima do meu segurança, mas um brutamontes que participava da briga acertou um soco direto na minha mandíbula. O impacto estalou. Senti o gosto metálico do sangue inundar minha boca e minha cabeça girou por um segundo. Revidei por puro instinto, devolvendo um murro que o jogou para trás, antes que os outros homens chegassem para passar o rodo no resto da confusão.
— Meu Deus, Adrian! Você está sangrando! — ela exclamou.
Os olhos verdes dela brilhavam com uma preocupação genuína que eu não via há semanas.
— O que aconteceu aqui, Clara? — rosnei, tentando recuperar o fôlego.
— Eu vi um cara colocando algo na bebida de uma menina. Eu já fui vítima disso, Adrian, não podia ficar parada! Tentei ajudar a garota e ele veio para cima de mim. Mas o segurança o impediu de me machucar.
— E você está bem? Não bebeu? — passei as mãos pelo rosto, afastei o cabelo para ver melhor testa, pescoço. Ela estava bem, e no impulso a abracei segurando ainda sua cabeça.
— Eu estou bem, eu sei me cuidar! — ela sussurrou. — disse me afastando.
Levei a mão à cabeça, sentindo uma mistura de alívio e fúria.
— Acabou a palhaçada — declarei, a voz gélida. — Chega disso. Você não sai nunca mais sozinha.
Eu a peguei pelo braço e sai a puxando, parecia mais um pai protetor arrastando a filha teimosa do que um CEO respeitado, mas eu não me importava. O silêncio no carro foi tenso, mas os olhos dela não saíam do meu corte no lábio.
Quando entramos nos portões da mansão.
— Vamos lá área da piscina, na dispensa da cozinha tem um kit de primeiros socorros. Que eu deixo caso as meninas se machuquem algum dia. — ela tomou a dianteira. Eu a segui, observando o balanço decidido de seus quadris até chegarmos à área da piscina.

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