POV/ ADRIAN
Eu estava deitado na cama do hotel, olhando para o teto há horas, tentando convencer meu cérebro de que eu era um homem civilizado que respeitava o "espaço" alheio. Mas a verdade era que a minha dignidade tinha ficado jogada naquele jardim, junto com a minha cueca.
A cena de três noites anterior passava em loop na minha mente. Tive que me submeter à vergonha suprema de obrigar um dos meus seguranças a me emprestar um par de roupas sobressalentes — que ficaram ridículas em mim — para que eu pudesse, finalmente, atravessar o saguão e voltar para o hotel sem ser preso por atentado ao pudor.
E agora eu estava ali, tentando convencer meu cérebro de que eu era um homem civilizado que respeitava o "espaço" alheio, de que tinha o controle da situação. Mentira pura.
Meu celular vibrou às 14h sobre o criado-mudo. Eu o peguei com uma urgência quase animal, como se fosse um bote salva-vidas em um oceano de frustração. Era uma mensagem de um dos homens que deixei na cola dela. Abri a foto e meu sangue não ferveu; ele entrou em combustão instantânea.
Clara estava em uma cafeteria. Com um sujeito. Um idiota de sorriso fácil, inclinado sobre a mesa, conversando com ela como se tivessem intimidade, como se ele tivesse o direito de respirar o mesmo oxigênio que ela. Liguei para o segurança na mesma hora, a voz saindo como o gatilho de uma arma.
— Mate ele — ordenei, curto e grosso.
— O quê? Senhor, eu não posso... estamos em público e...
— Mate o desgraçado agora! — rosnei, sentindo o Imperador assumir cada fibra do meu ser, chutando o "Adrian bonzinho" para o escanteio. — Qual é a dificuldade? Um tiro, um acidente, um engasgo súbito. Resolva!
— Senhor, por favor... — o segurança gaguejou, claramente temendo pela própria vida. — A senhorita Clara ficaria horrorizada. Ela veria o sangue. Ela saberia que foi o senhor. E, com todo respeito, senhor... a gente não pode simplesmente sair matando civis por causa de um café.
Respirei fundo, fechando o punho com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos e o couro da luva rangeu. Ele tinha razão. Matar um civil na frente dela seria "infantil". Um pouco exagerado, talvez. Eu precisava ser estratégico, mas a vontade de ver a cabeça daquele verme em uma bandeja era quase incontrolável.
— Então afaste esse verme dela. Agora — sibilei. — Diga no ouvido dele que, se ele olhar na direção dela de novo, eu vou arrancar os olhos dele e dar para os cães. Diga que ela tem dono. E que o dono é um homem com pouca paciência e muitos terrenos que servem como cemitérios particulares.
Desliguei. Tentei voltar a dormir. Tentei fechar os olhos e fingir que eu era um homem evoluído. Mas a imagem daquele sorriso medíocre direcionado à minha Clara estava queimada na minha retina. E de tudo o que aconteceu na boate, e por ela ter me provocado com aquele boquete, não ficaria assim, definitivamente não ficaria assim.
Espaço? Tempo? Que se foda.
Vesti uma camisa preta, peguei a chave do carro e saí do hotel cantando pneu, deixando um rastro de borracha queimada para trás. O tempo de brincar de bom moço acabou. Se a Clara queria um tempo, ela que pedisse ao relógio.
Cheguei à cafeteria em tempo recorde. Estacionei o carro de qualquer jeito, pouco me importando se levaria uma multa ou se estava bloqueando o trânsito; o caos que eu sentia por dentro precisava de um cenário à altura. Atravessei a porta de vidro e o sino da entrada tocou, anunciando que o Imperador não aceitaria ser ignorado hoje.
Escolhi uma mesa estratégica: de frente para ela, mas ao lado da janela. Clara estava sentada, com papéis e livros espalhados, mas o choque da minha entrada a fez levantar na mesma hora. Ela veio até a minha mesa, e o cheiro de café misturado ao perfume doce dela me atingiu como uma droga pesada. A fúria do ciúme se misturou a uma necessidade física de possuí-la ali mesmo, em cima daquela mesa de mármore.
Eu a devorei com os olhos. Ela usava um All Star surrado e um macaquito jeans curto demais para aquelas coxas grossas que eu conhecia tão bem. Uma das alças estava solta, revelando a blusa fina por baixo... e ela estava sem sutiã. O cabelo estava preso com um lápis, parecia um pouco cansada, mas o rosto dela estava calmo, sem olheiras, o que me fez odiar o fato de que ela estava dormindo bem sem mim.
— Adrian? O que você está fazendo aqui? — Ela cruzou os braços, tentando manter a postura, mas vi o livro tremer em suas mãos.
— Tomar café — respondi, seco.
— Entre tantas cafeterias, veio logo a esta em um bairro nada nobre?
— Eu vou fazer isso mesmo, meu amor. Mas vai ser com você. E vai ser agora.
Eu ia puxá-la para fora dali, mas o "intruso" interrompeu. O rapaz da foto acenou, com aquele ar de quem nunca levou um soco na vida.
— Oi, Clara! Tudo certo? Que tal uns shots para animarmos esse trabalho da faculdade? — O idiota sorriu para a minha mulher, deslizando o copo sobre a mesa, bem na frente de onde ela estava sentada.
— Por que não? Né. Vamos aproveitar — ela respondeu, rindo para ele.
Meu coração falhou uma batida. Ela deu o meu sorriso para outra pessoa. Ela olhou para mim com desprezo e finalizou o golpe:
— Você vai ficar aí mesmo, Adrian? — ela perguntou da outra mesa, desafiadora. — Não basta colocar seguranças me seguindo, agora você vai me vigiar de perto?
— Vou — respondi, puxando a cadeira da mesa ao lado com um barulho estridente e sentando-me de frente para eles. — Pode começar o seu trabalho, Clara. Eu não vou a lugar nenhum.
— Ok. Ok. Beba quantos cafés quiser, Adrian, mas estou fazendo um trabalho e não me atrapalhe. E, por favor... por favor... não assusta meu amigo Talles.
Talles. Um nome perfeito para ser gravado em uma lápide, pensei, sentindo meu sangue pulsar nas têmporas.
Ela se virou e caminhou de volta para a mesa dele. A bartender se aproximou e eu fiz o pedido mais absurdo do dia: café com Vodka. Quando ela disse que não existia, eu apenas expliquei que bastava despejar o álcool no grão e moer tudo. Tomei aquela bebida horrível enquanto via meu amor rir mais do que fazer pesquisas e anotações.

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