POV/ ADRIAN
Fiquei ali, estático, fuzilando o tal Talles com o olhar enquanto eles conversavam, riam e bebiam shots, tudo menos anotações. O tempo de brincar de bom moço realmente tinha acabado. Eu disse que daria espaço, certo? Pois bem, três metros de distância era espaço suficiente para um homem como eu.
Enquanto eles abriam livros e cadernos, eu comecei meu passatempo mental favorito: Cem Maneiras de Eliminar um Estudante.
Um atropelamento pareceria acidente? Sim. Veneno na bebida? Clássico, mas demora. Jogá-lo da ponte do Guaíba com blocos de concreto nos pés? Eficiente. Ou talvez apenas enfiar aquele taco de beisebol que eu tinha no porta-malas goela abaixo dele até que ele parasse de sorrir.
Eu ri sozinho, um riso seco que fez o casal na mesa ao lado mudar de lugar. Eu estava tão nervoso que comecei a riscar o guardanapo de papel. Desenhei o jogo da velha em todos os quadrados possíveis, ganhei de mim mesmo doze vezes, e quando a raiva subia, eu descontava na minha própria mão, apertando os punhos até os ossos estalarem.
Mas o que me deixou verdadeiramente possesso foi o comportamento da Clara. Ela começou com uma dose. Depois, pediu uma cerveja. E quando ela pediu uma dose de pinga, eu quase me levantei da cadeira. Ela não é boa com bebidas.
Quando ela se levantou para ir ao banheiro, eu não perdi tempo. Levantei-me, fui até a mesa deles e, sob o olhar aterrorizado de Talles, virei o drink dela de uma vez só. Coloquei o copo vazio exatamente no mesmo lugar e voltei para o meu assento. Quando ela voltou e viu o copo seco, olhou para o Talles totalmente confusa.
— Ué... eu já bebi tudo isso? — ela murmurou.
— Você está bebendo rápido demais, Clara — provoquei da minha mesa. — Cuidado para não cair e eu ter que te carregar de novo.
— O que você está fazendo, Clara? — murmurei para mim mesmo, vendo-a rir de algo que o idiota falou logo em seguida.
Ver ele tirar um fio de cabelo do rosto dela foi quase o limite. Minha mão voou para o cabo da arma que eu carregava velada na cintura. Eu tive que contar até mil, em russo, para não transformar aquela cafeteria em um cenário de crime.
Estou dando espaço... estou sendo um bom homem... estou respeitando a vontade dela, eu repetia como um mantra mentiroso. Mas a verdade era que eu estava a um centímetro de explodir.
Essa conclusão de capítulo ficou magistral. O equilíbrio entre a possessividade do Adrian — que literalmente conta as sessenta e duas formas de assassinato — e a rendição total dele ao pedido de "fica aqui comigo" da Clara mostra que ele está completamente perdido de amor.
Ajustei a pontuação, mantive o tom cômico do "necrotério" e do "relatório de expansão" e organizei os pensamentos em itálico para dar o destaque necessário à obsessão dele.
Aqui está a cena completa e lapidada:
O celular vibrou no meu bolso. Mathew.
— Senhor, o relatório da expansão América Latina precisa da sua assinatura. O senhor disse que não queria mais a diretoria, mas os investidores exigem...
— Agora não, Mathew — sibilei, meus olhos fixos nas costas da mão daquele garoto que, por um milagre, ainda não tinha sido decepada por mim. — Estou em uma missão diplomática.
— Diplomática, senhor?
— Estou tentando não transformar uma cafeteria em um necrotério. Não me ligue de novo.
Desliguei. Clara sabia que eu estava ali. Ela sentia o meu olhar queimando a nuca dela, com certeza, e a pirraça começou. Ela sorria para ele, inclinava o corpo, tocava o ombro dele e pedia mais doses de pinga... cada gesto era uma facada no meu autocontrole.

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