POV/ CLARA
Os dois dias que antecederam a viagem foram uma dança de resistência. No Dia do Café da manhã, o desejo quase me venceu; quando ele se ofereceu para me ajudar no banho, meu corpo implorou para dizer sim, mas bati o pé. Eu o mandei embora e me tranquei no banheiro, ignorando a pulsação entre minhas pernas para provar que eu ainda era a dona da minha vontade.
Para a viagem, a Isadora foi minha cúmplice. Compramos biquínis e um maiô preto tão cavado que beirava o obsceno, além de uma saída de banho de crochê que não escondia absolutamente nada.
Eu sabia que ele ia odiar, e era exatamente esse o plano. Também aproveitei para retocar minhas mechas e cortar o cabelo um pouco mais curto até os ombros, uma mudança que eu sabia que o irritaria, já que ele agia como se cada centímetro de mim pertencesse ao seu império.
No dia da partida, a frente da mansão parecia o cenário de uma operação de guerra. Três carros pretos e blindados aguardavam. Adrian, Ângela, Geovana e eu iríamos no carro principal. Atrás, a Isadora e o Mathew com dois seguranças, e um terceiro veículo fechando o comboio com mais homens armados. Ouvi Adrian dizer ao Mathew que não queria correr mais riscos, especialmente agora que o sangue de Azazel ainda estava fresco.
Eu escolhi um vestido verde curto, leve e soltinho, parecido com o da nossa primeira viagem, para aguentar as horas de estrada. Quando entrei no carro, vi o brilho da coronha de uma arma sob o banco dele. Adrian percebeu o meu olhar.
— Não precisa se preocupar, Clara — ele disse, com um sorriso que não chegava aos olhos— É so por precaução. E jamais deixarei que toquem um fio do seu cabelo de novo.
Eu me sentia segura, era impossível negar. Mas a possessividade dele me sufocava. Eu sabia que ele não atiraria em mim, mas ele certamente atiraria em qualquer um que ousasse olhar para as minhas coxas por tempo demais.
A viagem começou com uma energia que eu não esperava. Em vez do silêncio tenso, o carro foi preenchido por vozes infantis e... surpreendentemente, pela voz do Adrian. Ângela e Geovana pediram a trilha sonora de Frozen, e lá estava o grande Imperador da Global Tech, o homem que comandava o submundo, tamborilando o volante com os dedos enquanto cantava Let It Go afinadamente para as filhas.
Eu não consegui segurar o riso. Ver aquele homem másculo e com o olhar severo, cantando música de princesa era a cena mais surreal e doce que eu já tinha visto. As meninas estavam radiantes, e por um momento, a sombra do luto parecia ter ficado para trás na mansão.
Paramos em um posto de conveniência para abastecer. Eu aproveitei para pegar um monte de besteiras chocolates, salgadinhos e gomas. Quando cheguei ao balcão, tirei o dinheiro da carteira para pagar, Adrian apareceu atrás de mim como uma sombra.
— Eu pago, Clara — ele disse, já estendendo o cartão.
— Não precisa, eu tenho dinheiro — bati o pé, teimosa. — joguei a nota de 100 reais em cima do balcão para a atendente.
Ele me olhou de cima com sorriso cínico, e deu um peteleco certeiro que fez meu dinheiro voar e cair direto no chão. A atendente deu uma risadinha, achando a cena engraçada, enquanto o Adrian passava o cartão com a maior cara de pau do mundo, ostentando um sorriso vitorioso.
— Você é impossível — resmunguei, abaixando para pegar meu dinheiro, enquanto ele apenas piscava para mim.
Lá fora, encontrei a Isadora saindo do outro carro. Ela estava deslumbrante em um vestido preto com uma fenda generosa que atraía olhares de todos os caminhoneiros do posto. Mas o olhar que mais me chamou a atenção foi o do Mathew. Ele tentava disfarçar, mas os olhos dele seguiam cada movimento dela.
— Você acha que a gente consegue juntar os dois? — cochichei para o Adrian quando voltamos para o carro. — O Mathew é tão tímido, e a Isadora é... bem, ela é um furacão.
Adrian olhou pelo retrovisor para o seu braço direito, que recebia instruções de segurança com uma postura rígida, mas sem tirar o olho da Isadora.

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