POV/ CLARA
Paramos em um quiosque de madeira rústica, com pés na areia e luzes de gambiarra que balançavam com o vento. O cheiro de carne assada na brasa era irresistível.
As meninas nem esperaram a comida. Assim que viram um pula-pula colorido montado ao lado das mesas, me olharam com olhos brilhantes.
— Podem ir, mas não tirem os olhos de mim! — avisei, vendo-as correrem rindo, saltando para dentro do brinquedo com uma energia que eu invejava.
Sentamo-nos em uma mesa de plástico, dessas comuns de marca de cerveja. Isadora olhou para Adrian e Mathew, que pareciam grandes demais para aquelas cadeiras pequenas, e não conseguiu segurar a língua.
— Nossa, confesso que estou chocada. Achei que vocês só comiam foie gras ou caviar em pratos de porcelana francesa — ela provocou, apoiando o queixo na mão e lançando um olhar desafiador para os dois.
Adrian soltou uma risada curta, relaxando os ombros, enquanto Mathew dava um sorriso discreto, quase tímido.
— Às vezes, Isadora, nada supera uma cerveja gelada e um espetinho de rua — Adrian respondeu, servindo um copo para ela e depois para mim.
Fiquei ali, em silêncio, apenas observando. Era como assistir a uma cena de novela. Isadora, minha amiga que sempre disse que nunca se apegaria a ninguém, que tratava o sexo como um esporte e a vida como algo passageiro, estava rindo de verdade. Ela brilhava. E o Mathew... ele estava hipnotizado. Em um movimento quase ensaiado, ele esticou a mão e, com uma delicadeza que eu não esperava de um homem tão sério e tímido, tirou uma mecha de cabelo que voava no rosto dela.
Meu coração se aqueceu por ela. Eu conhecia a Isadora; sabia que aquele conforto dela ao lado dele era algo raro. Ela estava feliz, e isso me dava uma paz momentânea.
Mas o vento de Balneário começou a cobrar o preço da minha teimosia. O frio da noite batia nos meus braços expostos, e eu comecei a me encolher, passando as mãos nos ombros na tentativa inútil de gerar calor. Meus pelos estavam arrepiados e meus dentes ameaçavam bater.
Eu estava tão distraída focada no "casal" à minha frente que nem percebi o movimento ao meu lado.
De repente, senti algo pesado e quente pousar sobre meus ombros. Antes que eu pudesse protestar, o cheiro amadeirado e caro do perfume do Adrian me inundou. Ele havia se levantado e, sem dizer uma única palavra ou pedir permissão, colocou seu casaco de grife sobre mim.
Suas mãos grandes e quentes permaneceram ali por um segundo a mais, apertando levemente meus ombros através do tecido, garantindo que eu estivesse bem coberta. O calor dele foi imediato, penetrando na minha pele e fazendo meu coração dar um solavanco violento.
— Claro que não. É só o frio, certo?
— É. E tem outra coisa... a Isadora me pediu para deixar você dormir no nosso quarto hoje.
Adrian parou de andar abruptamente. Ele me encarou com uma sobrancelha erguida, genuinamente surpreso.
— Sério? — Um brilho de triunfo surgiu nos olhos dele.
— Sério. Mas não se empolgue. O quarto é imenso e tem um sofá. Você vai ficar nele.
Ele voltou a caminhar, rindo alto dessa vez, um som livre que chamou a atenção até de alguns passantes.
— Vou dormir lá com o maior prazer, Clara.

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