POV/ CLARA
Ao chegarmos no hall luxuoso do hotel, o clima mudou de romântico para cômico. Isadora, com aquele seu jeito de furacão, parou na frente do elevador e deu um tchauzinho vitorioso para nós. Sem cerimônia nenhuma, ela segurou o braço do Mathew e começou a puxá-lo em direção ao outro corredor.
O Mathew estava em um estado deplorável de constrangimento. Ele, o braço direito do Imperador, o homem que eu já vi encarar ameaças sem piscar, estava vermelho como um pimentão, olhando para o chão como se buscasse um buraco para se esconder. Isadora apenas ria da timidez dele, claramente adorando o poder que tinha.
Adrian soltou a minha mão e caminhou até o amigo, dando um tapa encorajador no seu ombro.
— Senhor... eu... eu não sei se é apropriado... — Mathew gaguejou, a voz sumindo.
— Deixa de ser frouxo, Mathew — Adrian disse, rindo da cara dele. — Ela é uma mulher de atitude, você só precisa acompanhar o ritmo. Não é uma humilhação ser dominado por uma mulher assim, é sorte. Aproveita, homem!
Eu observava a cena de longe, e o que deveria ser um momento engraçado me atingiu com uma onda de ciúme que eu não esperava. Ouvir o Adrian dando conselhos de "conquistador", falando com tanta propriedade sobre lidar com mulheres de atitude, fez minha mente viajar. Quantas mulheres ele já não "ensinou" ou "dominou" para falar com tanta segurança? A imagem dele no clube, cercado de opções, inundou meu cérebro e a raiva subiu.
Caminhei até eles com passos pesados.
— Está na hora. Vamos! — anunciei com uma autoridade que interrompeu o papo de "homem" na hora.
Nem esperei resposta. Peguei o Adrian pelo braço quase o empurrando em direção ao nosso quarto. Ele me olhou surpreso, mas com um sorriso de canto, percebendo a minha irritação súbita. Deixamos o Mathew e a Isadora para trás e subimos em silêncio, apenas com o som das meninas bocejando.
...
Dentro da suíte, o caos doméstico assumiu o controle. Adrian se acomodou no sofá, tirando os sapatos e observando tudo.
— Hum... de veras interessante — disse pegando uma calcinha dentro da minha mala.
— Ei não mexa aí! — caminhei e catei das mãos dele.
Eu comecei o meu ritual com as meninas. Chamei as duas para o banheiro, lavei seus rostinhos, tirei os restos de glitter e maquiagem de brincadeira que a Isadora tinha colocado nelas. Penteei os cabelos de Ângela e Geovana com calma, enquanto elas reclamavam de sono. Coloquei os pijamas de algodão e as ajudei a subir na cama gigante.
Pude sentir o olhar de Adrian queimando nas minhas costas o tempo todo. Ele não disse uma palavra, mas parecia hipnotizado pela forma como eu cuidava das filhas dele. Para ele, ver a "sua" mulher sendo a mãe que aquelas meninas precisavam era, talvez, o maior afrodisíaco de todos.
Apaguei as luzes principais, deixando apenas o abajur fraco. As meninas ocuparam as pontas da cama e eu me deitei no meio. O Adrian se ajeitou no sofá, que era grande, mas ainda pequeno para o tamanho dele.
— Boa noite, Amores do papai e Boa noite Clara — ele sussurrou no escuro.
Olhei para ele uma última vez antes de fechar os olhos.
— Boa noite, Adrian.
....
O relógio marcava 8h09 da manhã quando abri os olhos. O quarto estava mergulhado em um silêncio raro, quebrado apenas pela respiração profunda e rítmica das meninas, que ainda dormiam pesadamente depois de ficarem na orla até tarde.
Olhei para o sofá e lá estava ele. Adrian, com seu corpo de "Imperador" encolhido em um espaço pequeno demais para ele, parecendo quase inofensivo no sono. Senti meu coração amolecer um pouco.
Levantei-me devagar e fui para o banheiro. No espelho, encarei meu novo reflexo. O cabelo, agora um pouco abaixo dos ombros, dava um ar mais maduro e rebelde ao meu rosto. Eu tinha amado o corte, principalmente porque sabia que ele odiava não ter controle sobre cada fio da minha cabeça.
Escovei os dentes, fiz minhas necessidades e liguei o chuveiro. A água quente logo criou uma cortina de vapor que embaçou tudo. Entrei no box, relaxando os ombros, e comecei a cantarolar baixo Let It Go, a música que as meninas não paravam de pedir no carro. Eu estava de costas para a porta, ensaboando a nuca, quando ouvi o clique metálico da maçaneta.

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