POV/ CLARA
Não sei a desculpa que ele deu para ela, mas quando terminei de banhar, vesti um vestido largo e uma calça de moletom e fui ajudar as meninas se trocarem.
Ajudei Ângela e Geovana a se vestirem vestidinhos leves e confortáveis com maio colorido por baixo, passei protetor no roto, braços e pescoço delas, as preparando para o sol de Balneário e, enquanto dava os últimos retoques no meu próprio cabelo, meu celular vibrou sobre a cômoda. Era uma mensagem da Isadora.
"Amiga, o que foi aquilo?! O Mathew é um milagre silencioso. Que língua é aquela? Ele me levou à loucura, juro. O homem é surpreendente!"
Senti minhas bochechas arderem. Isadora não tinha filtros, e saber que o braço direito do Imperador era tão intenso entre quatro paredes me fez olhar para o Adrian de um jeito diferente quando descemos para o café da manhã.
Ele já estava lá, impecável em uma camisa polo clara, lendo algo no tablet enquanto tomava um café expresso.
— Bom dia, meninas — ele disse estendendo a mão e elas foram até ele e ele um deu beijo em cada uma, desviando o olhar para mim com aquela intensidade que sempre me despia. — Oiee Clara.
— Bom dia — respondi, tentando manter a pose de quem não estava pensando em "línguas surpreendentes".
Peguei um croissant e um pouco de café com leite. Olhei para a xícara dele e não resisti à provocação.
— Isso é café de verdade, Adrian! Arqueei as sobrancelhas o implicando.
Ele soltou uma risada curta, o canto dos lábios subindo.
— Engraçadinha. Eu gosto das coisas fortes, Clara. Você já deveria saber disso.
O clima estava leve, mas o ponto alto foi quando a Isadora apareceu. Ela tinha prometido descer cedo rápido, mas surgiu na entrada do salão com a roupa levemente amassada e o cabelo em um desalinho que nem o melhor penteado do mundo disfarçaria. Ela tinha aquela aura de quem não tinha dormido um minuto, e a "cara de quem foi bem servida" era nítida.
O Mathew vinha logo atrás, com a expressão rígida de sempre, mas havia um brilho diferente no olhar dele quando ele puxou a cadeira para ela.
— Desculpem a demora, pessoal... — Isadora começou sentando-se com um suspiro satisfeito. — É que a cama estava tão... só... só... estava... — ela não conseguiu terminar a frase e caiu na gargalhada, lembrando de algum detalhe.
Eu gargalhei junto, entendendo exatamente o que ela queria dizer. As meninas pararam as torradas no meio do caminho, olhando para nós sem entender absolutamente nada do motivo daquela crise de riso.
— O que foi, tia Isa? — Ângela perguntou. Enquanto a gêmea também a olhava com certa curiosidade.
— Nada, meu amor. É que o sol hoje está muito... radiante — Isadora desconversou, ainda limpando uma lágrima de riso no canto do olho.
Voltamos nossa atenção ao café, mas o riso continuava ali, subentendido. Olhei para o Adrian e ele arqueou uma sobrancelha, parecendo ler meus pensamentos sobre a noite da Isadora.
.....
O sol de Balneário Camboriú estava impiedoso, mas o vento que vinha do mar trazia o frescor necessário. Adrian, sendo quem era, não se contentou com uma barraca comum; Mathew já havia garantido um quiosque exclusivo para nós, um refúgio de madeira e palha com espreguiçadeiras estofadas, estrategicamente posicionado para termos a melhor visão do mar e, claro, a máxima privacidade.
A toalha na mão dele parou. O maxilar dele travou com tanta força que vi os músculos do pescoço saltarem. O olhar dele desceu pelo decote profundo, seguiu pelas cavas altas que expunham minhas coxas e voltou para o meu rosto com um olhar intenso que me fez estremecer, mesmo sob o calor de 30 graus.
— Clara... — a voz dele saiu mais baixa do que o normal, rouca e carregada de uma advertência que eu conhecia muito bem.
— Sim, Adrian? Algum problema? — provoquei, ajeitando uma das alças finas.
Ele não respondeu de imediato. Ele apenas deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, ignorando a presença do Mathew e da Isadora.
— Esse "trapo" que você está usando... — ele sibilou, os olhos faiscando. — Nós vamos ter uma conversa muito séria sobre ele assim que voltarmos para o hotel.
— Pai, estou com fome — Geovana balbuciou, puxando a bermuda dele.
— Vou pedir algo para bebermos e buscar um lanche para elas — Adrian anunciou, trocando um olhar rápido com o segurança que permanecia a poucos metros. — Mathew, fique de olho.
Ele saiu em direção ao quiosque com as pequenas, e eu troquei um olhar cúmplice com a Isadora.
A peça estava estrategicamente apertada, realçando meus seios com alcinhas fininhas na frente, enquanto o tecido tecnológico comprimia minha cintura, esculpindo minhas curvas. Mas o verdadeiro perigo estava nos detalhes que eu sabia que o Adrian veria assim que se virasse. As costas eram quase totalmente nuas, presas apenas por um trançado complexo de tiras que se cruzavam em um "X" geométrico, descendo até o limite do proibido. O corte era audacioso: um fio dental que deixava minha bunda quase completamente à mostra, desafiando qualquer noção de discrição.
Eu sabia que estava no limite entre o sensual e o vulgar, mas eu queria aquela atenção. Queria testar o poder que eu tinha sobre o homem que acreditava ser dono de tudo.

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