Pov Adrian
— Vamos lá, meninas. O General está de folga hoje — eu expressei sorrindo.
O shopping center era o oposto da minha mansão de mármore: barulhento, caótico e cheio de cores. Eu observava Ângela e Geovana correndo e pulando na praça de alimentação, a alegria delas era o único barulho que eu permitia entrar no meu sistema sem gerar estresse.
A tarde foi um deleite de indulgências infantis.
Primeiro, veio o desafio de decidir entre os impérios da comida rápida. Elas correram do McDonald's para o Subway, e eu, o CEO de bilhões, me vi pacientemente negociando qual lanche seria comprado primeiro. A sobremesa foi obrigatória no Bob's, o sorvete lambuzando os rostos delas enquanto eu tentava limpar o excesso com um guardanapo.
A apoteose do dia foi no cinema. Sentados na escuridão, assistimos à reestreia de Frozen 1 e 2.
Enquanto minhas filhas cantavam, com a paixão inocente de suas vozes, "Let it go! Let it go!", eu me peguei olhando ao redor. A sala estava cheia de crianças e mães. Eu era o único pai ali, um ponto de contraste com meu terno caro. Mas vê-las felizes, cantando e pulando nos assentos, era a dose mais pura de contentamento que eu poderia comprar.
A felicidade delas era a minha única fragilidade.
Na saída do cinema, com as luzes piscando e a euforia do filme no ar, elas se penduraram nos meus braços.
— Papai, foi o melhor dia! — Geovana exclamou.
Eu sorri, aproveitando o momento para obter informações de forma casual.
— Que bom, princesas. A propósito... O que vocês acham da Clara?
Ângela deu de ombros, terminando um pedaço de chocolate.
— A gente gosta dela. Ela é muito legal.
— Ela é engraçada, e não tem medo da nossa bola de chiclete! — Geovana completou.
O comentário sobre a "bola de chiclete" me fez franzir o cenho, lembrando-me das babás anteriores pediu conta após ela pregarem no cabelo dela, mas o sorriso das minhas filhas me acalmou. Ela era boa para elas. É era isso que importava.
— Ah, e você, pai? Você gosta dela? — Ângela perguntou, com a curiosidade infantil que não aceitava evasivas.
Eu parei por um segundo. Olhei para elas, os únicos pontos fixos e preciosos na minha vida.
— Eu a acho... útil. — Eu escolhi a palavra mais fria e controlada possível. — Se ela faz bem para vocês, isso é o que importa. Porque tudo que importa no mundo é vocês.
Eu me inclinei, dei um beijinho na testa de cada uma delas, um gesto de carinho profundo. O resto do mundo poderia ser negociado, comprado, vendido ou dominado, mas elas eram a minha verdade.
Saímos do shopping um pouco depois das seis. As meninas estavam com os rostos pintados de glitter, segurando balões da Elsa e da Anna, ainda pulando como se tivessem tomado café puro. Eu estava cansado, mas elas… elas pareciam movidas a bateria nuclear.
Enquanto caminhávamos pelo estacionamento, o celular vibrou no meu bolso.
Mensagem da Adeline:
“Senhor, acabei de chegar. Já vou preparar o banho e jantar.”
Assenti para mim mesmo.
— Meninas, Adelaide já chegou — anunciei.
— Ebaaaa! — Ângela bateu palminhas.
— Eu quero banho de espuma! — Geovana gritou.
Suspirei, mas sorri. O caos era garantido.
Chegando em casa, deixei as mochilas delas no sofá. Adelaide apareceu no corredor, eficiente como sempre.
— Senhor — ela cumprimentou.
— Elas são suas — entreguei as duas, que já estavam correndo para o banheiro.
Fui banhar e desci até a cozinha e comecei a servir o jantar nós pratinhos. Não deu nem dez minutos e ouvi:
— PAPAAAIII! PENTEIAAAAA!
Revirei os olhos, mas o sorriso escapou.
Fui até o quarto delas.
Geovana estava enrolada na toalha rosa, Ângela com o pijama meio torto, e Adelaide tentando controlar o caos enquanto elas pulavam pela cama com os cabelos encharcados.
— Sente-se. — ordenei, cruzando os braços.
Elas obedeceram na hora.
Peguei a escova, passei o creme e comecei a pentear os fios longos delas, com cuidado para não puxar.
— O papai é o melhor penteador do mundo — Ângela disse, com orgulho exagerado.
— Você é minha pessoa favorita, papai — Geovana completou, com aquele sorrisinho que derrete qualquer um.
Meu peito aqueceu.
Aquele sentimento… não tinha preço.
— E vocês são as minhas coisas favoritas no mundo — respondi, tentando esconder a emoção na voz.
Depois do ritual de pentear, colocar meias, fomos jantar e depois ajeitar cobertas, e Adelaide ler O Pequeno Príncipe pela milésima vez, elas finalmente dormiram.
Fiquei na porta, observando os rostinhos delas descansando. Uma paz rara.
Desci para o térreo.
Peguei um uísque.
A primeira dose desceu queimando a garganta, trazendo aquele silêncio necessário.
Minha mente começou a vagar, como sempre.
Ásia. Rússia. África. Coreia.
As próximas duas semanas seria infernal.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido