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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 20

Pov Adrian

— Vamos lá, meninas. O General está de folga hoje — eu expressei sorrindo.

O shopping center era o oposto da minha mansão de mármore: barulhento, caótico e cheio de cores. Eu observava Ângela e Geovana correndo e pulando na praça de alimentação, a alegria delas era o único barulho que eu permitia entrar no meu sistema sem gerar estresse.

A tarde foi um deleite de indulgências infantis.

Primeiro, veio o desafio de decidir entre os impérios da comida rápida. Elas correram do McDonald's para o Subway, e eu, o CEO de bilhões, me vi pacientemente negociando qual lanche seria comprado primeiro. A sobremesa foi obrigatória no Bob's, o sorvete lambuzando os rostos delas enquanto eu tentava limpar o excesso com um guardanapo.

A apoteose do dia foi no cinema. Sentados na escuridão, assistimos à reestreia de Frozen 1 e 2.

Enquanto minhas filhas cantavam, com a paixão inocente de suas vozes, "Let it go! Let it go!", eu me peguei olhando ao redor. A sala estava cheia de crianças e mães. Eu era o único pai ali, um ponto de contraste com meu terno caro. Mas vê-las felizes, cantando e pulando nos assentos, era a dose mais pura de contentamento que eu poderia comprar.

A felicidade delas era a minha única fragilidade.

Na saída do cinema, com as luzes piscando e a euforia do filme no ar, elas se penduraram nos meus braços.

— Papai, foi o melhor dia! — Geovana exclamou.

Eu sorri, aproveitando o momento para obter informações de forma casual.

— Que bom, princesas. A propósito... O que vocês acham da Clara?

Ângela deu de ombros, terminando um pedaço de chocolate.

— A gente gosta dela. Ela é muito legal.

— Ela é engraçada, e não tem medo da nossa bola de chiclete! — Geovana completou.

O comentário sobre a "bola de chiclete" me fez franzir o cenho, lembrando-me das babás anteriores pediu conta após ela pregarem no cabelo dela, mas o sorriso das minhas filhas me acalmou. Ela era boa para elas. É era isso que importava.

— Ah, e você, pai? Você gosta dela? — Ângela perguntou, com a curiosidade infantil que não aceitava evasivas.

Eu parei por um segundo. Olhei para elas, os únicos pontos fixos e preciosos na minha vida.

— Eu a acho... útil. — Eu escolhi a palavra mais fria e controlada possível. — Se ela faz bem para vocês, isso é o que importa. Porque tudo que importa no mundo é vocês.

Eu me inclinei, dei um beijinho na testa de cada uma delas, um gesto de carinho profundo. O resto do mundo poderia ser negociado, comprado, vendido ou dominado, mas elas eram a minha verdade.

Saímos do shopping um pouco depois das seis. As meninas estavam com os rostos pintados de glitter, segurando balões da Elsa e da Anna, ainda pulando como se tivessem tomado café puro. Eu estava cansado, mas elas… elas pareciam movidas a bateria nuclear.

Enquanto caminhávamos pelo estacionamento, o celular vibrou no meu bolso.

Mensagem da Adeline:

“Senhor, acabei de chegar. Já vou preparar o banho e jantar.”

Assenti para mim mesmo.

— Meninas, Adelaide já chegou — anunciei.

— Ebaaaa! — Ângela bateu palminhas.

— Eu quero banho de espuma! — Geovana gritou.

Suspirei, mas sorri. O caos era garantido.

Chegando em casa, deixei as mochilas delas no sofá. Adelaide apareceu no corredor, eficiente como sempre.

— Senhor — ela cumprimentou.

— Elas são suas — entreguei as duas, que já estavam correndo para o banheiro.

Fui banhar e desci até a cozinha e comecei a servir o jantar nós pratinhos. Não deu nem dez minutos e ouvi:

— PAPAAAIII! PENTEIAAAAA!

Revirei os olhos, mas o sorriso escapou.

Fui até o quarto delas.

Geovana estava enrolada na toalha rosa, Ângela com o pijama meio torto, e Adelaide tentando controlar o caos enquanto elas pulavam pela cama com os cabelos encharcados.

— Sente-se. — ordenei, cruzando os braços.

Elas obedeceram na hora.

Peguei a escova, passei o creme e comecei a pentear os fios longos delas, com cuidado para não puxar.

— O papai é o melhor penteador do mundo — Ângela disse, com orgulho exagerado.

— Você é minha pessoa favorita, papai — Geovana completou, com aquele sorrisinho que derrete qualquer um.

Meu peito aqueceu.

Aquele sentimento… não tinha preço.

— E vocês são as minhas coisas favoritas no mundo — respondi, tentando esconder a emoção na voz.

Depois do ritual de pentear, colocar meias, fomos jantar e depois ajeitar cobertas, e Adelaide ler O Pequeno Príncipe pela milésima vez, elas finalmente dormiram.

Fiquei na porta, observando os rostinhos delas descansando. Uma paz rara.

Desci para o térreo.

Peguei um uísque.

A primeira dose desceu queimando a garganta, trazendo aquele silêncio necessário.

Minha mente começou a vagar, como sempre.

Ásia. Rússia. África. Coreia.

As próximas duas semanas seria infernal.

— Talvez você ache que eu estou ficando louco — comecei, baixo — mas eu nunca conheci alguém como ela.

ela manteve o olhar firme na minha direção.

— Minha vida inteira foi uma linha reta. Tudo planejado. Tudo calculado. Tudo previsível. Belo e organizado. Eu sei exatamente o que esperar de cada pessoa, de cada movimento, de cada negócio.

Soltei o ar devagar, passando a mão pela nuca.

— E ela…Ela é a curva. E além do mais se tivermos que procurar mais uma babá nem sei o que faria.

Adelaide não sorriu. Não debochou. Apenas assentiu, suave.

— Entendi, senhor.

Mentira.

Ninguém entendia.

Nem eu.

E essa era a parte mais perigosa.

Levantei e fui me deitei.

Eram quase 23h quando finalmente fechei os olhos.

Não cheguei a sonhar.

Porque o telefone tocou.

1 vez, Ignorei

2 Vezes, não atendi. 3 vezes, quanta insistência.

Peguei o celular, irritado até ver o número na tela.

Atendi já sentado na cama.

— Alô?.

No primeiro segundo, só ouvi respiração.

Depois, um sussurro fraco. Desesperado.

— Por favor… me ajuda…

Foi como levar um soco no estomago.

— Clara? — minha voz saiu instantânea.

Ela tentou falar mais alguma coisa, mas o som se perdeu. Gemido. Choroso. Ofegante.

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