Pov Adrian
Levantei-me da cama no mesmo segundo.
Toquei na tela, abri a localização automática do. A bolinha azul piscou, instável. Ela estava a alguns quilômetros dali. Num bairro que eu sabia que não era seguro à noite.
Aquilo não era problema meu. Devia ignorar
Mas meu corpo… meu corpo se moveu antes de qualquer pensamento.
Peguei o casaco, a arma e a chave SUV.
E saí de casa com um único pensamento:
Se alguém tocou nela… eu mato.
O segurança quis me seguir, mas disse que não precisava entrei no carro e segui a localização que o sistema mandou. Um bairro de bares, vielas, faróis quebrados. Estacionei em frente ao local indicado um bar de esquina, luz fraca, cheiro de cerveja derramada e fritura velha.
Desci. Entrei.
— Uma garota — perguntei direto à bartender. — Cabelo castanho, pele clara, olhos… esverdeados. Veio com outra mulher eu acho.
A bartender franziu o cenho.
— Duas amigas eu vi, sim. Uma foi embora a loira e a outra… tinha luzes vermelhas no cabelo. Certo?
Meu coração falhou um segundo.
Luzes vermelhas?
Clara não tinha isso… até ontem.
— Não sei pode ser ela — sibilei e mostrei a foto ¾ do contrato.
— Uma saiu mais cedo a outra estava mal, e Saiu por aquela porta — apontou. — Com um rapaz loiro bonito pensei que fossem namorados eles estavam se pegando.
Minha respiração cessou.
Preocupação, raiva, ódio, ciúmes. Que eu porra estava sentido?.
O chão pareceu se afastar debaixo dos meus pés.
Precisei escorar na borda de mármore do balcão, apertei com tanta força que as pedras rangeram.
— Senhor… está tudo bem? — a bartender perguntou.
Eu não respondi.
Saí do bar quase correndo, o coração martelando, descompassado, incômodado. Meu organismo inteiro entrou naquele estado predatório que eu não sentia há anos: frio, preciso, violento.
— Clara! — gritei na calçada. — CLARA!
Nada.
O barulho dos carros, das motocicletas, vozes bêbadas… nenhum sinal dela.
Continuei andando, cada vez mais rápido, seguindo o GPS que oscilava, a localização dela se movia lentamente.
Foi então que ouvi.
Um som abafado. Um soluço. Depois um grito fraco.
Vinha de um beco à esquerda. E lá estava.
Clara, contra a parede, se debatendo enquanto um desgraçado com cabelo loiro sujo passava a mão nela, levantando o vestido.
Meu corpo agiu antes da consciência.
Mas que desgraçado.
Eu não vou deixá-lo tocar nela antes de mim.
E muito menos depois.
Corri.
Ele virou a cabeça quando ouviu meus passos, mas já era tarde: meu punho encontrou o rosto dele com força suficiente para quebrar dois dentes. Ele voou para trás, e eu segui e dei outro. E mais outro e outro.
— Liga para polícia! — gritei para um casal que assistia, chocado. — AGORA!
Fui até Clara. Ela estava escorregando pela parede, a respiração curta, os olhos vermelhos, vidrados.
— Clara… — toquei o ombro dela. — Ei, olha para mim.
Ela tentou focar, mas as pupilas estavam dilatadas.
— T-tá tudo… tudo rodando… — murmurou.
Caiu para frente, direto contra meu peito. Segurei antes que batesse no chão.
A mão dela tremia. A respiração era fraca.
Droga.
Boa-noite-Cinderela.
— Espera aqui um minuto — pedi, mesmo sabendo que ela não conseguia responder.
Levantei a cabeça devagar… e olhei para o filho da puta que tinha encostado nela.
Ele tentou se erguer.
Eu o arrastei pelo colarinho, puxando pelos cabelos, ignorando quando ele gemia ou suplicava.
Empurrei o rosto dele contra a borda metálica da lixeira do beco.
— Você tentou machucar ela. — minha voz estava tão fria que nem parecia humana. — Quis tocar no que não é seu.
Ele balbuciou algo, mas eu enfiei o rosto dele dentro da lata de lixo.
— Ei… olha para mim. Ninguém nunca mais vai te machucar. Eu prometo.
Ela fungou, confusa.
— Q-quem é você…?
— Sou só um amigo — engoli em seco. — Está tudo bem.
— Foi a Isa que te mandou? — perguntou, já meio derrotada pelo cansaço.
— Foi. — respondi. Era o que ela precisava ouvir.
Ela fechou os olhos, finalmente relaxando.
No caminho até o prédio dela, parei numa farmácia.
Peguei a chave dentro da bolsa sem olhar nada além do necessário e a carreguei no colo até o apartamento. Era pequeno. Simples. Triste. Mas limpo.
Deitei-a no sofá. Cobri com a manta jogada ali. Ajeitei o cabelo dela de novo — como se isso pudesse consertar alguma coisa.
Peguei o celular dela, procurei “Isa” e liguei.
— Alô?
— Você é a Isa? — perguntei, disfarçando a voz.
— Sou. Quem é?
— Um colega. A Clara passou mal. Já está em casa. Acho melhor você vir.
— O QUÊ?! Meu Deus, eu tô indo agora!
Desliguei.
Desci as escadas e fiquei do lado de fora, encostado no carro. Cinco minutos depois, Isa chegou correndo, quase tropeçando nos próprios pés.
Só então entrei no carro.
E fui embora.
Mas a imagem dela no beco…
O cheiro dela na minha camisa… O choro...
A voz fraca dizendo “ninguém nunca me achou bonita”
O toque, na minha pele. Ficou na minha cabeça
Eu sabia o que aquilo significava.
Eu estava perdido.
FIM - Pov Adrian

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