Pov- Clara Menezes
A semana começou devagar.
Devagar demais.
Acordei na segunda-feira com a sensação de ter levado uma surra — não só no corpo, mas em algum lugar mais fundo. A cabeça pulsava num latejar constante; a boca estava seca, amarga, como se eu tivesse passado a noite mastigando areia. O estômago reclamava, frouxo, vazio demais, e a pele arrepiava sem motivo, mesmo sob o cobertor.
As lembranças da noite de domingo vinham em pedaços quebrados.
Sem sequência. Sem lógica.
A Isa rindo.
O drink vermelho, doce demais.
O rapaz loiro perto demais, falando perto demais.
Depois disso… nada.
Um apagão denso. Pesado.
Como se alguém tivesse puxado um pano escuro por cima de tudo.
Levantei-me do sofá com cuidado, o chão parecendo instável sob meus pés. Cada passo vinha acompanhado de uma leve tontura — aquela sensação estranha de não confiar totalmente no próprio corpo.
Isa estava sentada à mesa, com o celular nas mãos e olheiras profundas, dessas que denunciam uma noite inteira sem dormir. Quando me viu, largou tudo e veio depressa.
— Meu Deus, Clara… — disse, me puxando para um abraço apertado demais. A voz saiu brava, mas tremida. — Você quase me matou do coração.
— Bom dia… — murmurei, a garganta arranhando.
— Bom dia nada! — ela se afastou só o suficiente para me olhar no rosto. — Alguém me ligou dizendo que você tinha passado mal, que já estava em casa… Quando eu cheguei, você estava apagada, fria, respirando estranho. Eu achei que você fosse morrer ou que tivesse acontecido alguma coisa muito pior.
Pisquei, tentando alinhar os pensamentos.
— Quê? O Lucas… alguém ligou?
— Ligou — ela confirmou, franzindo a testa. — Disse que era “um colega”. A voz era estranha, grossa demais pra ser amiga sua… e definitivamente não era o Lucas. Depois fiquei pensando se não era alguém do bar. Um bartender, talvez. Não faço ideia de quem foi.
Um arrepio subiu pelo meu braço.
— O quê? Eu… hã… — perguntei, insegura.
Isa balançou a cabeça.
— Clara, ontem você mal falava. Estava mole, desorientada. — Ela segurou meu rosto com cuidado, como se eu pudesse quebrar. — Alguém colocou alguma coisa no seu drink. Isso não foi normal. Eu até pensei em te levar ao hospital, mas tinha uma sacola de remédios com instruções de como te medicar.
Engoli em seco. A garganta fechou.
— Você estava com um cheiro estranho — continuou. — Não era bebida. Era… químico. E hoje cedo você tremeu enquanto dormia.
Respirei fundo, tentando acompanhar.
— E o Lucas? — perguntei baixo.
Isa suspirou.
— Eu tentei falar com ele. Liguei, mandei mensagem, falei até com o amigo que estava com vocês ontem. Ninguém sabe onde ele está. Simplesmente sumiu.


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