POV CLARA
O trajeto de táxi até o hotel foi um borrão. Enquanto eu olhava pela janela, minha mente não parava de projetar os flashes daquele dia. Eu sentia o latejar sutil na bunda a cada solavanco do carro. Eu passava a mão pelos meus próprios braços, e era como se ainda pudesse sentir a pressão das cordas de nylon, uma lembrança constante da força do Adrian. Eu nunca tinha sentido tantas sensações ao mesmo tempo; foi bem intenso, mas eu amei cada segundo. Eu amei a forma como ele me reivindicou. O homem que literalmente rasgou minhas roupas para me ter.
Quando chegamos ao hotel, a Isadora me deu "aquele" olhar. Uma mistura de diversão e um " Está viva mulher!?". Eu apenas balancei a cabeça e sussurrei:
— Nem me pergunte. Minhas pernas ainda estão tremendo.
Fui para o quarto enquanto Adrian ia resolver as coisas com o Mathew. Tomei um banho demorado, sentindo a água morna aliviar a dor dos músculos e o ardor das marcas que pintavam minha pele. Ao sair, decidi manter o jogo vivo. Escolhi um vestido de mangas longas e que batia na altura do joelho, o suficiente para esconder os vergões das cordas nas minhas coxas, mas, propositalmente, não vesti calcinha. Se ele queria controle, eu daria a ele um motivo para perder o dele novamente mais tarde.
Ajudei as meninas no banho. Elas estavam radiantes, transbordando aquela energia inesgotável de quem passou o dia batendo perna e brincando. Enquanto eu fazia as Marias-Chiquinhas no cabelo da Geovana, a conversa surgiu, pegando-me totalmente de surpresa.
— Clara? — Ângela começou, sentada na beira da cama, com as pernas balançando. — A gente conversou e a gente queria um irmãozinho.
Eu parei o que estava fazendo na hora. Senti o sangue fugir do rosto e olhei para elas, completamente assustada.
— O quê? — perguntei, com a voz falhando. — Como assim, um irmãozinho?
Ângela deu de ombros, com a maior naturalidade do mundo, como se estivesse pedindo um sorvete:
— Uai, você e o papai têm que dar um irmãozinho para a gente!
Eu soltei uma risada nervosa, sentindo meu rosto queimar tanto que tive certeza de que estava da cor do terno do Adrian. Quase derrubei o elástico de cabelo das mãos.
— Um irmãozinho?
— Sim, um bebê, sabe? — Geovana me olhou, revirando os olhos como se eu fosse lenta para entender as coisas. — Minha professora disse que quando um homem e uma mulher se juntam, nasce um bebê da barriga da mulher.
Meu Deus, como a conversa chegou naquele nível? E naquele assunto? Eu só queria fazer um penteado e agora estou recebendo uma aula de biologia de uma criança de dez anos.
— Como assim? Mas vocês não diziam que não queriam ninguém na vida do papai de vocês? Que só tinha espaço para vocês duas?
As duas se entreolharam, cúmplices. Geovana virou-se para mim com os olhos brilhando.
— Mas você não é "alguém", Clara. Você é a nossa babá.

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