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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 23

Pov Clara

No sábado, tudo ficou ainda mais real.

Era o meu primeiro dia no clube.

Assim que entrei, senti como se tivesse sido engolida por outro planeta.

O som grave vibrava no meu peito, e as luzes azuis e vermelhas cortavam o ar como lâminas vivas.

— Amiga, segue por esse corredor e sobe as escadas. Vai ter uma mulher muito bonita, geralmente usa roupas pretas. Ela vai te ensinar e te vestir. O nome dela é Eleonora.

Eu caminhava pelo corredor após subir as escadas, ainda meio deslumbrada com tudo o que tinha visto lá embaixo, quando ouvi uma voz firme, baixa e bonita me chamando:

— Ei, você. Vem aqui um instante.

Virei devagar.

Eleonora estava escorada na parede, braços cruzados, a máscara preta brilhando sob a luz baixa. A postura era de quem manda no mundo inteiro.

— Tudo bem? — perguntou, como se já soubesse a resposta. — Você é amiga da Cereja?

Pisquei.

— C–Cereja?

Ela riu pelos cantos da boca.

— O codinome dela, querida. Aqui ninguém usa nome real. Vem. Preciso te cadastrar.

Ela girou sobre os saltos altos, e eu só tive tempo de segui-la.

Entramos em uma sala que parecia pertencer a outro universo:

luz amarela e quente; cheiro de madeira polida; uma cadeira preta enorme no centro; uma mesa com uma garrafa de uísque; cortinas grossas que abafavam o som do salão.

O clima ali era… sério. Intenso. Intocável.

Parei na porta, hesitante.

— Isso aqui é… — engoli em seco — a sala do chefe?

Eleonora sorriu, satisfeita por eu perceber.

— Sim. Mas ele não está aqui. Então vamos aproveitar. Sente-se.

Sentei-me devagar na cadeira, que era tão grande que quase engolia meu corpo.

Eleonora pegou um tablet, cruzou as pernas e passou a me analisar como se pudesse ler meus pecados.

— A Cereja falou bastante de você — disse, abrindo um arquivo. — Disse que você não quer ir para os quartos. Que quer ficar no couvert artístico e no bar. Confere?

Assenti.

— Sim. Quero só trabalhar servindo. Nada além disso.

Ela tocou na tela, depois levantou o olhar para mim, direta.

— Aqui dentro, nada acontece sem a sua vontade. Nada. — A voz ficou séria. — Tudo é consensual. Tudo. Você decide até onde vai. Se um dia se interessar por alguma coisa… qualquer coisa… é só me procurar. Entendido?

Meu peito aliviou um pouco.

— Entendi.

Ela me observou por alguns segundos, então inclinou a cabeça.

— Agora… me confirma uma coisa. — A expressão mudou para algo entre curiosidade e diversão. — É verdade que você é virgem?

Meu rosto queimou.

— Eu… sou — admiti, quase em um sussurro.

Os olhos dela brilharam.

Um sorriso lento, perigoso, surgiu no canto da boca.

— Interessante.

— Por quê?

Eleonora deu um pequeno riso.

— Porque geralmente fazem bolões por causa disso.

Arregalei os olhos, extasiada.

— B–Bolões?

— É. — Ela se recostou na cadeira, cruzando as pernas novamente. — E você poderia ganhar até cem mil reais. Dependendo de quem apostar.

Cem mil.

O número explodiu dentro de mim.

Meu coração acelerou como se eu tivesse tomado três latas de energético.

— C–Cem mil…? — minha voz falhou.

— Uhum. — Deu de ombros, como se falasse do preço do pão. — Mas fica tranquila. É opcional. Ninguém força nada. A maioria dos clientes lá embaixo é tranquila. Às vezes só querem conversa em particular. Pergunte à Cereja, ela sabe te orientar.

Respirei fundo, tentando processar.

Eleonora fechou o tablet, levantou-se e foi até um armário embutido na parede.

Abriu-o e puxou uma peça de roupa preta.

Quando virou, eu vi.

Era… linda.

E ousada.

Um macacão de tecido preto brilhante, com decote profundo e recortes laterais que afinavam a cintura — cobria tudo, mas moldava absolutamente cada curva.

Caminhei devagar, quase em câmera lenta, segurando a bandeja com as duas mãos.

Tentando parecer natural, enquanto meu coração batia rápido demais, querendo fugir pela boca.

Um senhor grisalho, elegante, ergueu a taça para mim.

— Oi.

Minha voz saiu num sorriso educado que não combinava com o caos dentro de mim.

— Você é nova, né?

— Sou, sim. Meu primeiro dia.

Ele me observou dos pés à cabeça com uma naturalidade que me tirou o ar.

— Eu percebi. Você é linda. Tem um corpão. Seja bem-vinda.

Agradeci e virei rápido, o rosto queimando. Continuei andando, entregando drinks aqui e ali, fingindo que já tinha trabalhado em lugares mais bizarros do que aquele.

Às vezes, para disfarçar o nervosismo, eu me pegava mexendo o quadril no ritmo da música — como se isso tornasse tudo menos assustador e mais… profissional. Sei lá.

Até que senti uma mão fechar em meu braço.

Minha espinha congelou.

Congelei inteira junto.

Antes que eu conseguisse reagir, Isa surgiu atrás de mim como um relâmpago bonito e mortal:

— Não toca nela. Ela não gosta.

A voz dela cortou o ar.

O homem levantou as mãos, rápido, sorrindo sem graça:

— Desculpa, desculpa. Eu só estava apreciando. Pode trazer outra bebida?

Saí com a bandeja tremendo.

Entreguei o drink.

Sorriso automático.

Profissional.

Mas o lugar onde ele encostou… ainda ardia.

Um arrepio desconfortável percorreu meu braço e desceu pela coluna, deixando claro que naquele mundo brilhante, escuro e perigoso…

Eu ainda estava aprendendo a sobreviver.

Quando voltei para o balcão, outro homem surgiu ao meu lado.

Jovem. Bonito. Sorriso fácil.

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