Pov Clara
No sábado, tudo ficou ainda mais real.
Era o meu primeiro dia no clube.
Assim que entrei, senti como se tivesse sido engolida por outro planeta.
O som grave vibrava no meu peito, e as luzes azuis e vermelhas cortavam o ar como lâminas vivas.
— Amiga, segue por esse corredor e sobe as escadas. Vai ter uma mulher muito bonita, geralmente usa roupas pretas. Ela vai te ensinar e te vestir. O nome dela é Eleonora.
Eu caminhava pelo corredor após subir as escadas, ainda meio deslumbrada com tudo o que tinha visto lá embaixo, quando ouvi uma voz firme, baixa e bonita me chamando:
— Ei, você. Vem aqui um instante.
Virei devagar.
Eleonora estava escorada na parede, braços cruzados, a máscara preta brilhando sob a luz baixa. A postura era de quem manda no mundo inteiro.
— Tudo bem? — perguntou, como se já soubesse a resposta. — Você é amiga da Cereja?
Pisquei.
— C–Cereja?
Ela riu pelos cantos da boca.
— O codinome dela, querida. Aqui ninguém usa nome real. Vem. Preciso te cadastrar.
Ela girou sobre os saltos altos, e eu só tive tempo de segui-la.
Entramos em uma sala que parecia pertencer a outro universo:
luz amarela e quente; cheiro de madeira polida; uma cadeira preta enorme no centro; uma mesa com uma garrafa de uísque; cortinas grossas que abafavam o som do salão.
O clima ali era… sério. Intenso. Intocável.
Parei na porta, hesitante.
— Isso aqui é… — engoli em seco — a sala do chefe?
Eleonora sorriu, satisfeita por eu perceber.
— Sim. Mas ele não está aqui. Então vamos aproveitar. Sente-se.
Sentei-me devagar na cadeira, que era tão grande que quase engolia meu corpo.
Eleonora pegou um tablet, cruzou as pernas e passou a me analisar como se pudesse ler meus pecados.
— A Cereja falou bastante de você — disse, abrindo um arquivo. — Disse que você não quer ir para os quartos. Que quer ficar no couvert artístico e no bar. Confere?
Assenti.
— Sim. Quero só trabalhar servindo. Nada além disso.
Ela tocou na tela, depois levantou o olhar para mim, direta.
— Aqui dentro, nada acontece sem a sua vontade. Nada. — A voz ficou séria. — Tudo é consensual. Tudo. Você decide até onde vai. Se um dia se interessar por alguma coisa… qualquer coisa… é só me procurar. Entendido?
Meu peito aliviou um pouco.
— Entendi.
Ela me observou por alguns segundos, então inclinou a cabeça.
— Agora… me confirma uma coisa. — A expressão mudou para algo entre curiosidade e diversão. — É verdade que você é virgem?
Meu rosto queimou.
— Eu… sou — admiti, quase em um sussurro.
Os olhos dela brilharam.
Um sorriso lento, perigoso, surgiu no canto da boca.
— Interessante.
— Por quê?
Eleonora deu um pequeno riso.
— Porque geralmente fazem bolões por causa disso.
Arregalei os olhos, extasiada.
— B–Bolões?
— É. — Ela se recostou na cadeira, cruzando as pernas novamente. — E você poderia ganhar até cem mil reais. Dependendo de quem apostar.
Cem mil.
O número explodiu dentro de mim.
Meu coração acelerou como se eu tivesse tomado três latas de energético.
— C–Cem mil…? — minha voz falhou.
— Uhum. — Deu de ombros, como se falasse do preço do pão. — Mas fica tranquila. É opcional. Ninguém força nada. A maioria dos clientes lá embaixo é tranquila. Às vezes só querem conversa em particular. Pergunte à Cereja, ela sabe te orientar.
Respirei fundo, tentando processar.
Eleonora fechou o tablet, levantou-se e foi até um armário embutido na parede.
Abriu-o e puxou uma peça de roupa preta.
Quando virou, eu vi.
Era… linda.
E ousada.
Um macacão de tecido preto brilhante, com decote profundo e recortes laterais que afinavam a cintura — cobria tudo, mas moldava absolutamente cada curva.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido