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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 24

Pov Clara

Quando voltei para o balcão, outro homem surgiu ao meu lado.

Jovem. Bonito. Sorriso fácil.

— Você está disponível? Preciso conversar com alguém.

— Claro… estou.

Antes que a ansiedade subisse, Isa se aproximou e murmurou no meu ouvido:

— Pode ir. Ele é gay. Zero perigo.

O alívio foi imediato.

Segui com ele até uma sala reservada.

A luz ali era rosada, quente, confortável. A música, mais baixa. O ar, mais calmo.

A sala privada parecia um universo paralelo:

sofá grande de veludo azul, almofadas fofas, cheiro de champanhe e velas aromáticas.

Sentei-me na pontinha, encolhida, sem saber muito bem qual era o protocolo.

Ele largou o blazer, afrouxou a gravata e se jogou no sofá.

— Pelo amor de Deus, mulher, senta direito. Você parece uma estátua sendo leiloada. Relaxa.

Dei uma risadinha tímida e me ajeitei.

Ele pediu uma garrafa de champanhe.

Quando chegou, ergueu a taça.

— Vamos celebrar seu primeiro dia no reino do absurdo.

Aceitei com cuidado. Não queria beber muito, mas também não queria parecer deslocada.

— Meu Deus, eu precisava disso. Você não tem ideia. Meu dia foi um desastre.

— O dia foi ruim? — perguntei, puxando as pernas um pouco para dentro.

— Um desastre digno de novela mexicana. — Colocou a mão no peito. — Meu boy terminou comigo.

Arregalei os olhos.

— Mentira!

— Verdade. E ainda me chamou de… — ergueu o dedo, dramático — “frívolo”. Quem usa essa palavra em 2025? Como se ele fosse um poeta renascentista.

Eu ri alto.

Alto demais.

Foi a primeira risada genuína da noite.

Lucas continuou:

— Tudo porque eu comprei um vibrador novo. Um caríssimo. Importado. Maravilhoso. O homem teve ciúme de um vibrador! Eu mereço isso?

— Do vibrador?!

— Exato! — Abriu os braços. — Como se eu tivesse trocado ele por um robô sexual com luz de LED!

Gargalhei. Gargalhei até as costas doerem.

Ele sorriu, satisfeito por ter arrancado aquilo de mim.

— Você não é desse mundo, né? — Lucas me observou com um carinho verdadeiro. — Me conta. O que você está fazendo aqui de verdade?

Respirei fundo.

— Eu preciso juntar dinheiro para fazer um intercâmbio. Quatro parcelas de dois mil e quinhentos reais e a faculdade de Psicologia… mil e quinhentos por mês.

Ele ergueu a taça.

— A Mel da Psicologia. Eu amei. Você já escolheu um codinome?

Corri as mãos pela saia.

— Mel? Não sei se combina…

— Combina. Você tem energia doce e macia, sua cor é dourada e ainda resolve problemas.

Minhas bochechas queimaram. Larguei a taça e levei as mãos ao rosto, envergonhada.

— Você é bem tímida, né? Relaxa, gata! — ele riu. — Eu sou dentista. E, antes que pergunte, sim, ganho bem. E sim, já transei no consultório. Não recomendo. Os instrumentos fazem barulho demais.

Soltei outra risada descontrolada.

Conversamos por duas horas.

Rimos.

Contamos histórias.

Viramos amigos de um jeito imediato e improvável.

No final, ele segurou minha mão.

— Eu gostei de você, Mel. A partir de hoje, vou te adotar. Sempre que vier trabalhar, me procura. Eu te protejo, te apresento as pessoas certas e te livro dos tarados. Aqui dentro, você só faz o que quiser. Só você manda no seu corpo. Está claro?

Assenti.

— Está claro.

— Boa menina. — Ele piscou. — Agora vamos voltar antes que sua amiga ache que eu te converti para o lado glitter da força.

Ri e fui atrás dele.

Senti-me… leve.

E muito, muito mais segura.

Continuei trabalhando.

Levei taças, recolhi pedidos, tentei parecer profissional… mesmo com o salto alto arrancando minha alma pelos pés.

Após um tempo, vi Eleonora acenando para mim na área VIP superior.

— Mel — ela chamou. — Mesa nove pediu serviço.

Meu coração congelou por um segundo.

Ainda não estava acostumada com o nome “Mel”.

A mesa era enorme, redonda, com cinco homens de ternos caros e máscaras minimalistas. Jogavam cartas, riam alto, apostavam quantias que davam para pagar metade do meu intercâmbio… talvez mais.

Servi as bebidas discretamente.

Foi impossível não notar: um deles, de blazer azul-marinho, puxou uma ficha escondida na manga da camisa.

Uma ficha vermelha.

Alta. Muito alta.

Ele fingiu que a tinha tirado da mesa.

CAP 24. Clara se Torna 'Mel" 1

CAP 24. Clara se Torna 'Mel" 2

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