Pov Clara
Quando voltei para o balcão, outro homem surgiu ao meu lado.
Jovem. Bonito. Sorriso fácil.
— Você está disponível? Preciso conversar com alguém.
— Claro… estou.
Antes que a ansiedade subisse, Isa se aproximou e murmurou no meu ouvido:
— Pode ir. Ele é gay. Zero perigo.
O alívio foi imediato.
Segui com ele até uma sala reservada.
A luz ali era rosada, quente, confortável. A música, mais baixa. O ar, mais calmo.
A sala privada parecia um universo paralelo:
sofá grande de veludo azul, almofadas fofas, cheiro de champanhe e velas aromáticas.
Sentei-me na pontinha, encolhida, sem saber muito bem qual era o protocolo.
Ele largou o blazer, afrouxou a gravata e se jogou no sofá.
— Pelo amor de Deus, mulher, senta direito. Você parece uma estátua sendo leiloada. Relaxa.
Dei uma risadinha tímida e me ajeitei.
Ele pediu uma garrafa de champanhe.
Quando chegou, ergueu a taça.
— Vamos celebrar seu primeiro dia no reino do absurdo.
Aceitei com cuidado. Não queria beber muito, mas também não queria parecer deslocada.
— Meu Deus, eu precisava disso. Você não tem ideia. Meu dia foi um desastre.
— O dia foi ruim? — perguntei, puxando as pernas um pouco para dentro.
— Um desastre digno de novela mexicana. — Colocou a mão no peito. — Meu boy terminou comigo.
Arregalei os olhos.
— Mentira!
— Verdade. E ainda me chamou de… — ergueu o dedo, dramático — “frívolo”. Quem usa essa palavra em 2025? Como se ele fosse um poeta renascentista.
Eu ri alto.
Alto demais.
Foi a primeira risada genuína da noite.
Lucas continuou:
— Tudo porque eu comprei um vibrador novo. Um caríssimo. Importado. Maravilhoso. O homem teve ciúme de um vibrador! Eu mereço isso?
— Do vibrador?!
— Exato! — Abriu os braços. — Como se eu tivesse trocado ele por um robô sexual com luz de LED!
Gargalhei. Gargalhei até as costas doerem.
Ele sorriu, satisfeito por ter arrancado aquilo de mim.
— Você não é desse mundo, né? — Lucas me observou com um carinho verdadeiro. — Me conta. O que você está fazendo aqui de verdade?
Respirei fundo.
— Eu preciso juntar dinheiro para fazer um intercâmbio. Quatro parcelas de dois mil e quinhentos reais e a faculdade de Psicologia… mil e quinhentos por mês.
Ele ergueu a taça.
— A Mel da Psicologia. Eu amei. Você já escolheu um codinome?
Corri as mãos pela saia.
— Mel? Não sei se combina…
— Combina. Você tem energia doce e macia, sua cor é dourada e ainda resolve problemas.
Minhas bochechas queimaram. Larguei a taça e levei as mãos ao rosto, envergonhada.
— Você é bem tímida, né? Relaxa, gata! — ele riu. — Eu sou dentista. E, antes que pergunte, sim, ganho bem. E sim, já transei no consultório. Não recomendo. Os instrumentos fazem barulho demais.
Soltei outra risada descontrolada.
Conversamos por duas horas.
Rimos.
Contamos histórias.
Viramos amigos de um jeito imediato e improvável.
No final, ele segurou minha mão.
— Eu gostei de você, Mel. A partir de hoje, vou te adotar. Sempre que vier trabalhar, me procura. Eu te protejo, te apresento as pessoas certas e te livro dos tarados. Aqui dentro, você só faz o que quiser. Só você manda no seu corpo. Está claro?
Assenti.
— Está claro.
— Boa menina. — Ele piscou. — Agora vamos voltar antes que sua amiga ache que eu te converti para o lado glitter da força.
Ri e fui atrás dele.
Senti-me… leve.
E muito, muito mais segura.
Continuei trabalhando.
Levei taças, recolhi pedidos, tentei parecer profissional… mesmo com o salto alto arrancando minha alma pelos pés.
Após um tempo, vi Eleonora acenando para mim na área VIP superior.
— Mel — ela chamou. — Mesa nove pediu serviço.
Meu coração congelou por um segundo.
Ainda não estava acostumada com o nome “Mel”.
A mesa era enorme, redonda, com cinco homens de ternos caros e máscaras minimalistas. Jogavam cartas, riam alto, apostavam quantias que davam para pagar metade do meu intercâmbio… talvez mais.
Servi as bebidas discretamente.
Foi impossível não notar: um deles, de blazer azul-marinho, puxou uma ficha escondida na manga da camisa.
Uma ficha vermelha.
Alta. Muito alta.
Ele fingiu que a tinha tirado da mesa.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido