Pov- Adrian Cavallieri
Clara estava deitada de bruços na minha cama, o cabelo caindo pelos ombros, as pernas grossas abertas para mim como se tivesse nascido para ser tocada. Eu a segurava pelo quadril, inclinava meu corpo sobre o dela e beijava sua nuca enquanto sentia seu calor pulsando contra o meu. O cheiro dela… doce, quente, viciante.
Desci a mão pela curva da bunda dela, firme, encaixando meus dedos na pele macia. Ela arqueou devagar, oferecendo-se.
Eu a posicionei, pronto para penetrá-la finalmente... Quando o toque estridente do celular cortou tudo como uma navalha.
Abri os olhos, frustrado, tenso, respirando como um animal preso.
O alarme.
Seis da manhã.
Mordi o interior da bochecha e joguei o braço para trás, irritado. A cueca estava molhada. De novo. Toda maldita noite aquela garota invadia meus sonhos.
Levantei-me, tomei um banho gelado e deixei a água descer pelas costas, enquanto tentava lavar a tensão. Não adiantou porra nenhuma. Saí ainda pensando nela, no cabelo, no jeito que tratava as meninas, nas fotos que Adelaide me enviou delas brincando na piscina, ou de todas as vezes que espionei pelas câmeras para saber como elas estavam ou… no jeito que quase foi abusada naquele beco.
Fazia duas semanas que tinha viajado, já havia fechado dois negócios em dois continentes diferentes e faltava o último. Em breve poderia voltar para aquela bunda gostosa... ops quer dizer para minhas filhas maravilhosas.
— Senhor Cavallieri, o voo para Seul é às oito. Já deixei as reservas de hotel e as pastas com os relatórios da TechGlobal na mala preta — disse Mathew abrindo a porta do quarto do hotel, onde estava.
Ásia - Coreia do Sul e depois Quenia na África e poderia voltar para minha casa.
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Depois de três reuniões no mesmo dia.
Advogados. Programadores. Governos. Parcerias.
Eu consegui fechar o acordo para o novo software de integração criptográfica da TechGlobal. Algo gigantesco. Algo que qualquer outro CEO daria risada de felicidade.
Eu simplesmente assinei e saí cansado.
Se fosse um ano atrás, eu teria ido comemorar com uma coreana linda, levaria para uma suíte, tiraria as roupas dela e esqueceria o mundo. Era assim que eu funcionava. Fome, conquista, sexo, poder.
Mas agora?
Agora eu voltava para o hotel, colocava gelo em um copo com Wisk, sentava-se na cama e pensava na porra da Clara rindo na minha cozinha.
Última parada África - Negócios milionários
Quinta- Feira, voo direto para a África do Sul.
Sexta-feira, última reunião com investidores.
Fechamos o acordo para a GoldBet, minha nova empresa de apostas esportivas.
Uma plataforma que prometia lucro de setenta bilhões por ano quando estabilizada.
Setenta bilhões.
E sabe o que senti?
Nada.
Absolutamente nada.
Eu deveria estar comemorando como um rei. Mas o único pensamento na minha cabeça era:
“Será que Clara está comendo direito?” “Será que Adelaide não brigou com ela de novo?” “Será que aquelas pernas grossas ainda entram na minha cozinha?”
Ridículo.
Eu estava ridículo. Estava em uma casa de swing com empresários eles queriam comemorar.
Eu fui levado para um clube privado, uma espécie de casa de orgia escondida dentro de um hotel cinco estrelas. O lugar era luxuoso, vermelho, dourado, luz baixa. Mulheres negras lindíssimas, a pele brilhando como ouro polido, dançavam nuas nos palcos. Peitos balançavam, quadris marcavam o ritmo, perfume doce e suor no ar.
O Adrian antigo teria amado aquilo.
Teriam precisado me arrancar dali à força.
Mas eu fiquei sentado com um copo de uísque, encarando o vazio enquanto uma mulher linda como o pecado rebolava na minha frente tentando chamar minha atenção.
Nenhum tesão.
Nenhum interesse.
Apenas uma irritação crescente.
Porque, cada vez que eu piscava, eu via Clara.
Clara com aquele corpo que me tirava o ar.
Clara no meu sofá.
Clara dormindo com as meninas.
Clara dizendo “Senhor” com aquela voz suave que me quebrava inteiro.
— Que tedioso você, hein — Seus dedos desceram pelo meu rosto. — Você tem toda a pinta daquele tipo de homem que sempre conseguiu tudo. Você tem poder, dinheiro, beleza… uma conta bancária deliciosa. Do tipo que só estala os dedos e o mundo cai aos seus pés. Inclusive mulheres. Todas. O que essa tem de especial?
Eu fechei a mandíbula com força.
— Nunca me preocupei com nada. Se eu quero, eu pego. Não preciso pedir permissão. Se me atrai, eu invisto. Se não consigo… eu compro. Nada nunca foi obstáculo para mim. Mas ela… — respirei fundo — ela me causa uma sensação diferente de tudo que eu já experimentei. Está nos meus pensamentos. Nos meus sonhos. Não sai da minha cabeça.
E eu contei.
Contei sobre ela, sobre minhas filhas, sobre o que tinha acontecido.
Coisa que eu não contava para ninguém.
Mas saiu.
Fluiu.
Porque estava preso dentro de mim como uma pressão prestes a estourar.
Beyoncé ouviu tudo com uma paciência estranha para alguém daquele lugar. E então se virou no meu colo ficando de lado, pegou a garrafa de The Macallan 18 anos, bebeu uma dose generosa e encheu o meu copo e voltou a olhar para mim.
— Adrian, lá vai minha teoria. Eu trabalho neste clube, mas cursei três semestres de psicanálise, e eu escuto muita gente bêbada e confusa todos os dias. Vou te dizer uma coisa simples: entre paixão e desejo existe uma linha muito fina. Uma linha tão fina que você pode confundir tudo.
Ela aproximou o rosto do meu.
— Vamos supor que você é o ponto A. Essa mulher é o ponto B. Você a deseja. Muito. Mas não sabe o porquê e nem o que fazer? E é exatamente por isso que a quer, porque ela não é do seu mundo. Ela é simples. É fora do padrão. É diferente de tudo que você já levou para a cama ou teve na sua vida perfeccionista. Ela é a babá das suas filhas e a primeira vez que a viu direito estava dentro da sua piscina exposta, vulnerável. E isso bagunça teu cérebro perfeito. — Ela deu um pequeno sorriso enquanto fazia gestos com as mãos — No fundo, você não sabe, mas seu sistema nervoso reage: “O que ela é?”, “inocente demais”, “eu posso estragar tudo”. É isso que está te travando. Esses talvez.
Eu fiquei em silêncio.
O coração bateu rápido demais que pude sentir a mudança de ritmo através de uma dor aguda. E foi a primeira vez que percebi que eu não estava no controle de nada.
— Depois que você tiver essa mulher — continuou Beyoncé, com a voz baixa, certeira — você vai descobrir o que realmente sente. Porque você não a conhece o suficiente para amar. Mas sabe o suficiente para desejar.
Eu a encarei, confuso. E, ao mesmo tempo que fazia sentido… nada fazia.
— Então eu tenho que a ter? — perguntei, quase em um sussurro.
— É desejo, Adrian. Puro. Intenso. E você vai ter que lidar com isso… ou saciá-lo.
— Preciso dela, então, custe o que custar.
Ela sorriu como quem já tinha visto isso mil vezes.
— Sim, se conseguir.

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