POV/ ADRIAN CAVALLIERI
Eu sempre acreditei que o controle era a única religião capaz de manter um homem de pé. Durante anos, construí um império de mármore e gelo, onde cada peça se movia exatamente como eu ordenava. Eu tinha tudo — ou pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo enquanto olhava para os meus bilhões. Mas a verdade, crua e silenciosa, é que eu não tinha nada. Eu era um rei governando um castelo vazio, cercado por fantasmas de uma frieza que eu mesmo cultivei.
Até ela.
Clara entrou na minha vida como um furacão desastrado, quebrando meus protocolos e desintegrando a minha armadura com um sorriso que eu não merecia. Ela não foi apenas a babá das minhas filhas; ela foi a luz que denunciou a escuridão da minha alma. E hoje, 21 de janeiro, enquanto eu a via caminhar em minha direção sob o sol poente, entendi que o meu maior triunfo não foi assinar o contrato com a máfia italiana ou dominar o mercado financeiro. Meu maior triunfo foi fazê-la ficar.
Ao vê-la naquele vestido de seda, a curva do ventre — onde Helena e Isadora já reivindicavam seu espaço — me deu uma vertigem que nenhum poder jamais ofereceu. Eu estava rendido. O "Imperador" estava de joelhos, não por derrota, mas por adoração.
— Clara — eu disse, e minha própria voz soou estranha para mim, despida de toda a autoridade. — Eu achava que eu comandava cada milímetro da minha vida. Mas a verdade é que eu não era bom o suficiente para estar na sua.
Olhei para Ângela e Geovana, radiantes, e depois para a mulher que aceitou carregar o meu sangue e o meu sobrenome. Eu menti, manipulei e agi como o monstro que fui treinado para ser apenas para não perdê-la. E, milagrosamente, ela me escolheu.
Quando o anúncio dos nomes das bebês foi feito e Isadora desabou em lágrimas sobre o ventre da minha esposa, senti um nó na garganta que eu nem sabia que era capaz de ter. O meu mundo, antes uma linha reta e cinza, agora era um caos colorido de cinco mulheres que, eu sabia bem, governariam cada batida do meu coração. Mathew brincou que eu seria o imperador mais comandado do mundo. Ele não sabe o quanto eu anseio por essa submissão.
A noite não terminou com a fúria que costumava marcar nossos encontros. Não houve a pressa da posse, mas a calma da eternidade.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido