Pov Adrian
Subi pela escada lateral até o mezanino, o ponto mais alto do clube, onde ficava o escritório. De lá, eu podia ver todo o club e o couvert, onde apenas eu e Eleonora podíamos circular. Tinha vestido meu terno branco impecável.
A música pulsava, grave, insistente. As luzes vermelhas cortavam ar. Corpos dançando, máscaras brilhando, suor, bebida, vozes, sussurros.
Sentei-me em um cadeira e peguei um copo de whisky, Não sentia a libertação que o BDSM me dava.
Ouvi o barulho do salto se aproximando antes de ela chegar. Eleonora parou ao meu lado, ajeitando a roupa.
—Você estava bem intenso hoje!
— Me desculpe por qualquer coisa. — disse sincero — A casa está cheia hoje — comentei desviando o assunto.
— O clube está bombando e com as novas garotas isso vai aumentar a popularidade.
Não respondi.
Ela franziu o cenho.
— O que está acontecendo com você?
Esfreguei o maxilar, irritado.
— Eu não sei, Eleonora —Eu ri um riso amargo, curto — Talvez eu esteja ficando doido.
Ela me observou com mais atenção.
— Quer que eu te mostre as novas meninas? Entraram cinco hoje. Nomes interessantes como te disse.
Ela apontou com o dedo as garotas. Ameixa, Uva, Leoparda… uma mais bonita do que a outra.
Eleonora olhou a prancheta digital novamente.
— …Mel — ela apontou discretamente para o andar de baixo — Ali, ó. A que está de macacão preto perto do bar é a Mel.
Acompanhei o gesto.
E então eu vi.
Aquela bunda redonda. Exagerada. Provocante. As curvas grandes, cheias, convidativas. O macacão preto colado demais, marcando cada centímetro. A máscara branca. O cabelo castanho… com mechas vermelhas?
Meu coração bateu tão forte que o peito pareceu pequeno demais para segurar o impacto. Senti a pulsação subir para o pescoço, latejando nas têmporas com um martelar doloroso.
Um frio cortante percorreu minha espinha não frio de medo e sim como um choque elétrico mal encaixado.
— Caralho… — sussurrei, congelado.
Meu estômago virou, como se algo ácido subisse queimando a garganta. A adrenalina entrou como uma facada líquida nas veias.
Levantei-me, inclinando o corpo para a frente, e me escorei na mureta de vidro. A raiva subiu rápida, grossa, ardida, como vômito forçando saída. Minha visão tremeu um pouco aquele tipo de tontura que deixa o mundo com bordas borradas escuras.
Aquela silhueta.
Aquele andar.
Aquele jeito desajeitado de ajustar a roupa.
Aquela cintura.
Meu corpo inteiro travou como se músculos do pescoço aos ombros tivessem sido puxados por ganchos de metal.
— Eleonora… quem é aquela? — minha voz saiu baixa, mas rasgada.
— A Mel — ela repetiu. — Primeira noite dela. A Cereja trouxe. Acho que ela se chama… Lara? Laura?
Virei o rosto devagar, como se cada movimento puxasse um fio tenso dentro da cabeça.
— Clara?
Eleonora estalou os dedos, lembrando.
— Isso! Clara! Ela mesma.
O sangue subiu tão rápido que senti calor nos ouvidos, um calor febril, quase ardido.
O ciúme veio como uma onda viscosa, pesada como se veneno tivesse enchendo o peito. Meu maxilar se fechou com tanta força que ouvi o estalo interno, e minhas mãos formigaram.
Percebi tarde demais que estava apertando o copo.
O vidro estourou, o estalo seco cortou o ar. O líquido escorreu pelos meus dedos, e só quando ardeu no corte é que percebi que me machuquei.
Eleonora deu um salto.
— Adrian! Meu Deus, sua mão... —
— O que essa mulher está fazendo no meu clube? — rosnei, ignorando o sangue quente descendo pelo pulso.
Antes que Eleonora respondesse, meus olhos voltaram para o salão. E aí eu vi.
Um cliente encostou nela. Segurou o braço dela. O som do salão sumiu.
Só ouvi meu próprio coração rápido demais, forte demais, a ponto de embaralhar minha visão.
O tipo de batimento que não tem nada de normal.
O tipo que anuncia destruição como se eu fosse explodir de dentro para fora.
O sangue jorrava da minha mão e eu não sentia dor nenhuma. Nada. Era como se a pele tivesse virado pedra.
Mas o peito… o peito ardia. Uma pressão quente, crescente, como se alguém tivesse enfiado a mão dentro de mim e estivesse apertando meu coração com força.
Passei a mão ensanguentada pelo rosto um gesto instintivo, raivoso. O sangue quente manchou minha testa, desceu pela sobrancelha, escorreu perto da boca. Nem percebi que sujei meu próprio rosto. Só senti o calor.
Olhei meu reflexo no espelho lateral do mezanino. Por um segundo, não me reconheci.
— Que porra é essa… — sussurrei para mim mesmo. — Que porra eu tô sentindo?
Eleonora se aproximou devagar, as mãos erguidas.
— Adrian… calma. Calma. Respira…
Mas eu já não respirava direito fazia minutos.
Saí do mezanino como um furacão. Um impulso bruto, instintivo. O sangue escorria pelos meus dedos, pingando no corrimão, no chão, na minha roupa. Eleonora correu atrás de mim.
Entrei no escritório e bati a porta com tanta força que a madeira gemeu.
Um segundo depois:
A mão em cima da mesa jogando tudo no chão.
A garrafa. O porta-lápis. Notebook. Papeis e documentos. Chutei a cadeira. Depois outra. Vidro. Madeira. Metal.
Eu destruía tudo enquanto respirava como um animal preso, arfando, o coração explodindo dentro do peito numa frequência que parecia errada, perigosa.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido