Pov - ADRIAN / IMPERADOR
A porta rangeu antes mesmo que eu autorizasse a entrada.
E então Cereja entrou, ocupando o quarto como se tivesse plena consciência do efeito que causava. O vestido vermelho grudava no corpo curto demais para qualquer ambiente civilizado, decote profundo o bastante para testar a minha paciência. As costas nuas, o rabo de cavalo alto puxava o rosto para trás, expondo cada detalhe da maquiagem quase impecável.
Mas o que me chamou atenção não foi nada disso.
Foi o jeito que ela olhava para mim.
Sem medo. Sem submissão. Sem a menor porra da reverência que todos os outros funcionários tinham.
Aquilo sempre foi irritante.
Hoje, pela primeira vez, era útil.
Eu estava sentado na poltrona de couro, a mão direita enfaixada lembrança fresca do copo que eu havia esmagado.
Cereja entrou no meu quarto privado, os olhos percorreram o ambiente, absorvendo tudo com uma mistura de curiosidade e respeito. Então soltou um “uau”, baixo e sincero, como se tivesse escapado sem permissão.
— “Uau”, né? — resmunguei.
— É… intenso — respondeu. — Muito intenso.
Se ela soubesse o quanto.
Ela deu um passo à frente, juntando as mãos diante do corpo.
— O que devo fazer? Quer que eu tire a roupa? Ou...
— Não. — a interrompi seco — Não te chamei para isso.
Ela franziu a testa confusa. Por que mais estaria ali né?
— Então… o que você quer de mim?
— De você, nada. — Fiz um gesto vago. — Quero falar sobre a sua amiga.
— Minha amiga? Qual delas?
— A Mel.
Ah.
Ali estava a mudança.
O corpo dela ficou rígido.
Os olhos se estreitaram como lâminas.
E a postura… puta que pariu. Pronta para morder alguém pela jugular.
Interessante.
— Por quê? — perguntou.
— Quero conhecê-la melhor.
— Por quê? — repetiu, mais forte.
— Porque sim. Eu simplesmente a quero. — Sorri de lado, provocando.
Ela não sorriu. Não se moveu. Não recuou.
— Não faço esse tipo de serviço. E ela, menos ainda. — Cruzou os braços. — Então desembucha.
— Porque eu sou o dono — falei, sem paciência. — E posso ter quem eu quiser.
Ela riu. Não de nervoso. Riu porque achou ridículo.
— Você acha que isso me impressiona? — perguntou. — Eu não vou vender minha amiga para você. Nem hoje. Nem nunca. Nem por dinheiro, nem por ordem, nem por porra nenhuma.
É.
Ali tinha algo diferente.
Algo… raro.
— Eu não quero transar com ela — falei devagar. — Quero descobrir o que ela é.
— Sei…? — estreitou os olhos mais ainda. — Então por que está falando disso comigo?
— Porque você é a ponte. E quero que seja de forma limpa.
— Eu não sou cafetina, Imperador — Ela riu curto.
— Não estou comprando. Só quero conversar com ela.
— E por que eu acreditaria?
— Você sabe que, se eu quisesse sexo, poderia ter qualquer uma. Até você. — Apontei.
Ela inclinou a cabeça e ergueu o queixo me encarando fixamente.
— É. Poderia. Mas eu não estou à venda. E ela, muito menos. — Deu um passo à frente. — E se você acha que vou ser ingênua o suficiente para acreditar nessa historinha de “quero conhecer” … está delirando.
A dor na minha mão pulsou.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido