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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 29

Pov - ADRIAN / IMPERADOR

A porta rangeu antes mesmo que eu autorizasse a entrada.

E então Cereja entrou, ocupando o quarto como se tivesse plena consciência do efeito que causava. O vestido vermelho grudava no corpo curto demais para qualquer ambiente civilizado, decote profundo o bastante para testar a minha paciência. As costas nuas, o rabo de cavalo alto puxava o rosto para trás, expondo cada detalhe da maquiagem quase impecável.

Mas o que me chamou atenção não foi nada disso.

Foi o jeito que ela olhava para mim.

Sem medo. Sem submissão. Sem a menor porra da reverência que todos os outros funcionários tinham.

Aquilo sempre foi irritante.

Hoje, pela primeira vez, era útil.

Eu estava sentado na poltrona de couro, a mão direita enfaixada lembrança fresca do copo que eu havia esmagado.

Cereja entrou no meu quarto privado, os olhos percorreram o ambiente, absorvendo tudo com uma mistura de curiosidade e respeito. Então soltou um “uau”, baixo e sincero, como se tivesse escapado sem permissão.

— “Uau”, né? — resmunguei.

— É… intenso — respondeu. — Muito intenso.

Se ela soubesse o quanto.

Ela deu um passo à frente, juntando as mãos diante do corpo.

— O que devo fazer? Quer que eu tire a roupa? Ou...

— Não. — a interrompi seco — Não te chamei para isso.

Ela franziu a testa confusa. Por que mais estaria ali né?

— Então… o que você quer de mim?

— De você, nada. — Fiz um gesto vago. — Quero falar sobre a sua amiga.

— Minha amiga? Qual delas?

— A Mel.

Ah.

Ali estava a mudança.

O corpo dela ficou rígido.

Os olhos se estreitaram como lâminas.

E a postura… puta que pariu. Pronta para morder alguém pela jugular.

Interessante.

— Por quê? — perguntou.

— Quero conhecê-la melhor.

— Por quê? — repetiu, mais forte.

— Porque sim. Eu simplesmente a quero. — Sorri de lado, provocando.

Ela não sorriu. Não se moveu. Não recuou.

— Não faço esse tipo de serviço. E ela, menos ainda. — Cruzou os braços. — Então desembucha.

— Porque eu sou o dono — falei, sem paciência. — E posso ter quem eu quiser.

Ela riu. Não de nervoso. Riu porque achou ridículo.

— Você acha que isso me impressiona? — perguntou. — Eu não vou vender minha amiga para você. Nem hoje. Nem nunca. Nem por dinheiro, nem por ordem, nem por porra nenhuma.

É.

Ali tinha algo diferente.

Algo… raro.

— Eu não quero transar com ela — falei devagar. — Quero descobrir o que ela é.

— Sei…? — estreitou os olhos mais ainda. — Então por que está falando disso comigo?

— Porque você é a ponte. E quero que seja de forma limpa.

— Eu não sou cafetina, Imperador — Ela riu curto.

— Não estou comprando. Só quero conversar com ela.

— E por que eu acreditaria?

— Você sabe que, se eu quisesse sexo, poderia ter qualquer uma. Até você. — Apontei.

Ela inclinou a cabeça e ergueu o queixo me encarando fixamente.

— É. Poderia. Mas eu não estou à venda. E ela, muito menos. — Deu um passo à frente. — E se você acha que vou ser ingênua o suficiente para acreditar nessa historinha de “quero conhecer” … está delirando.

A dor na minha mão pulsou.

Parecia um exército inteiro protegendo uma única pessoa. E aquilo… eu respeitava.

— Ambiciosa — murmurei.

— Realista.

— E como eu provo que vou cumprir?

Ela puxou o guardanapo de volta, acrescentou algo e colocou novamente sobre a mesa.

— Você vai assinar pode ser com o cod nome. E eu assino com o meu verdadeiro.

— Amanhã autêntico.

— E se você quebrar qualquer linha desse acordo… — deu um passo tão perto que senti o perfume — …você vai me dar a posse desse clube.

Eu ri.

Não porque era engraçado.

Mas porque era absolutamente insano.

— Fechado.

Peguei a caneta.

Ela assinou primeiro: Isadora Alves Ferreira.

Assinei abaixo: Imperador- dono do Ambrosia club

Ela encarou o papel, depois a mim.

— Eu sou amiga dela. De verdade. — A voz saiu baixa, firme e perigosa. — Não existe nada no mundo que eu não faça por ela. Se você machucar a minha amiga… — olhou bem nos meus olhos — eu acabo com você.

— Vou esperar aqui amanhã as 23h— respondi.

Ela virou de costas e saiu.

A porta se fechou.

Fiquei sozinho.

Com a mão latejando. E com uma verdade queimando na garganta:

Foi a primeira vez que eu fiquei naquele quarto com uma mulher…

…sem usá-la. Sem tê-la. Sem transformá-la em um objeto humano.

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