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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 31

Entre dois Mundos

POV Clara

Eu saí do quarto do Imperador com as pernas tremendo.

Tremendo de verdade.

Como se cada passo fosse, ao mesmo tempo, leve demais e pesado demais. Como se meu corpo não estivesse totalmente sob meu comando. A pele ainda arrepiada. O coração disparado. A respiração curta, falha. E, dentro de mim… um redemoinho que eu nunca tinha sentido antes.

Nunca.

Na minha vida inteira, nunca senti aquele formigamento estranho entre minhas pernas, um calor novo, quase assustador. Eu sempre tive repulsa ao toque, ao contato físico, ao simples fato de imaginar alguém me tocando daquele jeito. Mas agora… agora era diferente.

Eu queria.

Queria mais.

Queria que ele tivesse continuado.

A lembrança do gelo contra a minha pele ainda me fazia estremecer. O jeito como ele se aproximava, invadindo o meu espaço sem pedir licença. O tom da voz firme, baixo, carregado de intenção. Aquela presença esmagadora, dominante… impossível de ignorar.

Eu não conseguia pensar direito.

Mas, Deus… foi uau.

Muito uau.

Cereja já tinha ido embora, e nosso Uber de confiança me esperava do lado de fora. Quase tropecei ao entrar no carro, e o motorista riu, talvez achando que fosse cansaço.

— Você está bem? — perguntou, gentil.

— Estou… sim. Obrigada.

Mentira.

Ou pelo menos, não toda.

Durante todo o caminho de volta, minha cabeça replayava tudo como um filme impossível de pausar. O perfume dele parecia ainda grudado em mim. O jeito como dizia meu nome, lento, como se estivesse marcando território. As palavras sussurradas no meu ouvido voltavam como um eco insistente.

Ele me fez sentir desejada.

Eu, que sempre me vi como o patinho feio. Invisível. Comum.

Só de lembrar dele dizendo que queria me tocar, meu estômago gelava e minha pele se arrepiava novamente.

Quando cheguei na casa da Isa, a primeira coisa que fiz foi me jogar no sofá e enfiar o rosto nas mãos. Eu estava com um vestido longo, discreto. Não dava para sair pela rua parecendo uma periguete. Afinal, a fachada do clube era um restaurante. Um restaurante chique, que fingia servir comidas típicas internacionais.

Ah… se as pessoas soubessem que a verdadeira especialidade dali eram mulheres.

— Amiga? — Isa surgiu na sala, enrolada na toalha, o cabelo ainda molhado. — Me conta. Me conta TUDO.

Não tive nem tempo de respirar.

Ela se jogou no carpete, de barriga pra baixo, apoiando o queixo nas mãos, como uma adolescente em noite de pijama.

— Ele te tratou bem? Fez alguma merda? Te assustou? Você está bem?

Balancei a cabeça, ainda meio perdida.

— Não… quer dizer… sim… quer dizer… eu não sei explicar. Ele foi… intenso.

— Intenso tipo “Imperador dominador opressor” ou intenso tipo “me derreto toda”? — ela arqueou a sobrancelha, curiosa.

Engoli seco.

— Os dois. Mas… gentil também.

— MEU DEUS! — Ela bateu a mão no chão. — Nunca imaginei ele sendo gentil com alguém. Dizem que ele é um mandão do pauzão.

— Eu…não saberia dizer, né? Nunca estive com um homem. — murmurei, morrendo de vergonha.

— É isso mesmo garota, depois faz um sexo bolado!

— Você está doida, mulher? — respondi, rindo, enquanto me levantava para tomar banho.

No domingo eu acordei tarde.

Já sabia que não iria ao clube. Tinha o meu primeiro trabalho da faculdade para entregar, o tal projeto de extensão, e a semana antes do Carnaval prometia ser puxada demais para eu me permitir distrações.

O corpo estava cansado, mas a cabeça… estranhamente ligada.

Fiz café sem pressa, fiquei encostada na pia, olhando qualquer coisa que não era nada. O apartamento estava silencioso demais. Isa já tinha saído cedo para trabalhar; pegou um extra no clube, turno longo, daqueles que só acabam de madrugada.

E eu fiquei ali.

Passei a manhã meio dispersa. Dobrei algumas roupas, organizei a mochila da faculdade, espalhei os papéis do projeto pela mesa. Não fiz tudo direito, mas fiz o suficiente para me sentir um pouco menos bagunçada por dentro.

Mais tarde, resolvi ir ao shopping. Precisava de roupa, precisava andar, precisava gastar aquela energia inquieta. Tinha ganhado mil reais em gorjetas naquele fim de semana e, pela primeira vez em muito tempo, me senti… segura. Como se as coisas estivessem andando. Em breve eu completaria um mês naquele emprego. Um mês.

Sem perceber, minha vida já tinha começado a sair do eixo.

Quando voltei para casa, joguei o corpo no sofá e liguei a TV sem expectativa nenhuma. Estava passando Titanic. Pensei em trocar. Não troquei. Acabei ficando.

A tarde foi escorrendo com o filme, com aquela história exagerada, intensa demais, gente se prometendo amor eterno depois de dois dias. Ridículo. E mesmo assim… em algum momento, meus olhos arderam.

Minha cabeça foi direta para a noite anterior. Pro toque, para a sensação, para forma como o desejo pode virar um tipo de naufrágio. Você entra achando que está no controle e, quando percebe, já afundou um pouco.

À noite, fiz um macarrão simples. Comi distraída, mexendo no celular, rindo de vídeos idiotas, tentando não pensar demais.

Funcionou… mais ou menos.

Deitei-me sem sono, encarando o teto por um tempo maior do que gosto de admitir.

E foi ali, nesse silêncio estranho, que percebi:

em algum canto da minha cabeça, o nome Victor começou a aparecer mais vezes do que eu esperava.

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