Pov Clara
Na segunda-feira, cheguei à mansão e a casa já estava animada como sempre.
Assim que pisei no jardim, a porta se abriu como se fosse ensaio.
— Claaara!!!— gritaram juntas.
— Você chegou!
— Você demorou!
Dois furacões atravessaram o quintal e vieram direto em mim. Ângela cabelo liso, escorrido, com cara de quem sempre se acha dona da razão se jogou nas minhas pernas. Geovana cabelo cacheado cheia de personalidade veio logo atrás, quase derrubando a irmã. As duas eram absurdamente parecidos mesmos traços, mesma expressão mimada no modo máximo. Pareciam duas Maria Joaquina em versão miniatura só que em dobro.
— A gente tem MUITA coisa para te mostrar! — Geovana puxava meu braço.
— Primeiro os desenhos! — Ângela cortou.
— Depois a dança nova!
— E o vídeo novo da Taylor Swift!
Eu já estava rindo. Rindo de verdade. Todas as segundas feiras eram animadas assim, cheias de novidade.
Cheguei às onze em ponto… e em cinco minutos meu cérebro já tinha parado de funcionar com o excesso de informação.
O melhor ou pior foi descobrir que todos os compromissos do dia tinham sido adiados. Nada de natação. Nada de inglês. Nada de jiu-jitsu. Nada de música.
Normalmente, aquelas meninas viviam numa maratona absurda. Carro para lá, carro para cá, troca de roupa, lanche no caminho, horário colado na geladeira.
Naquela dia.
Elas estavam livres.
Totalmente.
Ou seja: caos instaurado.
Brincamos de tudo.
Desenhamos.
Dançamos músicas aleatórias da internet.
Fizemos salão de beleza (delas).
Penteei o cabelo da Ângela umas sete vezes porque nunca estava bom.
A Geovana decidiu que queria o cabelo “igual de princesa guerreira” ninguém sabia o que aquilo significava, mas eu tentei.
Teve até competição de caretas.
E eu perdi. Feio.
Elas comemoraram como se tivessem ganhado uma Copa do Mundo.
O dia estava leve.
Leve de verdade.
Até não estar mais.
— Você destruiu minha boneca! — Ângela gritou.
— Eu só estava penteando! — Geovana rebateu.
— Você puxou! Sua feia!
E pronto.
As duas avançaram uma na outra no meio do tapete persa como duas gatinhas endemoniadas.
— EI! EI! EI! — corri e separei as duas. — O que é isso?!
Geovana estava com o cabelo todo bagunçado.
Ângela com a blusa torta e a boneca decapitada na mão.
— Ela me chamou de feia! — Geovana berrou.
— Só porque você arrancou a cabeça da minha boneca! — Ângela retrucou.
Segurei as duas pelos ombros, firme.
— Vocês são irmãos, tem a mesma cara praticamente e o mesmo DNA — falei. — Vão mesmo brigar por causa de uma boneca boba?
— NÃO É PELA BONECA! — responderam juntas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido