Plano B.
Victor.
Bonito. Gentil. Possível.
Saí pela porta e lá estava ele, encostado no carro, como sempre. Cabelo preto bem arrumado, olhos verdes claros demais para serem ignorados, sorriso fácil, tranquilo. Devia ter uns 1,75 — postura relaxada de quem não precisava provar nada.
— Oie, Clarinha — ele disse, sorrindo.
Abriu a porta para mim antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.
Cavalheiro.
— Oi… — respondi, um pouco mais corajosa do que realmente me sentia.
Entrei no carro, ele deu a volta, sentou-se no banco do motorista e logo seguimos em direção à faculdade.
— Como foi seu fim de semana? — perguntou, enquanto dirigia.
Pensei por um segundo.
— Foi… intenso — respondi, sorrindo sem perceber.
Ele me olhou rápido, curioso, mas não perguntou nada.
— Você está muito bonita hoje — disse, simples, sem malícia.
Senti o rosto esquentar.
— Obrigada… você também está… muito cheiroso.
Ele riu, daquele jeito tímido e sincero.
— Que bom — disse. — Fiquei feliz de te ver. —Engoli seco.
Quando o carro diminuiu a velocidade perto da faculdade, algo apertou dentro do meu peito. Uma vontade súbita. Um impulso. Uma coragem nova dessas que surgem do nada.
— Victor…
— Hum?
Respirei fundo.
— Eu queria te chamar para tomar um sorvete… qualquer dia desses... você gosta de sorvetes?
O sorriso dele se abriu de um jeito bonito deu para ver pelo retrovisor.
— Claro que sim, Clarinda. Quando você quiser.
Sorri, abrindo a porta.
— Obrigada.
Fechei o carro e caminhei em direção à entrada da faculdade sentindo o coração bater forte. Viver uma paixão estava cada vez mais perto de ser real.
A semana passou sem pedir licença.
O senhor Adrian viajou para o Rio logo na terça-feira cedo, e a casa sentiu a ausência quase de imediato. Inclusive meus olhos, ele era um colírio diário para mim.
Ângela e Geovana tinham uma rotina absurda, daquelas que nem adulto aguenta direito: natação, inglês, jiu-jítsu, música. Era uma correria constante.
Até que chegou o final de semana. Folga da Adelaide, Adrian ainda viajando, e eu e as meninas quase sozinhas naquela enorme casa. Havia oito seguranças geralmente eram sempre quatro além de Victor, que era segurança e motorista.
No sábado cedo.
— Claraaaa, o que a gente vai fazer hoje? — Geovana perguntou logo depois do café, já entediada.
— Nada — respondi, me fazendo de misteriosa.
— COMO ASSIM NADA? — Ângela arregalou os olhos. — Nada é chato!
— Nada é criativo — corrigi. — Vamos ver quem consegue desenhar o monstro mais feio do mundo.
Duas horas depois, a sala parecia cenário de crime artístico. Papéis espalhados, canetinhas abertas, uma discussão séria sobre se um monstro podia ter oito olhos e três bocas.
— O meu é o mais feio! — Geovana decretou.
— Não é! — Ângela rebateu. — O seu parecer um sapo triste.
A competição de caretas veio logo em seguida. Perdi feio, como sempre. Elas comemoraram como se tivessem ganhado algo importante demais.
Apesar da bagunça, o clima era leve. Eu me sentia… presente. Claro que teve tensão.
— Ela puxou meu cabelo!
— Porque ela rasgou meu desenho!
— Ele era horrível mesmo!
— CALA A BOCA!
Respirei fundo, separei as duas, abaixei na altura delas.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido