Entrar Via

O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 33

Plano B.

Victor.

Bonito. Gentil. Possível.

Saí pela porta e lá estava ele, encostado no carro, como sempre. Cabelo preto bem arrumado, olhos verdes claros demais para serem ignorados, sorriso fácil, tranquilo. Devia ter uns 1,75 — postura relaxada de quem não precisava provar nada.

— Oie, Clarinha — ele disse, sorrindo.

Abriu a porta para mim antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.

Cavalheiro.

— Oi… — respondi, um pouco mais corajosa do que realmente me sentia.

Entrei no carro, ele deu a volta, sentou-se no banco do motorista e logo seguimos em direção à faculdade.

— Como foi seu fim de semana? — perguntou, enquanto dirigia.

Pensei por um segundo.

— Foi… intenso — respondi, sorrindo sem perceber.

Ele me olhou rápido, curioso, mas não perguntou nada.

— Você está muito bonita hoje — disse, simples, sem malícia.

Senti o rosto esquentar.

— Obrigada… você também está… muito cheiroso.

Ele riu, daquele jeito tímido e sincero.

— Que bom — disse. — Fiquei feliz de te ver. —Engoli seco.

Quando o carro diminuiu a velocidade perto da faculdade, algo apertou dentro do meu peito. Uma vontade súbita. Um impulso. Uma coragem nova dessas que surgem do nada.

— Victor…

— Hum?

Respirei fundo.

— Eu queria te chamar para tomar um sorvete… qualquer dia desses... você gosta de sorvetes?

O sorriso dele se abriu de um jeito bonito deu para ver pelo retrovisor.

— Claro que sim, Clarinda. Quando você quiser.

Sorri, abrindo a porta.

— Obrigada.

Fechei o carro e caminhei em direção à entrada da faculdade sentindo o coração bater forte. Viver uma paixão estava cada vez mais perto de ser real.

A semana passou sem pedir licença.

O senhor Adrian viajou para o Rio logo na terça-feira cedo, e a casa sentiu a ausência quase de imediato. Inclusive meus olhos, ele era um colírio diário para mim.

Ângela e Geovana tinham uma rotina absurda, daquelas que nem adulto aguenta direito: natação, inglês, jiu-jítsu, música. Era uma correria constante.

Até que chegou o final de semana. Folga da Adelaide, Adrian ainda viajando, e eu e as meninas quase sozinhas naquela enorme casa. Havia oito seguranças geralmente eram sempre quatro além de Victor, que era segurança e motorista.

No sábado cedo.

— Claraaaa, o que a gente vai fazer hoje? — Geovana perguntou logo depois do café, já entediada.

— Nada — respondi, me fazendo de misteriosa.

— COMO ASSIM NADA? — Ângela arregalou os olhos. — Nada é chato!

— Nada é criativo — corrigi. — Vamos ver quem consegue desenhar o monstro mais feio do mundo.

Duas horas depois, a sala parecia cenário de crime artístico. Papéis espalhados, canetinhas abertas, uma discussão séria sobre se um monstro podia ter oito olhos e três bocas.

— O meu é o mais feio! — Geovana decretou.

— Não é! — Ângela rebateu. — O seu parecer um sapo triste.

A competição de caretas veio logo em seguida. Perdi feio, como sempre. Elas comemoraram como se tivessem ganhado algo importante demais.

Apesar da bagunça, o clima era leve. Eu me sentia… presente. Claro que teve tensão.

— Ela puxou meu cabelo!

— Porque ela rasgou meu desenho!

— Ele era horrível mesmo!

— CALA A BOCA!

Respirei fundo, separei as duas, abaixei na altura delas.

— Acho que você ficou presa — Victor comentou, sorrindo.

— Acho — respondi, baixinho.

Ele se levantou devagar e ajudou a pegar Geovana no colo. Eu levei Ângela. Colocamos as duas na cama, ajeitamos as cobertas, apagamos a luz.

Quando voltamos para a sala, o silêncio era outro.

Mais íntimo.

Sentei-me no sofá. Victor se sentou ao meu lado, deixando um espaço respeitoso entre nós. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou nada.

— Elas gostam muito de você — ele disse.

— Eu gosto delas também — respondi. — Às vezes acho que elas me mantêm no chão.

Ele virou o rosto para mim. Observou com atenção, como fazia sempre.

— Você é boa nisso — disse. — Dá para ver.

Senti o calor da mão dele se aproximando. Não segurou a minha só encostou depois afastou uma mecha do meu rosto, tocando minha bochecha.

Não afastei.

Conversamos. Coisas simples. A rotina, a faculdade, pequenas histórias do dia. Em algum momento, a mão dele encontrou a minha de vez. Os dedos se entrelaçaram devagar.

Nada apressado. Nada escondido.

E ficou assim.

Simples.

Calmo.

Seguro.

Ele se aproximou mais, segurou meu rosto entre as mãos, e eu soube: um beijo estavam prestes a acontecer. Fechei os olhos e esperei, sentindo a respiração quente dele perto de mim.

Mas, claro… o celular dele tocou.

Victor se levantou e saiu. Demorou um pouco, e eu fiquei ali, olhando para o nada. Então decidi subir para dormir… e me dei conta de uma coisa estranha:

Eu estava cansada.

Mas, inacreditavelmente… em paz.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido