Pov Clara
No domingo, acordei cedo por volta das 8h Victor preparou o lanche. Não era novidade ele já fazia isso em outras ocasiões. O senhor Adrian confiava nele. Confiava de verdade. As meninas ainda dormiam, e a casa estava naquele estado raro de sossego que só existe antes das nove da manhã. A cozinha enorme parecia maior ainda. Eu estava de pijama, cabelo preso de qualquer jeito, e ali ficamos só nós dois. Não era o silêncio tenso que surgia quando Adrian estava presente. Era diferente. Um silêncio morno. Habitável.
— Quer chá? — perguntei, mais para quebrar o clima do que por necessidade.
— Quero — respondeu. — Se não der trabalho.
Preparei os dois sem pressa. Victor ficou encostado no balcão, me observando com aquele jeito calmo que parecia fazer parte dele. Quando nos sentamos na cadeira, cada um com a caneca nas mãos, notei que os outros seguranças estavam mais afastados. Ainda ali, atentos, mas discretos.
— Victor… — hesitei um pouco. — Porque tem esse monte de seguranças na casa. E você não foi para casa né?
Ele ergueu uma sobrancelha, mas não pareceu surpreso.
— Ordens do senhor Adrian.
— Ordens?
— Ele pediu para ficar de olho na casa. E em vocês.
Engoli em seco.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não exatamente — deu de ombros. — Mas o senhor Adrian prefere prevenir a remediar ele trabalha com muitas pessoas e tomam muitas decisões algumas podem não agradar a todos.
Aquilo ficou suspenso no ar por alguns segundos. Um desconforto leve, difícil de explicar.
— E… — acrescentei, tentando disfarçar — só por isso que você está aqui?
Victor sorriu de lado. Um sorriso curto, honesto.
— Não.
— Não?
Ele se inclinou um pouco mais perto pegando na minha outra mão e disse com a voz baixa olhando em meus olhos.
— Também porque eu quis ficar — disse, sem ensaio. — Porque eu gosto de estar perto de você. Simples assim.
Meu coração acelerou. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa inteligente, ele se aproximou e deixou um beijo leve no meu rosto. Nada invasivo. Nada apressado. Um gesto quase doméstico.
— Se isso te incomodar… — ele começou.
— Não incomoda — cortei, rápido demais.
Victor sorriu.
Os furacões acordaram gritando.
— Claraaaa, está muito quente! — Geovana reclamou, descendo as escadas dramática.
— Isso é tortura infantil — Ângela completou, jogando o cabelo para trás e aparecendo logo atrás dela.
Olhei pela janela. Sol alto. Céu limpo. Aquele calor que fazia até a mansão parecer preguiçosa.
— Piscina — falei, simples. — Mas só depois que comerem alguma coisa, combinado?
Lancharam correndo e subiram para trocar de roupa. Parecia que eu tinha anunciado férias eternas.
Por volta das onze, a área externa virou um caos controlado. Boias voando, chinelos espalhados, toalhas desaparecendo misteriosamente.
— NÃO MOLHA O CABELO! — Ângela avisou, já entrando na água.
— ENTÃO POR QUE VOCÊ ENTROU? — Geovana respondeu, antes de empurrar a irmã piscina adentro.
Grito. Gargalhada.
Victor apareceu alguns minutos depois, tirou os óculos escuros e avaliou a cena com aquela calma típica de quem está trabalhando… mas sorrindo como quem também estava se divertindo.
— Posso entrar? — perguntou, mais para mim do que para elas.
— Se entrar, vira alvo — avisei.
— Eu corro esse risco.
Ele entrou na piscina, ajudando na brincadeira, fingindo ser atacado por boias, levando água no rosto de propósito. Diferente dos outros seguranças sempre distantes Victor se misturava.
Me sentei na borda com os pés dentro d’água.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido