POV ADRIAN
Eu não dormi naquela noite.
Cada vez que fechava os olhos, Clara/Mel atravessava a minha mente como um erro de cálculo impossível de apagar.
Não era a cena dela deitada sob minhas mãos. Não era a lembrança do toque no corpo dela. Não era o clube. E, sobretudo, não era pelas minhas filhas.
Era a ideia de ausência.
A ideia de acordar e saber que, em algum momento, ela simplesmente iria embora. Outro país. Outra rotina. Outro mundo onde eu não existia.
Desde a conversa no clube, aquele pensamento não me largava: ela partindo para um intercâmbio, seguindo uma oportunidade que, para alguém como ela, talvez nunca surgisse de novo.
Eu até ficaria. Sem tocá-la, por respeito. Mas sem vê-la.
Inaceitável.
Para ela, aquilo era a única opção. Então eu criaria outras possibilidades.
Aquilo me manteve acordado. Inquieto. E estratégico.
Às quatro e cinquenta e sete da manhã, eu já estava de pé. O céu ainda escuro demais para decisões morais, claro o suficiente para decisões eficientes. Às sete em ponto, eu estava no avião rumo ao Rio de Janeiro.
Durante o voo, não pensei nela. Pensei em opções.
Assim que cheguei ao escritório, fui direto ao de Mathew.
— Preciso que você resolva uma coisa para mim.
Ele ergueu os olhos do tablet, atento como sempre.
— Claro, senhor.
— A Tech Global mantém algum programa educacional ativo no Brasil?
Ele franziu a testa, puxando dados.
— Parcerias com algumas universidades privadas. Bolsas parciais, projetos de pesquisa, incentivos acadêmicos…
— PUC? — interrompi.
— Não sei se existe convênio.
— Então descubra.
Alguns minutos depois, ele assentiu.
— Existe. É pequeno.
Era tudo o que eu precisava.
— Quero ampliar esse convênio.
Mathew levantou o olhar, atento de verdade agora.
— Em que termos?
— Bolsa integral — respondi, seco. — Intercâmbios, mensalidade, transporte, material didático, alimentação. Um projeto educacional formal.

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