Pov /Adrian
O lançamento da Bette Fashion foi um circo barulhento: flashes, sorrisos forçados, contratos irrelevantes, gente demais falando. Cada mão apertada me lembrava do abismo que me separava do que eu realmente desejava. Eu estava ali, mas minha cabeça... em outro lugar.
Clara.
Eu precisava tirá-la da cabeça. Precisava descarregar a tensão, nem que fosse na marra. Foi por isso que aceitei quando um sócio sugeriu o clube, no Leblon. O lugar era pequeno, quente, banhado por uma luz vermelha constante, como se tivesse sido construído dentro de um coração em funcionamento. Tudo ali parecia pulsar.
Desejo sem romance.
E foi ali que eu a vi.
Corpo ruivo e curvilíneo, a pele de porcelana salpicada de sardas. Um olhar de aceitação que já vinha inclinado, submisso, antes mesmo que eu abrisse a boca. Eu ergui levemente o queixo. Ela veio. Sem pergunta. Sem hesitação.
Nos dirigimos para a Sala Privada – A Cruz.
A porta se fechou atrás de nós, isolando o mundo. A sala era escura, silenciosa, quase solene. E no centro... A cruz.
Uma maca estofada em formato de X, forte o bastante para sustentar um corpo inteiro. Quatro pontos de contenção marcavam exatamente onde pulsos e tornozelos deveriam estar, e a mulher ficava ali, exposta, pernas e braços abertos como uma estrela de cinco pontas.
Ela parou em frente à cruz e se desnudou completamente. A brancura do corpo, a presença de poucos pelos laranjas, confirmava ruiva natural. Eu me aproximei devagar. Passei o dedo pela pele, tão branca que quando apertei levemente ficou vermelha, puxei o cabelo dela amarrando-o em um rabo de cavalo. Não fui delicado, mas ela não reclamou. Beijei o pescoço dela, e deslizei a mão sob os peitos macios e pequenos que cabiam na palma das minhas mãos. Apertei e ela gemeu. Mordi o lóbulo da orelha dela, e ela se arrepiou. Aquilo foi o gatilho.
Eu a empurrei para a estrutura e as mãos dela tremeram quando encostaram nela.
O efeito sempre começava antes.
Ela ofereceu os pulsos para mim.
Amarrei primeiro o pulso esquerdo, depois o direito, mantendo-os abertos para cima. Ela respirava rápido como se o corpo tivesse entendido antes da mente. Ela abriu as pernas sem sequer perceber. Toquei a cintura dela com a força da posse, explorando as curvas.
— Olha para a frente, — ordenei. Peguei o queixo dela e segurei na minha direção, e toquei seus lábios. Desci a mão entre a virilha e bingo: estava molhada. Acariciei a pele rosada e, no ápice do desejo, passei os dedos na boca dela para que sentisse seu próprio gosto. Eu completei as contenções nos calcanhares. Esticada na cruz, a ruiva parecia uma oferenda.
Andei ao redor da cruz com calma. Peguei um aparelho que causava pequenos choques, enquanto a passos lentos, estudava cada parte exposta dela. Toquei na curva lateral do quadril, a parte interna do braço, a costela. Cada toque era um golpe. Ela arfava a cada investida do meu toque experiente.
— Respire.
— Eu... eu... estou tentando...
— Tente mais.
Peguei um prendedor de couro e apertei contra a lateral da coxa, firme o suficiente para sentir o corpo estremecer. A boca dela abriu num som rouco, quase um choro.
Perfeito.
Peguei a vela. A cera quente caiu primeiro no ombro dela. Um único fio. Lento. Cruel. E depois mais uma gota, despejei pelos braços, pernas, pé ela se arqueava inteira, como se o corpo tentasse fugir.
— Quietinha. — avisei, segurando a cintura dela com uma mão. — Só sinta.
Derramei outra linha de cera, contornando a curva do seio, deixando a ameaça viva na pele. A cera escorreu pela costela, descendo em trilhos. Ela tremia dos pés à cabeça.
A ruiva gemeu, dobrou uma das pernas. Eu ouvi o barulho metálico da corrente puxando.
— Endireite-se. — ordenei.
Eu a segurei pelo queixo, forçando-a a olhar para mim.
— Você faz o que eu mando. Entendeu?
Os olhos dela encheram de submissão pura.
Peguei o vibrador na gaveta lateral. Ligado, vibrando baixo, numa frequência que fazia o ar tremer. Eu o usei para mapear o desejo. Encostei apenas na parte interna da coxa, num ponto alto, sensível, mas externo. Ela quase desabou. Depois passei o aparelho pela curva da barriga, subindo e descendo devagar, deixando a vibração viajar pela pele.
Ela gemeu tão forte que a cruz inteira tremeu.
Aumentei a intensidade. Não para dar prazer, mas para testar o quanto ela aguentava. A respiração dela falhou. A cabeça caiu para trás. A pele ficou brilhante.
E então, eu pressionei o objeto diretamente no ponto sensível e molhado entre as pernas.
Eu a beijei num ato violento e possessivo, enquanto o vibrador tocava sua intimidade e fazia o trabalho sujo enquanto minha boca lembrava quem mandava ali. O gemido dela entrou direto no meu peito forte demais para significar prazer, fraco demais para ser controle total... Ela gemia, estremecia, e eu desci a boca, parando em seu torso e sugando seus mamilos com força. Eu a levei ao limite, observando o rubor em sua pele, o corpo se contorcia e ela soltava gritos de satisfação.
Ela chegou ao clímax em um grito rouco, o corpo em espasmos na cruz. Uma, duas, três vezes. O êxtase dela encharcou minha mão, o mel escorreu pela perna.
Quando desliguei o aparelho, ela parecia prestes a desmaiar.
Eu a desamarrei com cuidado. Segurei sua cintura antes que caísse. As pernas dela quase não responderam. E a deitei na cama.
— Não vai finalizar? — ela perguntou, a voz fraca.
— Hoje não. — respondi, rindo.
— Você é o diabo — ela riu, sem conseguir sustentar a cabeça. — Se eu souber o inferno onde você comanda... eu vou até lá... te implorar por mais disso. Meu nome é Clarisse.
E mesmo vendo alguém se desmontar por causa da minha técnica, eu senti o mesmo de sempre: Nada. Um vazio miserável, seco, irritante.
Porque aquele corpo não era dela. E não sobrou nada além da fome por Clara
Saí do quarto e fui para o hotel.
Os dias seguintes se dissolveram em reuniões mecânicas, telefonemas que eu resolvia no piloto automático, sócios reclamando de números enquanto minha cabeça vagava por pensamentos de recesso, carnaval, parar por algumas semanas. Eu precisava parar.
Trabalhava daquele jeito porque dizia a mim mesmo que era necessário. Porque um império não dorme.
Mentira.
Eu estava cansado.
E, pior, ausente.
Minhas filhas cresciam rápido demais para um pai que só existia entre uma viagem e outra. Eu faltava às reuniões da escola, perdia pequenos rituais, jantares, não respondia perguntas simples.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido