Pov/ Adrian
Na manhã de domingo, vi quando Clara acordou. Ela se sentou na cama com as pernas dobradas sob o corpo, o cabelo preso de qualquer jeito. Vestia uma camiseta larga demais uma daquelas que fazem parecer que a pessoa pertence ao lugar. Ela se espreguiçou e desceu para a cozinha. Victor estava lá.
— Merda… — murmurei.
Claro. Eu mesmo tinha pedido para o Victor preparar o café. As meninas desceram um tempo depois. Passei o dia inteiro observando tudo pelas câmeras. Troquei o ângulo.
Quintal. Piscina.
O sol batia forte. A água estava azul clara demais para o humor que começava a se formar dentro de mim. As meninas gritavam, pulavam, espirravam água umas nas outras. Clara entrou na piscina até os joelhos, rindo, chamando a atenção delas.
Victor surgiu atrás dela.
Perto demais.
Próximo o suficiente para tocar.
Eu senti antes de ver. O corpo reagiu como se fosse um aviso primitivo.
Ele disse algo no ouvido dela. Clara virou o rosto e sorriu um sorriso leve, distraído. Victor estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo molhada do rosto dela.
Um gesto pequeno. Íntimo demais
Meu coração acelerou de um jeito violento.
Ele a beijou.
— Droga! — Joguei o notebook no chão. — Eu vou matá-lo.
Posso matá-lo, não posso?
Liguei para o Mathew.
— Marque um voo de volta para mim. O mais rápido possível.
— Não, senhor. Você não pode. Temos três reuniões essa semana.
— Eu preciso ir para casa.
— Não. Você precisa ficar aqui. Você é o dono. A responsabilidade é sua.
Alguns segundos depois, Mathew entrou no quarto sem avisar.
— Vai me dizer o que está acontecendo ou prefere continuar agindo como um louco?
Passei a mão pelo rosto.
— Vou embora hoje.
Ele riu, de incredulidade pura.
— Não vai.
— A empresa é minha.
— Justamente por isso — rebateu. — Comece a agir como dono, e não como uma criança mimada.
O olhar dele não desviou.
— Você odeia gastar dinheiro e está criando projetos milionários do nada. Você sempre adorou casas de festa, swing… e agora não sai do hotel. Não vai a festas, não janta fora, não olha para ninguém. Adrian, você não é mais você.
Silêncio.
— Seja lá o que estiver acontecendo — continuou — não vai desaparecer se você correr para casa.
Fechei os olhos por um segundo.
— Se eu ficar até quinta, conseguimos resolver tudo? — perguntei.
— Sim — Ele respirou fundo. — E, se quiser descansar, fique até sexta. Recesso de carnaval. Vou empurrar suas reuniões para abril e maio. Fique com suas filhas. Mas volte normal.
Normal.
Aquilo soou como uma ameaça.
Eu aceitei.
— Pode seguir para...
Um carro estacionou do outro lado da rua e abriu a porta.
Clara desceu primeiro.
Victor atrás.
Ela riu de algo que ele disse.
E ela… Ela o beijou.
ela o beijou.
Na boca.
Ele tocou o rosto dela ele a segurou pela cintura
O mundo ao meu redor ficou mudo.
Saí do táxi como um idiota, bati a porta com força demais. O som ecoou na rua.
Ela se virou assustada.
O olhar dela encontrou o meu.
E naquele instante eu soube: Não era só desejo ou posse
Era ciúme.
Como se algo tivesse sido arrancado de mim.
Meu corpo levou um choque elétrico tão intenso que coração errou as batidas.
A bile subiu à minha garganta, tão amarga que jurei estar sonhando.
Não, pior: estava em um pesadelo, e o pesadelo era protagonizado pelo urubu idiota do meu motorista com a minha garota.

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