Ela se livrou com um empurrão, e a alça do vestido voltou a escorregar pelo ombro, mostrando demais outra vez. O cheiro dela, a pele exposta, a proximidade tudo isso arrancou de mim o último fiapo de paciência. Era como estar à beira de um abismo: fome, perigo, um descontrole absoluto que eu lutava para conter.
Ela me olhou como se estivesse diante de um monstro.
Talvez estivesse certa, talvez estivesse me tornando um.
Respirei fundo. Uma vez. Duas. Três.
Merda.
Aproximei-me. Ela encolheu os braços junto ao peito e recuou um passo. Apoiei as mãos na parede, uma de cada lado do rosto dela, cercando-a. Fiquei perto demais perto o suficiente para sentir sua respiração irregular, para ouvir o coração disparado. Meus olhos desceram até a boca dela. Eu a desejava sem qualquer pudor.
— O que você está fazendo? — ela sussurrou.
— Eu quero muito você.
Passei os dedos por sua bochecha, afastei o cabelo do rosto e segurei sua cabeça entre as mãos, como se aquilo fosse a única coisa que me mantivesse de pé.
— Você… — a voz dela tremeu. — Você não pode fazer isso.
Ela engoliu em seco antes de continuar reunindo forças.
— Não pode sorrir para mim naquele quarto, naquele dia… marcar um encontro comigo e depois fingir que eu não existo.
Respirou fundo, visivelmente abalada.
— Não pode me tratar bem… me escolher… e depois me descartar como se eu não valesse nada. — A voz falhou. — Não pode brincar comigo desse jeito.
Eu não consegui responder.
Ela afastou minhas mãos, empurrando-as para baixo, criando espaço entre nós.
— Não pode me puxar, me arrastar, me tratar como se eu fosse um objeto qualquer — continuou, agora sem conseguir segurar as lágrimas.
O silêncio caiu pesado entre nós.
— Só pode estar de brincadeira, não vai dizer nada? — riu sem humor. — Ótimo. Então me deixa voltar para aquela orgia. Pelo menos lá… — a voz quebrou de vez — pelo menos lá me tratam melhor do que você.
As lágrimas desceram livres pelo rosto dela.
Aquilo foi como se alguém fechasse a mão em torno do meu coração e apertasse até rasgar.
Meu autocontrole explodiu.
— Você acha que eu estou brincando? — minha voz saiu rouca, baixa, quase um grunhido. — Acha mesmo que eu consigo olhar para você… e manter o controle?
Ela piscou rápido, os lábios entreabertos, respirando pela boca.
— Então… por que não para?
Aproximei-me mais, encurralando-a de vez contra a parede. Minhas mãos voltaram aos ombros dela, firmes, impossibilitando qualquer fuga. O perfume dela me atingiu como um veneno doce lento, envolvente, impossível de evitar.
— O problema, Clara… — murmurei, aproximando a boca da dela, sentindo o calor da respiração — é que eu não sei… não consigo desligar.
Ela virou o rosto para o lado, me ignorando.
Segurei a cintura dela. Firme. Quente. Um gesto feito mais de desespero do que de domínio.
— Para… — pediu, a voz quebrando. — Eu tenho… eu tenho alguém…
Aquilo me rasgou por dentro.
Mas não me afastou.
Segurei o rosto dela e encostei a testa na dela, fechando os olhos por um segundo, respirando com dificuldade, como se estivesse lutando contra mim mesmo.
— Eu não consigo parar.



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